Hatem Ben Arfa surgiu como uma grande promessa do futebol francês. O garoto que passou por Clairefontaine, a grande fábrica de talentos do país, logo começou a brilhar com as seleções de base. Levado ao Lyon aos 15 anos, passou a ser trabalhado como o futuro dos Bleus. Mas, de fato, nunca vingou como esperado. Até protagonizou os seus momentos, lampejos perdidos em meio às confusões. Vestiu as camisas de Lyon, Olympique de Marseille, Newcastle e Hull City. Uma pena que os golaços tenham sido inferiores às tantas manchetes negativas.

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Quando nada mais parecia endireitar os rumos de Ben Arfa, o Nice lhe fez uma oferta. Que, barrada pela comissão jurídica da Ligue 1 por conta de detalhes legais, quase fez o atacante encerrar a carreira. O francês teve que esperar oito meses para poder jogar. E a calmaria na costa do Mediterrâneo lhe caiu bem: o jogador de 28 anos vive o momento mais consistente da carreira. E o mais espetacular, com os lances geniais se tornando mais praxe até que em seu auge no Newcastle ou no Lyon.

Em 20 rodadas, Ben Arfa anotou nove gols, já um recorde da carreira, e lidera o Nice em busca de uma vaga na Liga dos Campeões. Mas nem é isso que o faz chamar tanta atenção. Tudo bem, a promessa nunca atingiu o patamar que se dizia. Mas não dá para negar que a habilidade segue ali, intacta. Mais do que os tentos, vale pelo show. Pelas sequências de dribles curtos e deslumbrantes. Longe dos problemas extracampo, se transformou no mágico que todos queriam ver.

Exemplo disso veio nesta sexta, abrindo a 21ª rodada da Ligue 1. Ben Arfa decidiu o jogo contra o Angers, anotando os dois tentos na virada por 2 a 1. Dois de pênalti, nada demais. Seu grande lance, contudo, veio em quatro dribles consecutivos, em segundos, em um espaço mínimo na beira da área. O lance não deu em nada. Mas diz muito sobre o atacante. Ben Arfa pode não ser o cara para ser o craque da seleção, mas é um bom nome para se ter no elenco – e, por isso mesmo, voltou a ser chamado às vésperas da Euro. Suas atuações, porém, têm grande peso para o espectador. Os dribles valem o ingresso, mas dependeram tanto da paz de espírito do malabarista.