Jorge Almirón anunciou o fim de sua trajetória à frente do Lanús menos de uma semana depois da derrota para o Grêmio na decisão da Copa Libertadores. Nesta segunda, o empate por 0 a 0 com o Vélez Sarsfield marcou a despedida do treinador. Os dois anos em que permaneceu em La Fortaleza foram suficientes para escrever o seu nome na história do Granate, conquistando o Campeonato Argentino, a Copa Bicentenario e a Supercopa Argentina. E o sucesso com o ‘maior clube de bairro do mundo’, que voltou a figurar entre os favoritos em seu país, além de subir um degrau no cenário continental, repercute do outro lado do Atlântico. A saída de Almirón é motivada por uma proposta do Las Palmas, que deve contar com o argentino para a sequência de La Liga.

O Las Palmas ainda aguarda o sinal da federação espanhola para oficializar a contratação de Almirón, mas as duas partes já estão acertadas. “Temos que consultar a RFEF para certificar que ele pode treinar na Europa. A dúvida que temos agora é conhecer se houve modificação ou não na norma sobre os anos que um técnico estrangeiro precisa ter de experiência para treinar na Europa. É a única coisa que falta. O treinador, seu representante e todo o corpo técnico estão de acordo com as condições, mas não podemos dar um passo a mais sem a confirmação da federação”, declarou Miguel Ángel Ramírez, presidente do Las Palmas.

Almirón possui quase uma década atuando como treinador. Começou sua trajetória no México, onde construiu grande parte de sua carreira como jogador, e teve seu principal momento no país comandando o Tijuana, substituto Antonio ‘Turco’ Mohamed depois da eliminação para o Atlético Mineiro na Libertadores 2013. Já em seu país, ganhou consideração especialmente à frente do Defensa y Justicia, antes de dirigir também Godoy Cruz e Independiente. Nada, porém, tão significativo quanto aquilo que conseguiu no Lanús. A chave para que os olhares da Europa crescessem sobre os seus serviços.

O estilo de jogo aplicado por Almirón certamente tem efeito em sua escolha. Ao longo dos últimos anos, o Lanús se caracterizou como um time de posse de bola, que sabe trabalhar os passes, apesar de assumir os riscos. Além disso, se movimenta pelos lados do campo para atacar e buscar as infiltrações em diagonal. De certa maneira, uma filosofia que se aproxima do que fazia Quique Setién antes de deixar as Ilhas Canárias, contratado pelo Betis. Obviamente, não é apenas a ausência do treinador que explica a queda de desempenho do Las Palmas, com jogadores importantes também saindo do clube. Ainda assim, não deixa de ser um caminho baseado naquilo que funcionou, para tentar evitar o rebaixamento. Embora os Amarillos tenham um percentual médio alto de posse de bola, sexto maior nesta temporada, o ataque tem produzido pouco e a defesa é a pior de La Liga.

O desafio de Almirón não deixa de ser enorme. Pako Ayestarán deixou o Las Palmas na lanterna de La Liga e o time saiu da última posição apenas por uma vitória neste final de semana, sob as ordens do interino Paquito Ortiz – curiosamente, derrotando o Betis de Quique Setién. Ainda assim, segue no Z-3 e soma apenas três triunfos em 14 rodadas, exigindo uma reação imediata para afastar o risco de degola. O argentino, de qualquer maneira, demonstra o moral que ganhou por seus feitos à frente do Lanús. A chance na Espanha pode ser o passo para que, como outros compatriotas, consiga ter uma sequência na Europa. Algo que não se vê entre os treinadores brasileiros.


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