Há muitos motivos que fazem do futebol um jogo tão incrível. Um deles é que uma vitória pode apagar problemas do passado, trazer esperanças para o futuro e ser lembrada eternamente como um momento espetacular. Noventa minutos bem jogados e que levem a triunfo histórico, são capazes de ocultar incontáveis horas de erros e de criar, para sempre, uma lembrança emotiva que será transmitida de geração em geração.

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Foi o que aconteceu com o Porto na vitória por 3 a 1 sobre o poderoso Bayern Munique, na partida de ida pelas quartas de final da Liga dos Campeões. Para os portistas, um jogo épico, daqueles que será lembrado por muito tempo, que os pais contarão aos filhos e estes, aos netos: o dia em que o time de Pep Guardiola caiu no Dragão.

É incrível como triunfos desse porte são capazes de alterar o rumo de um clube. Em teoria, o Porto continua na mesma situação em que estava antes de entrar em campo para enfrentar os alemães. Eliminado das duas taças domésticas, três pontos atrás do líder Benfica no Campeonato Português e franco atirador na Champions. Ou seja, com chances bem razoáveis de terminar a temporada sem levantar nenhum troféu sequer.

Na prática, porém, muita coisa mudou. O trabalho do técnico Julen Lopetegui, antes mais contestado do que elogiado, agora é visto com outros olhos – a imprensa espanhola passou a cogitá-lo no Real Madrid (!). O então imaturo Ricardo Quaresma mostrou, enfim, maturidade para ser decisivo mesmo não sendo mais a estrela da companhia – e agradeceu ao técnico pelos conselhos. Os adversários começam a ver os dragões com outros olhos, certamente mais temerosos. E a torcida tem mais motivos para encher-se de orgulho e apoiar o time.

A vitória sobre o Bayern Munique é daquelas que merece ser comemorada por mais tempo. Claro que jogadores e comissão técnica precisam voltar à realidade rapidamente, para dar sequência na temporada e não correr o risco de relaxar. Mas a torcida pode – e deve – festejar. A menos que algo muito fora do comum aconteça na partida de volta, na Alemanha (uma sonora goleada para qualquer dos dois lados, por exemplo), o jogo de ida é um capítulo à parte na história recente do Porto. Mesmo que o time seja eliminado, o que não seria nada absurdo.

Não se pode esquecer, claro, que o Bayern “colaborou” com a derrota. Jogou bastante desfalcado e contou com erros poucas vezes vistos em sua zaga. Mas o Porto teve méritos em saber se aproveitar disso.

O desafio portista, agora, vai além do jogo da volta ou de tentar uma reviravolta no campeonato nacional. Se a torcida pode comemorar eternamente a noite mágica no Dragão e transformá-la em história, o clube precisa entender e capitalizar o que aconteceu. Manter Lopetegui e seu estilo de trabalho, a despeito das críticas que recebe, pode ser um grande passo.

Ainda que não se classifique na Alemanha ou que veja o rival Benfica erguer o troféu de campeão português, o Porto deu uma mostra gigante de que está no caminho certo. Basta seguir nele.