O Majestoso deste domingo teve muito pouco a ser comemorado, mas mesmo assim o São Paulo tem motivos para sair de campo um pouco mais feliz. Venceu o jogo de ida da semifinal do Campeonato Paulista por 1 a 0, sem fazer um grande jogo, mas suando muito e fazendo um jogo de muita intensidade. Correu demais, suou muito, sofreu também, e conseguiu um gol que lhe deu a vitória. O Corinthians, recheado de desfalques, sofreu ofensivamente e criou muito pouco, seu principal problema para resolver para o próximo jogo.

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As atuações dois times ficaram muito abaixo do que se esperava – ou talvez se esperasse demais -, mas o São Paulo certamente tem mais a comemorar. Até porque não tinha vencido um clássico neste ano de 2018 e não conseguia vencer o Corinthians desde 2016. Conseguiu correr muito, impor um ritmo forte fisicamente e saiu com uma vantagem mínima. O São Paulo contou com o apoio dos 42.830 torcedores.

Os dois times surpreenderam nas escalações, entrando em campo com, na teoria, três volantes. O São Paulo foi a campo com Jucilei, Petros e Liziero, este último com mais liberdade. Foi a opção do técnico Diego Aguirre para a ausência do lesionado Valdívia. Entre os desfalques estava o zagueiro Rodrigo Caio, na seleção brasileira, que foi substituído por Bruno Alves; Cueva, na seleção do Peru, foi substituído por Nene, ao menos em função. Marcos Guilherme e Tréllez completaram o ataque.

No Corinthians, Ralf e Gabriel atuaram juntos pela primeira vez, além de ter Maycon junto, também com um pouco mais de liberdade. Cheio de desfalques, o técnico Fabio Carille escalou Mantuan na lateral direita no lugar de Fagner, na seleção; Mateus Vital no lugar do lesionado Jadson; e Emerson Sheik no lugar de Rodriguinho, que ia começar jogando, mas sentiu no aquecimento e acabou ficando fora do jogo. No ataque, jogou Junior Dutra.

Como esperado, o jogo acabou sendo muito truncado pelo meio, com poucos lances de gol no primeiro tempo e mais divididas e passes errados do que bons chutes a gol. O São Paulo era quem chegava mais ao ataque, muito mais por velocidade e determinação do que por boas jogadas construídas. O Corinthians, bem posicionado defensivamente, dificultava as ações de ataque do São Paulo.

Liziero foi muito bem em campo e, com mais liberdade, levou perigo em um chute de fora da área. Era também quem dava mais ritmo ao time, com bons passes e viradas de jogo, acelerando por vezes, segurando a bola em outros. Marcos Guilherme e especialmente Tréllez foram os que mais corriam no ataque do São Paulo, criando dificuldades na saída de bola do Corinthians.

Com uma marcação um pouco mais alta, o São Paulo tentava pressionar, mas o resultado era pouco efetivo. O que melhor funcionou foi a falha do adversário. Mantuan foi tentar dar um chute para frente, acertou Tréllez, que ficou com a bola, avançou, passou por Gabriel e chutou fraco. Cássio rebateu e Nene, no meio da área, chutou para marcar 1 a 0.

Na comemoração, mais uma faísca. Nene comemorou bem à frente de Carille, que não reagiu. Os jogadores do banco de reservas do Corinthians não gostaram e levantaram do banco. Houve um empurra-empurra e clima quente. O árbitro Rafael Klaus deu amarelo ao jogador do São Paulo pela provocação.

O gol premiou a determinação do São Paulo, mas o futebol era fraco. Foram muitos cruzamentos e correria grande. A questão é que o Corinthians jogava menos ainda. Parecia se conformar em jogar mais esperando o que vai acontecer, especulando, do que tomando as rédeas do jogo.

No segundo tempo, o jogo caiu ainda mais de qualidade. O São Paulo recuou um pouco, tentando segurar o resultado. O Corinthians tentou fazer mais ofensivamente, mas foi muito mal também. Pouco conseguiu levar perigo. O São Paulo, por sua vez, também levou muito pouco perigo. Um ou outro lance que chegou ao ataque, em um ou outro cruzamento. Nenhuma finalização realmente perigosa.

O segundo tempo, aliás, foi um jogo muito fraco. Não houve qualquer chance realmente clara para nenhum dos dois lados. Os dois times, em determinado momento, pareceram com mais medo de tomar outro gol do que querendo efetivamente marcar o seu. O São Paulo parecia temeroso de sofrer o empate mais uma vez. O Corinthians também parecia não querer se arriscar a sofrer mais um gol e complicar mais ainda a situação.

O jogo foi mais quente e disputado do que bem jogado. Deixou um clima de guerra que os times devem levar para o jogo de volta. O técnico Fabio Carille revelou na entrevista coletiva que foi cobrar o técnico do São Paulo, Diego Aguirre, por não ter o cumprimentado antes do jogo. O zagueiro Henrique, na saída do estádio, afirmou que o clima já estava quente e que seria uma guerra dentro de campo no jogo de volta.

O Corinthians tem problemas a resolver para o segundo jogo. Deve ter menos desfalques no jogo de volta, o que já tende a melhorar a qualidade do jogo. Além disso, Carille terá que pensar em alternativas ofensivas para que o time crie mais chances, até porque precisará de ao menos um gol para tentar a classificação. Contará com um retrospecto extremamente positivo diante do rival na Arena Corinthians. Nunca foi batido pelo São Paulo em seu novo estádio – o que significa jogos desde 2014.

A volta será na Arena Corinthians, na quarta-feira, às 21h45. Vitória do Corinthians por um gol de diferença leva a disputa para os pênaltis. Um empate classifica o São Paulo. Vitória por dois ou mais gols para o Corinthians dá a classificação ao time de Itaquera.

https://youtu.be/fa8-opZ1fic