A cabeleira loira virou marca registrada e até mesmo um símbolo cultural do futebol sul-americano. No entanto, limitar Carlos Valderrama apenas ao folclore é um erro tremendo. Raros foram os meias com a qualidade técnica do colombiano. Era um camisa 10 clássico, um maestro de chuteiras. Dominava como poucos a arte de prender a bola e soltá-la apenas no momento certeiro, nos pés de seu atacante. Muitas foram as assistências ao longo da carreira. E, por mais que fosse um dos alvos favoritos das botinadas dos zagueiros, o Pibe não afinava. Apanhava, mas não sucumbia. Revidava na bola, com seus dribles de corpo e os giros perfeitos para desnortear os marcadores. O craque tinha um controle excelente daquilo que orbitava ao seu redor. E quase sempre era o próprio jogo que girava em torno do armador.

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A carreira de Valderrama não conta com muitas conquistas. Protagonizou uma Colômbia de grandes partidas, mas nada de taças. Mesmo nas duas vezes em que foi eleito o melhor jogador da Copa América, em 1987 e 1993, seu time não passou da semifinal. Na Copa do Mundo de 1990, arrebentou em diversos jogos, especialmente contra Alemanha Ocidental. Parou em Camarões. Já quatro anos depois, quando vinha em alta depois de brilhar na eterna goleada sobre a Argentina nas Eliminatórias, ele não vinha em boas condições físicas, caindo em meio à decepção cafetera. E, por clubes, os feitos não vão além de dois Campeonatos Colombianos e de uma Copa da França. Na Europa, em tempos de poucos estrangeiros, foi ídolo do modesto Montpellier. Nunca passou além das semifinais da Libertadores, quando comandava um forte Junior de Barranquilla, mas cruzou com o futuro campeão Vélez. Coube ser reconhecido mesmo na MLS, onde era o grande craque nos primeiros anos da liga.

Nesta sexta, Valderrama completa 55 anos. Raras são as suas imagens com troféus. Mas, felizmente, muitos foram os seus lances de mágica dentro de campo. Afinal, “troféus” que não deixam de ser notáveis, diante de uma categoria com a qual poucos puderam se gabar. Fica a homenagem: