[Vídeo] Dois anos sem o mestre: 45 minutos de Eduardo Galeano falando sobre futebol

Para resgatar a memória do escritor uruguaio, reproduzimos uma entrevista concedida em português para o Observatório da Imprensa

Certa vez, Eduardo Galeano se definiu como um “mendigo do futebol”, à espreita de um deslumbre, esperando a esmola que viesse dos grandes jogadores. Durante as Copas do Mundo, na porta de sua casa sempre era colocada uma placa com os mesmos dizeres: “Fechado para o futebol”. Passava os dias do Mundial como um andarilho, vagando por dezenas de partidas, mendigando os lances de mágica. Afirmava que se cansava: jogava junto, sofria junto. Um sofrimento, contudo, alegre. Apaixonado.

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Há dois anos, o escritor nos deixou. Ainda pôde assistir à Copa do Mundo de 2014. Passar mais um mês intenso como mendigo. E que falta Galeano faz. Poucos tinham a particularidade de seu olhar para ver o mundo. Para traduzir o futebol, para transformá-lo na literatura mais rica. Sofisticada e ao mesmo tempo simples, como o jogo. Sua obra-prima sobre o esporte, ‘Futebol ao Sol e à Sombra’, é livro de cabeceira para qualquer torcedor. Quando escrevia sobre a bola e os sonhos ao seu redor, a pena do mestre uruguaio era praticamente unânime.

Para resgatar a memória de Galeano, reproduzimos abaixo uma longa entrevista que ele concedeu em sua casa ao grande jornalista Alberto Dines, para o Observatório da Imprensa. Em meio à Copa do Mundo de 2010, o uruguaio falou apenas do futebol. Mas, como o futebol nunca se contém em si, deu outras tantas pinceladas sobre o mundo e a vida. Como em um tempo, 45 minutos intensos de paixão: