A paixão do povo iraquiano pelo futebol foi novamente atrapalhada pela violência dos conflitos políticos e étnicos no país. Com a guerra civil na vizinha Síria, a violência voltou a crescer no país e o governo está cada vez mais instável. Há o medo de que ocorra confronto interno tão violento quanto o que sucedeu a invasão americana em 2003. Por isso, as federações de futebol da região transferiram a Copa do Golfo de 2014 de Basra para Jiddah, na Arábia Saudita.

Na última segunda-feira, houve explosões em pelo menos dez locais de Bagdá com ao menos 38 mortos, segundo a polícia. Oito foram em bairros de maioria xiita, uma em área sunita e outra em uma região mista. No domingo, a vila xiita de Qabak assistiu à explosão de um carro-bomba ao lado de uma escola primária que matou 14 crianças. Este ano, cerca de seis mil pessoas foram assassinadas no Iraque.

Proibido de sediar jogos competitivos desde 2011, o país fez as cinco partidas das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo de 2014 em Doha, no Catar, e ganhou apenas da Jordânia. Ficou em último no grupo que classificou Japão e Austrália.

Em março deste ano, a Fifa cancelou parte da sanção e permitiu a realização de amistosos, mas a restaurou após 2,5 mil mortos entre abril e junho e 123 apenas nos primeiros três dias de julho. Nessa época, houve atentados ligados ao futebol, em um café, com quatro mortos que estavam assistindo a um jogo entre as seleções sub-20 de Iraque e Chile, e perto de um estádio em Muqdadiyah, ao nordeste de Bagdá.

Desde 1979, antes dos conflitos se intensificarem, o Iraque não é sede da Copa do Golfo, que disputa ao lado de Kuwait, Arábia Saudita, Omã, Catar, Iêmen, Bahrein e Emirados Árabes. A edição de 2013 também estava prevista para ser realizada no país, mas foi transferida para o Bahrein. De acordo com a Kuwait News Agency, o presidente da Federação de Futebol barenita Ali bin Khalifa Al Khalifa disse que Basra foi novamente escolhida para organizar o torneio em 2014.

Enquanto se discute se as movimentações populares que aconteceram durante a Copa das Confederações podem atrapalhar a realização da Copa do Mundo no Brasil, o Iraque não consegue sediar sequer amistosos por causa de um problema incomparavelmente maior. O que é uma pena porque o povo é apaixonado por futebol. Em 26 de março, mais de 50 mil pessoas compareceram ao Estádio Al-Shaab, em Bagdá, para ver a vitória sobre a Síria por 2 a 1. Um dos últimos jogos em solo iraquiano antes da violência afastar o esporte das pessoas. Mais uma vez.