A torcida do Vitesse teve o prazer de soltar o grito que permaneceu inaudível durante 124 anos. De dizer “é campeão”, com a boca cheia de dentes e de saliva, degustando o feito histórico que provoca fácil riso. Como os aurinegros nunca tinham conseguido antes, levantaram uma taça de primeira grandeza do futebol holandês. Venceram o AZ na decisão da Copa da Holanda por 2 a 0 e fizeram tremer as arquibancadas do Estádio De Kuip, em Roterdã. Além da conquista histórica, o clube de Arnhem também confirma a classificação à próxima edição da Liga Europa, em participação inédita na fase de grupos das competições continentais.

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Sempre brigando pela parte de cima da tabela do Campeonato Holandês nas últimas temporadas, o Vitesse não faz diferente em 2016/17. Ocupando atualmente a sexta colocação, iria para os playoffs da Liga Europa de qualquer maneira. No entanto, os aurinegros buscaram a oportunidade de disputar um troféu com a grande campanha na Copa da Holanda. Nas quartas de final, derrubaram o Feyenoord, antes de superar o Sparta Roterdã para chegar à final. A partida decisiva aconteceria diante do AZ, quinto colocado da Eredivisie.

Assim, neste domingo, o Vitesse poderia preencher uma lacuna secular. O clube possui cinco vices do Campeonato Holandês e três da Copa da Holanda. Na última vez em que apareceram na final do torneio, em 1990, os aurinegros terminaram derrotados pelo PSV. No máximo, tinham no currículo duas conquistas da segundona e uma da terceirona. Mas o final do jogo seria diferente desta vez. Com dois gols depois dos 36 do segundo tempo, a equipe treinada por Henk Fraser comemorou.

Coube a Ricky van Wolfswinkel ser o herói. O centroavante passou toda a sua formação nas categorias de base do Vitesse e se profissionalizou no clube, seguindo para o Utrecht após um ano como titular. Voltou no início da temporada, não só para recuperar os rumos da carreira, como também para concretizar os anseios dos aurinegros. Com o oportunismo que lhe é peculiar, o grandalhão balançou as redes as duas vezes contra o AZ, fuzilando Tim Krul. O nome tarimbado que abrilhantou um elenco recheado de jovens, com alguns jogadores emprestado pelo Chelsea, entre eles o brasileiro Nathan.

Com a vantagem estabelecida, o que se viu foi uma festa enorme da torcida do Vitesse, fazendo as tribunas do De Kuip literalmente balançarem – como o vídeo abaixo bem demonstra. A ordem é celebrar o momento. E sonhar também com a Europa. Embora some 12 aparições nas competições continentais, nunca o Vitesse esteve nas fases de grupos – no máximo, caiu por duas vezes nas oitavas da Copa da Uefa, ambas na década de 1990, quando o antigo formato do torneio se estruturava apenas mata-matas. E sem o gosto de ter um troféu para referendar a campanha europeia, como agora.