Vibrante, participativo, decisivo: Um Diego disposto a se reerguer foi tudo o que se pede no Flamengo

Camisa 10 teve grande atuação contra o Grêmio e definiu o placar durante os minutos finais

Em um ano que termina invariavelmente decepcionante ao Flamengo, Diego se tornou uma das principais faces da empáfia rubro-negra. O problema não se concentrava apenas no jogo do camisa 10, que deveria orquestrar o time, mas acabava desacelerando as ações. Também contribuía a própria postura, inclusive nas entrevistas em que negava o óbvio. O fim do Brasileirão, porém, mostra outro Diego. Aquele que aceitou o banco, quando sua fama poderia gerar a rebeldia, ainda mais depois do tumulto envolvendo Diego Alves. Aquele que voltou à equipe bem azeitada por Dorival Júnior e, enfim, mostrou o futebol que se pede: vibrante, participativo, decisivo. O título do Brasileirão, a esta altura, depende do impossível. Mas o maestro comandou a importante vitória por 2 a 0 sobre o Grêmio, que garante o Fla na fase de grupos da Libertadores 2019.

Presente durante os 90 minutos na vitória sobre o Santos, Diego voltou a ser figura central contra o Grêmio. Desde o primeiro tempo, o meio-campo operou sob suas ordens, com o veterano participando de boa parte das chances criadas pelo Flamengo. O time controlava o jogo e forçava os gremistas em seu campo de defesa, mas não aproveitou as oportunidades. Até acertou a trave, em cabeçada desviada por Jael que não alterou o placar. O camisa 10 também geraria seu lance perigoso, parando em boa defesa de Paulo Victor pouco antes do intervalo.

Durante o segundo tempo, o gol precoce do Flamengo mudou o cenário no Maracanã. Depois de mais uma boa intervenção de Paulo Victor, Uribe abriu o placar, em lance no qual o árbitro deveria ter assinalado o jogo perigoso. Com a vantagem no marcador, os rubro-negros recuaram um pouco mais e viram o Grêmio ameaçar. Ainda assim, quem acelerava o jogo dos rubro-negros e aproveitava os espaços era Diego. As principais jogadas do time nasciam a partir dos passes do camisa 10, embora os companheiros perdoassem – a exemplo de Vitinho, que isolou em ótimas condições. Além disso, outro personagem central era César, com boas intervenções para segurar a diferença. O goleiro fez milagre em cabeçada à queima-roupa de Geromel, aos 42.

O Flamengo só matou o jogo aos 45. Berrío, ausência sentida nesses longos meses de recuperação, mais uma vez demonstrou como pode contribuir à equipe. Arrancou pela esquerda puxando contra-ataque e o cruzamento mascado sobrou para Diego definir bonito, girando o corpo, no canto de Paulo Victor. Um gol para deixar ainda mais em evidência a boa participação do camisa 10. Das 18 finalizações dos flamenguistas na noite, metade teve a colaboração do meia, com quatro chutes e cinco passes para que os companheiros arrematassem. Foi o melhor em campo sem muitos questionamentos.

O momento mais emblemático de Diego, todavia, aconteceu na comemoração. O veterano saiu correndo às arquibancadas e se jogou no meio da galera. Foi abraçado pela magnética, recebendo o carinho negado tantas vezes quando ficou devendo em campo. Um pedido para que seja mais assim, para que vibre mais. O meia ainda tirou a sua camisa e exibiu dezenas de veias à flor da pele em grito desenfreado, de libertação. Enfim, teve um jogo para justificar o craque que se pinta, mas que se restringe a momentos limitados de sua trajetória.

O Flamengo se agarra apenas à matemática para acreditar que ainda pode ser campeão brasileiro. São cinco pontos de diferença em relação ao Palmeiras, precisando vencer Cruzeiro e Atlético Paranaense nos dois últimos compromissos, além de torcer para que os alviverdes não marquem mais do que um ponto contra Vasco e Vitória. Parece mesmo impossível. Pés no chão, o intuito será mirar os acertos recentes de Dorival Júnior na montagem da equipe e o horizonte ao próximo ano, de mudanças internas. A frustração é inescapável, pelo que se investiu e pelo que se esteve longe de alcançar. Mas em um momento no qual se discute a continuidade de Diego, o armador oferece uma partida para melhorar suas perspectivas. A aceitação da reserva e a vibração no retorno triunfante reduzem um pouco a rejeição que o astro atraiu para si nos meses recentes. Dignificou a camisa 10.