A volta de Neymar ao gramado pelo PSG foi bastante conturbada neste sábado. O brasileiro foi titular contra o Strasbourg, no Parque dos Príncipes, em jogo que o time parisiense vestiu pela primeira vez o seu uniforme em versão retrô, branca. Faixas de protesto ofendiam o brasileiro, que também foi vaiado ao tocar na bola em boa parte do jogo. Para piorar, o jogo parecia caminhar para um 0 a 0 sem graça, com o time de Paris atuando mal. Até os acréscimos, quando Neymar acertou uma meia bicicleta que decidiu o jogo.

Desde o começo, a presença de Neymar foi recebida de forma bastante dura pelos torcedores. Ao ser anunciada a escalação com o brasileiro, boa parte da torcida vaiou fortemente o brasileiro, dando o tom de como seria o relacionamento com o craque ali.

Uma das mensagens dos Ultras do PSG foram ofendendo Neymar. Os torcedores levaram uma faixa que se lia: “Neymar SR, venda o seu filho na Vila Mimosa”. Assim mesmo, em português. Uma referência comparando o jogador a prostitutas. E não foi só isso.

Outra faixa dizia, em francês: “Seu nome na Torre Eiffel, milhões na sua conta, suas festas open bar: bem-vindo ao inferno, Calimero”, uma referência ao personagem Calimero, de um desenho animado. Ofensas pesadas contra o brasileiro. E que gerou reação dele, depois do jogo.

A escalação de Neymar entre os titulares era esperada, dados os problemas de lesão que assolam o PSG. Kylian Mbappé e Edinson Cavani estão lesionados. Sem os dois, Neymar começou o jogo atuando pelo meio, em um 4-2-3-1, com o camaronês Eric Maxim Choupo-Moting no ataque e Pablo Sarabia e Ángel Di Maria pelos lados do campo.

A atuação do PSG foi decepcionante. Apesar dos 16 chutes a gol (sete deles no alvo) e 61% de posse de bola, os parisienses não conseguiram criar chances claras de gol. Pelo contrário: quem teve a melhor chance no primeiro tempo foi o Strasbourg, que não abriu o placar porque Keylor Navas fez uma grande defesa.

O desempenho ruim no primeiro tempo fez com que muita gente esperasse que o atacante Mauro Icardi já voltasse para o segundo tempo no lugar de Choupo-Moting. Não aconteceu. O técnico Thomas Tuchel decidiu esperar mais alguns minutos para ver o que aconteceria. Icardi faria sua esperada estreia aos 18 minutos, quando substituiu então o camaronês.

Só que o jogo foi mesmo insosso e passou dos 90 minutos disputados sem qualquer gol. Parecia que seria o resultado final, o que faria jus à qualidade do jogo, bem abaixo do que se espera de um time como o PSG. Só que tudo mudou nos acréscimos.

O PSG insistia na jogada e Icardi recebeu pelo lado esquerdo. Sem espaço, ele abriu para Abdou Diallo, que cruzou para a área. Neymar ajeitou o corpo e acertou uma linda meia bicicleta para marcar um golaço no Parque dos Príncipes. Ele comemorou bastante, muito celebrado pelos companheiros, ainda que com vaias das arquibancadas.

As vaias pareceram magoar o brasileiro. Depois do jogo, na zona mista, ele disse: “É triste, mas de agora em diante eu sei que todo jogo que eu jogar, eu jogarei fora de casa”. Quando perguntado se o ambiente atrapalhou, o jogador respondeu calmamente. “Não para mim. Eu estou muito calmo. Nós todos sabemos o que aconteceu, eu entendo que é muito difícil para eles [torcedores do PSG]. Mas de agora em diante, eu sou um jogador do PSG. Se eles querem me vaiar, não tem problema. Há outros mais de 25 jogadores no elenco, você não pode focar em um. Os outros jogadores não merecem viver essa situação. Nós temos um time e nós temos que apoiar o clube, apoiar Paris. Quando o público apoia o time, juntos somos mais fortes”.

Declarações que, convenhamos, não ajudam em nada. O jogador deve enfrentar vaias por mais tempo e, por isso, precisará mostrar mais do que o seu excelente futebol, como craque que é. Precisará mostrar vontade de atuar pelo time, ser humilde e ter capacidade de entender por que enfureceu tanto os torcedores.

Foi só o primeiro capítulo de uma novela que deve se estender por toda a temporada. Neymar terá que fazer muito para reconquistar seus torcedores. E também agradar quem fica nos camarotes, a direção do time e os donos, lá no Catar, para que possa ter autorização para sair em um momento melhor, de preferência com grandes atuações e mostrando que está comprometido com o clube. Ser craque em campo não bastará. Precisará de atitudes também.

Veja o golaço de Neymar:

Veja a classificação da Ligue 1:

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