Os estaduais nem sempre são benéficos aos clubes pequenos. Por vezes, eles tornam essas equipes reféns das federações, amarradas a uma mixaria para sobreviver enquanto sofrem com o calendário esburacado. No entanto, também não dá para negar: as competições do início do ano são a vitrine para a glória. E o domingo foi repleto de surpresas positivas para o interior, com os pequenos surpreendendo gigantes em seus estados. Vitória da Conquista e Operário Ferroviário deram passos importantíssimos rumo ao título na Bahia e no Paraná. Já em Pernambuco, a surpresa veio com o Salgueiro, que despachou o Sport e está na decisão. E ainda teve a Caldense, segurando a pressão alvinegra no Mineirão.

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O resultado mais impressionante aconteceu no Baianão. O Bahia chegou à decisão com pompas de finalista também da Copa do Nordeste, mas perdeu feio para o Vitória da Conquista. Com o Lomantão abarrotado, o Bode mostrou o porquê de ainda estar invicto no estadual. Em um segundo tempo primoroso, os anfitriões cravaram a vitória por 3 a 0. Fausto, Diego Aragão e André Beleza balançaram as redes. E o Tricolor só não conseguiu diminuir porque o veterano goleiro Viáfara (aquele mesmo, ex-Vitória) fez boas defesas e contou com a ajuda da trave para manter a sua meta sem ser vazada. No fim, a torcida da casa até aproveitou para tirar um sarro, aos gritos de “olé” e “segunda divisão” aos soteropolitanos.

Fundado em 2005, o Vitória da Conquista nunca tinha ido além das semifinais do Baiano até o ano passado – embora dominasse a Copa Governador do Estado da Bahia, com quatro títulos nos últimos cinco anos. Força estabelecida, terá a chance de calar a Fonte Nova no próximo final de semana e conquistar o primeiro título do interior desde 2011, quando o Bahia de Feira surpreendeu a dupla Ba-Vi.

Na 15ª vez, enfim o título?

Bem mais tradicional, o Operário Ferroviário também se impôs sobre o Coritiba no interior. Um dos times mais antigos do futebol paranaense, o centenário de Ponta Grossa contou com uma festa espetacular da torcida no Estádio Germano Krüger e cresceu em campo, batendo os alviverdes por 2 a 0. Apesar da pressão inicial do Coxa, o Fantasma acuou os visitantes ao abrir o placar com 33 minutos de jogo, graças a Peixoto. Antes do intervalo, Joelson ampliou a diferença. E não deu brechas para que o time da capital se recuperasse no segundo tempo.

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É a oportunidade de ouro para o Operário encerrar sua maldição no Paranaense. O alvinegro é o clube brasileiro que mais vezes bateu na trave no estadual sem nunca levantar a taça. O Fantasma amargou incríveis 14 vice-campeonatos estaduais, 11 deles entre 1923 e 1940. O último segundo lugar aconteceu em 1961. Desde então, o time de Ponta Grossa se tornou quase sempre figurante no estadual, passando pela Série B nos anos 1980 e 2000. Poderá colocar o interior no topo do Paraná pelo segundo ano consecutivo, depois do feito do Londrina em 2014, na final caipira contra o Maringá. Terá boa vantagem no próximo domingo, no caldeirão do Couto Pereira.

Em Pernambuco, o Salgueiro consolidou sua ascensão recente com a final do estadual. Profissional há apenas dez anos, o Carcará já tinha ascendido no cenário nacional, ao chegar até a Série B em 2011. No entanto, pela primeira vez terá o gosto de disputar a taça do Pernambucano, em final diante do Santa Cruz. A equipe, que na última semana venceu o Sport por 2 a 0 no Estádio Cornélio de Barros, desta vez segurou o empate por 1 a 1 na Arena Pernambuco. O gol de Valdeir, já nos minutos finais, sacramentou o feito do Salgueiro, o primeiro clube do interior de Pernambuco na decisão desde 1998, quanto o Porto chegou lá.

Por fim, Minas Gerais ainda contou com a Caldense, que segurou o empate por 0 a 0 no Mineirão, diante de 54 mil torcedores do Atlético Mineiro. O clube de Poços de Caldas manteve sua invencibilidade no Campeonato Mineiro e tem a vantagem do empate no reencontro com o Galo, marcado para Varginha. Com eles, o  interior do Brasil segue mais vivo. Um quarteto que mostra, sobretudo, que existe futebol muito além dos grandes.