O Brasil venceu a Tchéquia* por 3 a 1 em Praga, depois de um primeiro tempo horroroso da Seleção. O time mostrou pouco repertório diante de um adversário que era melhor em campo e chegou a marcar o primeiro gol. Depois do deserto de ideias do primeiro tempo, o segundo foi melhor, tornando o jogo razoável com a participação especialmente dos reservas chamados por Tite a campo. Éverton, Gabriel Jesus e David Neres trouxeram muito mais ao time, que se tornou mais perigoso e aproveitou as chances que passou a criar, ao contrário do primeiro tempo vazio.

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Tite mudou toda a defesa da seleção. Saiu o goleiro Éderson e entrou o titular habitual, Alisson. Na lateral direita, saiu Fagner e entrou Danilo. No centro da defesa, Marquinhos e Thiago Silva formaram a dupla titular, nos lugares de Miranda e Éder Militão. Alex Sandro foi o lateral esquerdo, no lugar de Alex Telles. No meio-campo, saiu Arthur e entrou Allan. Uma mudança que acabou pesando negativamente.

Lucas Paquetá foi mantido no time depois de ser um dos poucos a ir bem em alguns momentos contra o Panamá. Desta vez, porém, o camisa 10 conseguiu fazer pouco em campo. Allan, que é um jogador de mais força física para chegar à frente, não conseguiu aproveitar isso. O primeiro tempo do Brasil levou muito pouco perigo à Tchéquia em seu campo. E os mandantes aproveitaram para pressionar um pouco mais à frente. Conseguiu um gol.

Aos 36 minutos, jogada pelo meio de Masopust, a bola tocou em Allan, Schick se esticou e não pegou, Marquinhos furou e a bola sobrou para Pavelka, que chutou de fora da área para marcar 1 a 0 para o time da casa. Um resultado, até ali, merecido. O primeiro tempo terminou com os tchecos melhores que os brasileiros.

No intervalo, Tite sacou Lucas Paquetá, que desta vez não jogava tão bem. Ainda assim, era um dos últimos que deveria sair de campo, a não ser por uma questão física. O ex-jogador do Flamengo tem sentido cansaço já nos últimos jogos pelo Milan – ele emendou a temporada 2018 inteira no futebol brasileiro e chegou no meio da temporada 2018/19 no Milan, se juntando ao time em janeiro de 2019.

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Sem Paquetá, Tite colocou o atacante Éverton, do Grêmio, e recusou Philippe Coutinho para o meio-campo – ao menos em uma posição mais central, atrás do centroavante Firmino. Éverton entrou com energia, dando dribles e conseguindo superar adversários em situações de dois contra um, tirando um lance interessante onde havia pouca possibilidade.

Marquinhos lançou da defesa para a direita, o lateral Selassie recuou mal, Firmino tocou a frente, ficou com a bola e tocou para o gol: 1 a 1 em Praga. Um gol que saiu de um pouco de sorte, é verdade. O time, porém, melhorou de fato, apesar do gol ter surgido de um golpe de sorte. Aos 15 minutos, Everton tocou para Coutinho e o camisa 11 do Brasil chutou colocado, de fora da área, em um movimenta bastante característico. O goleiro Pavlenka fez uma boa defesa ao mandar para escanteio.

Tite fez uma nova alteração aos 17 minutos, promovendo uma estreia. Colocou o atacante David Neres no lugar de Richarlison. No segundo tempo, o Brasil conseguia criar mais, mantendo a Tchéquia em seu campo e atacando muito pouco. Um outro ponto importante do jogo foi a mudança de posição de Roberto Firmino. Com a entrada de Gabriel Jesus no lugar de Coutinho, o time melhorou. Firmino passou a pegar mais na bola, criar mais e se entender melhor como uma espécie de camisa 10 – uma função que o jogador tem exercido com frequência no Liverpool.

As combinações entre os jogadores melhoraram até que veio o segundo tempo. Neres entrou muito bem em campo para tabelar e já criar uma chance, mas desperdiçar depois de tabela com Arthur, outro que mudou o time. Danilo, em contra-ataque, conseguiu fazer o que o Brasil mais gosta: esticar uma bola rasteira em velocidade para David Neres e o camisa 7 só rolou para o meio, onde estava Gabriel Jesus com a camisa 9 para marcar: 2 a 1, já aos 37 minutos do segundo tempo. Um gol de alívio para a comissão técnica e para a Seleção como um todo. O Brasil parecia que voltaria às vitórias.

No final, deu para arrancar mais um gol. Aos 44 minutos do segundo tempo, uma linda jogada coletiva que passou por David Neres, na esquerda, que tocou de calcanhar dentro da área para Allan, que por sua vez, tocou para Gabriel Jesus. O camisa 9 finalizou, o goleiro defendeu, mas no rebote ele mesmo aproveitou para marcar 3 a 1, fechando a conta em Praga. Vitória selada a essa altura para a seleção brasileira.

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O que fica do amistoso é que o Brasil jogou no primeiro tempo é abaixo da crítica. Foi um futebol pobre, com ideias mal executadas – aliás, enxergar a ideia parecia já ser uma benevolência com o time. No segundo tempo, houve uma melhora significativa e tem a ver com os jogadores que entraram. Coutinho, especialmente, foi apagado, sem conseguir nem ser perigoso pelo lado do campo, criando jogadas e chutando a gol, nem pelo meio. Sua saída fez o time melhorar, porque Firmino, atuando atrás do centroavante Gabriel Jesus, foi melhor para o time. E para ele mesmo, claro, que também pouco tocava na bola.

Entre os que entraram, os dois pontas chamaram bastante a atenção. Everton e David Neres entraram ligados, deram boas opções de jogo, com tabelas que tornaram o Brasil mais perigoso. Tanto o jogador do Grêmio quanto o do Ajax são atacantes de lado que cortam para dentro, se tornando atacantes e chamando os meio-campistas para o jogo, além do próprio atacante, Gabriel Jesus. Ele marcou os dois gols e entrou bem, participando bem, mas especialmente porque passou a ter um trabalho coletivo melhor no ataque, trocando passes e sendo um time que esteve no campo de ataque praticamente todo o segundo tempo.

Há bons sinais para serem apreendidos por Tite e sua comissão técnica. Não significa que o jogo tenha sido bom, porque ficou muito abaixo, especialmente no jogo contra o Panamá e no primeiro tempo deste contra a Tchéquia. Há jogadores que mostraram valor, Arthur como um deles, assim como David Neres e Éverton. Os dois atuaram bem, assim como Firmino mais recuado, o que se torna uma opção interessante para o time. E bom para Gabriel Jesus que marcou dois gols e recupera um pouco da confiança.

A próxima convocação já será para a Copa América e os jogos serão preparatórios para o torneio. A estreia do Brasil será no dia 14 de junho, quando enfrenta a Bolívia, no Morumbi, abrindo a fase de grupos. O Grupo A, do Brasil, ainda tem Venezuela e Peru.

*Se você estranha a palavra Tchéquia para a República Tcheca, este é o nome que o país pede para ser chamado. Ubiratan Leal explica, ainda em 2016, no ótimo Rodínia.