O Lanús é um clube extremamente local. “El club de barrio más grande del mundo”, como gostam de vangloriar os seus torcedores. Não possui uma grande massa de aficionados, não lota o seu estádio com tanta frequência, briga pelos principais títulos que disputa faz pouco mais de duas décadas. Nem por isso deixa de ser um time tradicional. Um time raízes profundas. E, sobretudo, um time de torcida apaixonada. O amor febril por uma equipe de futebol é daquelas grandezas que se medem apenas no peito de quem torce. No pranto de quem se entrega à sinergia. Nesta terça, em La Fortaleza, cada um dos grenás foi templo do Lanús. O símbolo da devoção que não necessita da megalomania dos milhões de seguidores para se expressar aos quatro cantos. Ela se torna divina no cultivo da relação de quem é Granate apenas por ser. Por identidade. Por entranhas. Por pertencimento e respeito às origens.

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As cenas vistas nas arquibancadas logo depois do apito final são de uma beleza ímpar. O senhor de cabelos brancos incrédulo, com as mãos na cabeça. O barra brava tapando os olhos, em meio ao choro compulsivo. Vários e vários grenás com os braços abertos, o sorriso impossível de se conter escancarado no rosto. O rapaz agradecendo aos céus, que suas lágrimas de desespero acabaram transbordando o júbilo. O idoso de olhos cheios d’água, pelo momento que certamente não acreditava que viria. Homens, mulheres, crianças. Todos na mesma sintonia. E alguns até mesmo invadindo o gramado, para abraçar os jogadores, para festejar junto com eles. Para tentar viver intensamente a história, aquela que se conta aos filhos e aos netos.

Nesta semana, além de ser “el club de barrio más grande del mundo”, o Lanús parece vir também do maior “bairro” do mundo. Um “bairro” que se orgulha pelo filho ilustre, Diego Armando Maradona, e que agora se agiganta do tamanho da América do Sul, sonhando em conquistá-la. Mas sem nunca se desgarrar das raízes, aquelas que tomam a torcida e também se compartilham entre os jogadores. Os heróis que se entregaram em campo por também reconhecerem a importância da camisa, da paixão e do sentimento de localidade.