Neste final de semana, o clássico entre Rapid e Steaua, em Bucareste, terminou com um saldo de pelo menos 12 pessoas presas, uma policial internada com ferimentos na cabeça e uma série de feridos. Pelas ruas da capital romena, as torcidas adversárias se enfrentaram, deixando um rastro de destruição e medo. O jogo acabou 0 a 0.

Entre as medidas tomadas pelas autoridades locais, os torcedores presos tiveram que arcar com uma multa de US$ 617, enquanto outros dois baderneiros do Rapid podem ser responsabilizados criminalmente por agredirem um fã do Steaua. Ou seja, na prática, muito pouco, principalmente se considerarmos que os clubes não sofreram nenhuma punição.

O problema da violência no futebol é algo recorrente no mundo inteiro, mas no leste europeu, nos últimos anos, tem ganho contornos de tragédias constantes e que, aos poucos, não chocam mais.

Já não é mais novidade os confrontos entre os fãs dos principais times de Bucareste; na Polônia, o campeonato nacional ganha destaque no noticiário internacional somente com as ações dos hooligans poloneses; Estrela Vermelha e Partizan Belgrado não costumam passar mais do que um mês sem seus torcedores arranjarem alguma confusão seja onde for.

Não pretendo entrar no mérito da questão sociológica do tema – por que os torcedores brigam, fatores sociais que os levam a isso e tantas outras questões –, mas sim nas ações das autoridades quanto ao tema. Na maioria dos países do leste europeu, raras são as ocasiões de brigas de torcidas que acabam com alguma punição. Na maior parte, o que se vê são multas irrisórias e a liberação dos arruaceiros.

Quando uma punição maior aparece, normalmente vinda de esferas de fora, até mesmo a imprensa chora um pouco. Como no caso recente do Legia Varsóvia.

O clube polonês foi punido pela Uefa com uma suspensão de um ano fora de competições européias, devido ao comportamento de sua torcida num jogo contra o Vetra, na Lituânia, pela segunda fase da Copa Intertoto. Na ocasião, o Legia perdia por 2 a 0 no intervalo, quando torcedores atiraram objetos no campo, vandalizaram o estádio e entraram em conflito com a polícia, provocando a suspensão da partida.

A chiadeira foi geral. Com isso, a Uefa abrandou a pena: ao invés da exclusão definitiva por um ano, o time cumprirá cinco anos de condicional, ou seja, só ficará fora da Europa se houver novos problemas do tipo neste período.

De qualquer modo, as autoridades do futebol no leste europeu precisam se conscientizar que os torcedores comuns não podem ficar reféns dos vândalos das “Ultras”. Para coibir tais ações violentas, além de repressão policial e cumprimento das leis judiciárias, é preciso punir os clubes. Sim, defendo que, em qualquer confusão provocada pela torcida de um time, este será punido com perda de pontos e mando de campo. O torcedor, por mais irracional e estúpido que ele seja, ao ponto de matar alguém, ele preza demais pela sua equipe. Aos poucos, com uma cultura ciente das punições, um imbecil qualquer vai pensar duas vezes antes de invadir um gramado, depredar uma estação de metrô ou atirar uma pedra na torcida adversária.

Além disso, os clubes precisam parar de tratar esse tipo de torcida organizada com respeito. Hoje em dia, esse tipo de torcedor ganha ingressos para os jogos e cobertura das diretorias, interessadas em seu apoio, em alguma confusão que se envolvam.

O cenário da região muitas vezes lembra o brasileiro, mas, no geral, tenho a impressão de que o leste europeu enfrente um problema mais grave do que o nosso. Até porque, muitas vezes as brigas são motivadas não por rivalidade esportiva, e sim rivalidades étnicas.

Um exemplo disso foi a exclusão do Partizan Belgrado da Copa Uefa nesta temporada. Pela primeira fase, o time sérvio viajou até a Bósnia para enfrentar o Zrinjski. Uma enorme confusão, iniciada pela torcida do Partizan, fez com que o jogo fosse interrompido no primeiro tempo e o clube, após vencer os dois jogos por 6×1 e 5×0, fosse eliminado do torneio. Um bom exemplo da Uefa, que deveria ser seguido por muitas federações.

CURTAS

EURO`08
– Como as duas últimas rodadas foram na última semana e os internautas já leram o suficiente sobre o tema, não vou me esticar no assunto. Apenas coloco o seguinte link para consulta.

ALBÂNIA
– Dínamo Tirana, Besa e Partizani lideram o Campeonato Albanês com nove pontos ganhos em três rodadas disputadas.

BÓSNIA
– Mesmo com um jogo a menos, o Modrica é o líder do Campeonato Bósnio com 12 pontos em cinco partidas. O Zrinjski, citado nesta coluna, vem logo atrás.

BULGÁRIA
– Após cinco rodadas, o CSKA Sófia permanece invicto e na liderança do certame nacional. O time acumula quatro vitórias e um empate.

CROÁCIA
– Na Prva Liga o Dínamo Zagreb segue com seu passeio. Em oito jogos são 24 pontos ganhos e sete de vantagem sobre o Zadar, vice-líder.

ESLOVÁQUIA
– Em nove rodadas disputadas, o Nitra somou 22 pontos e lidera o Campeonato Eslovaco.

ESLOVÊNIA
– O equilíbrio predomina na PrvaLiga Telekom Slovenije. Domzale e Koper lideram com 22 pontos, seguidos de Publikum (15) e Maribor (14).

HUNGRIA
– Com 19 pontos em oito jogos, o Budapest Honvéd segue como líder da Borsodi Liga. Fehérvár, Debreceni e MTK Budapeste vêm no encalço, com três pontos a menos.

MACEDÔNIA
– Milano e Rabotnicki são os líderes da competição nacional com 14 pontos em seis jogos.

MONTENEGRO
– O Zeta é o líder do Campeonato Montenegrino, com 12 pontos depois de seis rodadas disputadas.

POLÔNIA
– Com 100% de aproveitamentos em sete partidas, o Legia Varsóvia caminha a passos largos para mais um título da Orange Ekstraklasa. Wisla Cracóvia é o segundo, quatro pontos atrás.

REPÚBLICA TCHECA
– Além de marcar presença na Liga dos Campeões deste ano, o Slavia Praga também vai bem em casa. Lidera a Gambrinus Liga, passadas seis rodadas, com 16 pontos.

ROMÊNIA
– O Cluj segue surpreendendo e após sete rodadas, com 17 pontos ganhos, lidera o Campeonato Romeno à frente dos times de Bucareste. O melhor colocado é o Rapid, com 15 pontos na segunda colocação.

SÉRVIA
– Partizan e Estrela Vermelha, para variar, estão no topo da tabela da Serbian Superliga. Os rivais de Belgrado têm, respectivamente, 15 e oito pontos, em cinco e quatro partidas.

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