Um dos grandes zagueiros da década passada atendia pelo nome de Nemanja Vidic. O zagueiro teve uma carreira marcante pelo Manchester United, clube que defendeu de 2006 a 2014. Foram oito anos em que ele se transformou não apenas em um dos principais nomes da sua posição no mundo, como ainda se tornou capitão do time de Alex Ferguson. Pelos Diabos Vermelhos, esteve em três finais de Champions League. Venceu uma, em 2007/08, contra o Chelsea, na noite de Moscou. Perdeu outras duas, sempre com um protagonista: Lionel Messi no Barcelona.

Por duas vezes, os Diabos Vermelhos chegaram à decisão com expectativa de vitória. Em 2008/09, o time inglês era o atual campeão europeu e mundial e tinha o melhor jogador do mundo, eleito pela Fifa no final do ano anterior e dono também da Bola de Ouro, Cristiano Ronaldo.

Só que naquela final contra o Barcelona, em Roma, o nome que brilhou foi um jogador baixinho, que já era muito conhecido, mas tinha a sua primeira temporada como protagonista: Lionel Messi. Foi dele, inclusive, um dos gols do time. E, curiosamente, no meio da defesa de gigantes do United, que tinha Rio Ferdinand e Nemanja Vidic, o camisa 10 do Barcelona cabeceou para o gol.

“Guardiola mudou Messi. Ele costumava jogar na direita e tinha a tendência de cortar para o meio. Ele era perigoso, mas previsível”, afirmou o jogador em entrevista ao Athletic. “Guardiola o tornou central e ele se tornou melhor. O time todo começou a jogar por ele. Ele corre para cima dos defensores com pontas correndo junto com ele. Eu joguei contra ele duas vezes e nós perdemos as duas. É difícil admitir que eles eram um time melhor, ainda é duro dizer e ainda é difícil de aceitar”, contou o zagueiro.

Em 2011, novamente Barcelona e Manchester United decidiram a Champions League, desta vez em Wembley. E, novamente, o time de Guardiola foi capaz de se impor de forma categórica diante do time que era visto como um dos poucos capazes de parar o time de Messi. Não só não conseguiu parar, como os 3 a 1 foram uma imposição enorme de futebol do time catalão.

“Nós tínhamos um grande time em 2009. Nós poderíamos ter feito melhor. Nós éramos os campeões europeus e campeões mundiais, o Barcelona estava mais assustado conosco do que nós com eles. Nos vencer deu a eles mais confiança. Roma foi um ponto de virada do Barcelona de Guardiola”, afirmou o ex-jogador, que se aposentou em 2016, depois de defender a Internazionale por dois anos.

Outro jogador que marcou época atuando no futebol espanhol chamou a atenção de Vidic. “Raúl tinha a melhor movimentação. Ele era inteligente. Pela primeira vez na minha vida eu tive que lidar com um atacante que ficava atrás dos defensores. Ele ficaria atrás e vinha de uma posição de impedimento para receber a bola. Eu tive que mudar minha posição de corpo para me adaptar ao seu jogo. Eu tinha que olhar para ele o tempo todo e ele estava atrás de mim”, conta o ex-jogador.

“Se você não pode ver o atacante, então ele é um perigo. Ele é muito inteligente. Um grande atacante. Nunca foi sobre velocidade com ele e ele não era fisicamente forte, mas sim sobre seu movimento e sua finalização de pé esquerdo. Eu joguei contra ele pela Espanha, mas às vezes os jogadores não conseguem se expressar plenamente pelas suas seleções. Eles têm um tipo de estrutura diferente do clube onde você joga no seu melhor”, analisa o sérvio.

Além de Raúl, o sérvio comentou sobre outros atacantes que enfrentou e que se destacaram. “Sergio Agüero e Luis Suárez”, diz o ex-defensor. “Agüero parece que não está interessado em futebol no campo. Ele não parece um cara que irá correr 10 metros e então, de repente, dá uma arrancada. Eu estou convencido que Agüero nasceu como defensor. Ele sabe onde a bola virá e onde ele pode atacar. Mas dentro da área, ele tem um baixo centro de gravidade, o que o ajuda a mudar de direção rapidamente, especialmente contra os grandes defensores ingleses. Ele chuta rapidamente, ele pode dar o último toque e driblar e marcar de fora da área. Eu joguei contra ele quando eles nos venceram por 4 a 1 na temporada de [David] Moyes”, contou.

“Aquele foi o meu pior jogo pelo United. Eu sei que eu deveria escolher aquelas duas derrotas em finais contra o Barcelona e elas foram terríveis para perder. Aquela em Roma e Wembley foi ainda mais dura”, revelou o zagueiro.

Outro jogador que Vidic cita é Luis Suárez, atualmente também no Barcelona. Ele enfrentou o jogador pelo Manchester United enquanto ele jogou pelo Liverpool, em um time que se tornou marcante por ter uma campanha excelente em 2013/14, mas acabar escorregando no final e perdendo o título para o Manchester City de Manuel Pellegrini.

“Ele é um jogador energético. Ele é diferente de Agüero, que não corre por 90 minutos, ele é um jogador que usa instinto. Tudo que ele faz é com explosões. Eu não acho que ele sabe exatamente o que está fazendo, mas ele tem sucesso”, diz Vidic.

“A bola passará por baixa das pernas do defensor e as pessoas irão pensar que foi um acidente, mas ele tem essa força para fazer isso. Ele corta e muda de direção; ele usa seus joelhos, os joelhos dos defensores. Ele é muito direto e tem fome de marcar gols. Ele corre por 90 minutos, ele tem um fogo nele. Nós tivemos isso com alguns jogadores no United. Eu deveria dizer sobre eles, Rooney, Cristiano, Saha, Tevez, mas primeiro, me deixe pedir a sobremesa”, diz o jogador ao repórter.