Não é exclusividade do Brasil ver episódios em que torcidas organizadas intimidam jogadores. Nem só da América do Sul, onde os casos se tornam ainda mais frequentes. Os ultras também se acham donos de seus times na Europa. E um bom exemplo disso aconteceu neste domingo, na terceira divisão do Campeonato Italiano, durante o dérbi entre Salernitana e Nocerina, que não era disputado havia 25 anos.

Proibidos de irem ao estádio rival, por conta do histórico de brigas entre as torcidas, os ultras da Nocerina decidiram endereçar ameaças de morte ao elenco de seu time para que o confronto não acontecesse. E funcionou. Quando o ônibus do clube chegou ao estádio, os atletas não queriam seguir para o gramado. Foram necessários 40 minutos, com a intervenção de dirigentes da liga, para que o jogo fosse iniciado. Ainda assim, à revelia. Em sinal de protesto, o time vestiu seu uniforme branco, não o vermelho, principal.

A partida durou apenas 21 minutos. Após 50 segundos, a Nocerina já tinha gastado suas três substituições. A partir de então, uma epidemia de lesões tomou conta do gramado, com cinco atletas saindo por que teriam se machucado. Além disso, um dos atletas acabou expulso por arrumar briga com um adversário. Com seis jogadores da Nocerina em campo, o juiz foi obrigado a dar a vitória à Salernitana.

Dentro do estádio, os sete mil torcedores presentes não causaram nenhum incidente. O problema estava do lado de fora, onde ultras da Salernitana pararam diversos carros no trânsito e pediram os documentos dos motoristas, procurando residentes da cidade de Nocera Inferiore.

A indignação pela situação foi evidenciada pelo Carlo Perrone, técnico da Salernitana: “Essa é uma página terrível na história do futebol. Nós precisamos nos questionar sobre como isso aconteceu. Eu sou um homem do esporte e me sinto terrivelmente desapontado agora”. Uma postura até compreensiva com a situação difícil vivida pelos adversários.

Para piorar a situação, a diretoria inteira da Nocerina se demitiu, enquanto os jogadores foram ordenados a não conversar com a mídia. A Lega Pro já abriu uma investigação em sua Comissão Disciplinar, para ver as respostas sobre as substituições-relâmpago – na desculpa inicial dos dirigentes da Nocerina, o problema foi a falta de aquecimento. Mais do que isso, a entidade deveria descobrir quem foram os responsáveis pelas ameaças e puni-los criminalmente.