O Dérbi do Cairo representa demais para a história moderna do Egito, e não apenas no futebol. O passado entre Al Ahly e Zamalek remonta os anseios nacionalistas ante os estrangeiros na época da colonização, as massas contra as oligarquias.  Rivais que também se uniram durante a Primavera Árabe, sobretudo após o massacre de Port Said, em que 74 torcedores do Al Ahly foram assassinados. E escreveram mais um capítulo dessa história nesta quinta, mas sem as cores que merecia. Por motivos de segurança, a organização do Campeonato Egípcio mantém fechados os portões de seus estádios. Ainda assim não impediu que as torcidas fizessem o seu espetáculo.

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A prova de apoio ao Al Ahly veio no último treino antes do clássico. Milhares de alvirrubros lotaram as arquibancadas só para ver os exercícios do time. Torciam como se fosse um jogo de verdade, com direito até a sinalizadores. E o mesmo aconteceu no treinamento final do Zamalek, em proporções menores, com diversas bandeiras e trapos. Festa bonita, para o silêncio que aconteceu no dia seguinte.

Apesar da proibição do público no dérbi, os ultras do Zamalek conseguiram colocar uma faixa dentro do Estádio da Força Aérea, no Cairo. Pediam exatamente pela volta da torcida às arquibancadas, o que já havia sido ressaltado pelos fãs do Al Ahly em forma de mosaico, durante a final da Copa das Confederações da África. E se os esforços são parecidos fora de campo, o clássico terminou em igualdade. Em um cruzamento que virou golaço sem querer, Hefni abriu o placar para o Zamalek, enquanto Soliman buscou o 1 a 1 em cobrança de falta que ninguém desviou.

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Com o resultado, o Zamalek mantém a liderança do Campeonato Egípcio, enquanto o Al Ahly está em terceiro, oito pontos atrás. Esperando que, pelo menos a festa do título, possa contar com os estádios cheios.

Abaixo, os vídeos das duas torcidas e os gols do jogo:


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