Villa é uma aposta baratíssima (e inteligente) do Atlético

Atacante deixa o Barcelona sem cumprir as expectativas criadas em torno de seu nome e por um valor muitíssimo interessante aos colchoneros, que encontram o substituto de Falcao

Já estava claro que David Villa estava fora dos planos do Barcelona. O camisa 7 pouco atuou na temporada passada e respirar novos ares longe do Camp Nou parecia o único caminho possível para manter sua carreira em alto nível. De fato, o atacante não vestirá mais o blaugrana 2013/14. O desfecho de sua transferência, porém, é no mínimo surpreendente: o espanhol será o substituto de Radamel Falcao García no Atlético de Madrid.

Os valores pagos pelos colchoneros por Villa, especialmente, causam bastante espaço. A equipe da capital pagará apenas € 2,1 milhões ao Barça pelo jogador. Além disso, o Atlético pagará mais € 2 milhões se o atacante permanecer no clube em 2014/15 e mais € 1 milhão por 2015/16, enquanto o Barcelona terá direito a 50% do valor recebido pelo atleta em caso de transferência. Uma verdadeira pechincha, mesmo levando em conta os 31 anos do astro.

O mais intrigante é pensar os motivos que fizeram o Barcelona aceitar um valor relativamente baixo, mesmo com o interesse especulado de clubes ingleses no jogador. O interesse dos catalães em reduzir sua folha salarial é o que parece ser o principal fator. Além disso, o próprio Villa deve ter aceito uma diminuição de seus ganhos em Madri, enquanto o desejo de permanecer na Espanha também parece ter pesado. Só assim para se explicar a desvalorização de 87,25% do camisa 7, contratado do Valencia em 2010 por € 40 milhões.

A forma física de Villa gera desconfiança, especialmente depois da fratura sofrida no Mundial de Clubes de 2011, que o deixou afastado dos gramados por oito meses. Desde então, o atacante disputou 43 partidas pelo clube, apenas 26 como titular, a maioria delas na metade final da temporada. Além disso, o atacante balançou as redes apenas 16 vezes, um número inchado por sua participação nas primeiras fases da Copa do Rei.

A frustração da passagem de Villa pelo Barcelona é evidente. Sem a possibilidade de substituir Messi como centroavante, o atacante não esteve perto de render o esperado pelos lados do campo. A chegada de Neymar conta como fator preponderante para a diminuição dos espaços ao veterano, que teve no Barcelona a pior média de gols da carreira – 0,41 tentos por jogo, inferior às registradas com as camisas de Sporting Gijón, Zaragoza, Valencia e Espanha.

No Atlético de Madrid, Villa terá todas as condições para retomar as condições de estrela, que perdera no Camp Nou. O espanhol não possui a mesma capacidade física e a presença de área de Falcao García, mas contribui com um faro de gols apuradíssimo e boa movimentação, permitindo uma parceria promissora com Diego Costa no sistema já adotado por Diego Simeone. Se superar a desconfiança levantada pela falta de ritmo recente, o “Guaje” tem condições de se tornar ídolo rapidamente dos rojiblancos e, quem sabe, retomar até mesmo o posto no ataque da seleção espanhola, que continua sem dono desde sua saída.