Volantes na direção

Eles são os primeiros marcadores do meio-campo. São eles que dão proteção à defesa e que têm a missão de, sem a bola, recuperá-la. Com ela, têm a função de iniciar as jogadas e, mais do que isso, também participar das jogadas ofensivas do time quando a oportunidade aparece.  No caso do pentacampeão brasileiro Corinthians, Ralf e Paulinho estão no setor mais importante do time, que formou uma dupla de mosqueteiros que deu ao time a força defensiva necessária para sofrer poucos gols. Uma dupla que pode ser definida por uma só palavra: eficiência.

Se a função dos volantes é, primeiramente, defensiva, Ralf e Paulinho foram destaques. Segundo dados da Footstats – empresa especializada em estatísticas de futebol – , Ralf foi o jogador que mais fez desarmes em todo o Campeonato Brasileiro. Nos 33 jogos que fez, o camisa 5 do Corinthians fez 158 desarmes certos, uma média de 4,8 por jogo. O segundo colocado, Willians, ficou com seis desarmes a menos, 152, com média de 4,9 por jogo. A diferença entre eles, porém, é o número de faltas. Ralf fez 53 faltas, média de 1,6 por partida. Willians, ao contrário, está entre os jogadores que mais cometeram faltas no campeonato. Foram 86 infrações cometidas pelo rubro-negro, uma média de 2,8 por jogo, o que o coloca como o quarto jogador mais faltoso no campeonato. A eficiência de Ralf está exatamente em fazer muitos desarmes, mas não cometer faltas.

Ralf não está sozinho. Paulinho é o segundo volante, aquele que tem a responsabilidade de ajudar os homens de frente, se apresentar para o jogo, dar opção quando necessário. E o jogador tinha uma missão complicada: substituir Elias, que, nessa função, foi grande destaque do Corinthians. Só que o Corinthians sabia do potencial de Paulinho quando, depois de perder Elias, venceu também Jucilei. O que parecia temerário mostrou-se uma aposta acertada – ao menos na manutenção da qualidade, já que perdeu a reposição no banco de reservas. o camisa 8 não só foi destaque do time, como foi o melhor jogador do Corinthians no campeonato.

Paulinho é o nono colocado no ranking de desarmes no Brasileirão, colocando o Corinthians com dois representantes dentro dos dez primeiros. Além dos alvinegros, Palmeiras (com Cicinho e Márcio Araújo) e Vasco (Fágner e Dedé) têm dois representantes cada, o que mostra que, nesse quesito, esses três times são realmente notáveis. A diferença, porém, é que os representantes palmeirenses e vascaínos cometem muitas faltas.

Não é por acaso que o Corinthians é o penúltimo em número de faltas cometidas. Apenas o Flamengo cometeu menos faltas do que o Corinthians, com 600 (15,8 por jogo) dos rubronegros e 619 (16,3 por jogo) dos alvinegros. Palmeiras e Vasco, outros dois times que se destacam no quesito desarme, estão no lado oposto nesse sentido. O Palmeiras é o segundo time mais faltoso com 750 (19,7 por jogo) faltas, menos apenas do que o Coritiba, que fez 822 (21,6 por jogo). O Vasco, por sua vez, também emplaca os dez primeiros em mais faltas cometidas, com 696 (18,3 por jogo).

Paulinho fez 113 desarmes certos, média de 3,2 por partida. Fez mais faltas do que Ralf, mas pouco mais: 58, média de 1,7 por partida, o que, para um volante, ainda é um excelente índice. Mais desarmes do que faltas. Eficiência. Só que Paulinho fez ainda mais do que isso. Foi à frente. Foram oito gols durante os seus 35 jogos. Alguns deles fundamentais para o Corinthians, como o que deu a vitória contra o Cruzeiro, em Sete Lagoas, no segundo turno, ou mesmo o jogo contra o Vasco, em São Paulo, quando Ralf fez o seu único gol no campeonato e Paulinho fez o segundo. Um jogo fundamental do primeiro turno, uma vitória do líder contra aquele que acabaria como vice-líder. Uma vitória dos volantes.

Há mais um dado bastante relevantes em relação aos dois, mas que são consequências da eficiência de ambos. Paulinho recebeu nove cartões amarelos durante o Campeonato, enquanto seu companheiro de meio-campo recebeu apenas seis, mesmo sendo, na teoria, o jogador mais recuado da marcação do setor, o último antes dos defensores propriamente ditos. Mais uma vez, nesse quesito Willians, outro jogador que desarma muito, é o quinto jogador que mais recebeu cartões, com 13.

Os números não explicam tudo. Se não houve um grande time e nem um grande craque no time que foi o campeão, há uma incrível eficiência do Corinthians. Algo que também se deve ao técnico Tite, que, questionado durante todo o ano, conseguiu manter o time na linha, mesmo com as muitas oscilações, e não deixou que a ponta da tabela escapasse para muito distante do seu alcance. Assim, soube segurar-se quando precisou e fechou o time quando necessário.

Em parte, foi o que aconteceu neste domingo. O Corinthians, sem Ralf, teve um número de desarmes menor do que a sua média – fez 20, quando a média é 26 por partida. o Palmeiras, ao contrário, conseguiu superar o seu índice. Fez 32 desarmes, sendo que a sua média é 27. O Palmeiras, sem conseguir criar nada, viu o Corinthians, maduro, saber administrar a situação, correr poucos riscos e garantir o título, o seu quinto brasileiro. Um resultado longe de ser brilhante, mas inegavelmente eficiente.