Assim como aconteceu em diversos governos, independente da orientação política, o futebol serviu de instrumento na União Soviética. Em seus primórdios, o regime comunista se valeu da popularidade do esporte para se aproximar da população. Antes da queda do czar, existiam oito mil praticantes de futebol registrados apenas no Império Russo. Por mais que a modalidade fosse relacionada à burguesia, muitos jovens trabalhadores urbanos se interessavam pelo jogo, um perfil da população que interessava ao poder recém-instaurado. Desta maneira, houve a criação de um projeto estatal em torno dos clubes do país. Nomes e símbolos foram alterados a fim de colocar em evidência as instituições do regime.

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O primeiro desses times foi o Orekhovo, criado por dois ingleses operários do setor têxtil. Por obra do chefe da polícia secreta soviética, em 1923 o clube passou a se chamar Dynamo Moscou e a ser financiado pelo Ministério do Interior. Na esteira, vários outros “Dinamo” surgiram em cidades importantes do país, como Kiev, Minsk e Tbilisi. O projeto de estatização das equipes foi contínuo durante a década de 1920. O CSKA era fomentado pelo exército, enquanto o Lokomotiv tinha o apoio dos ferroviários. Spartak, Torpedo, Zenit e Krylya Sovetov representavam as indústrias de alimentação, automóveis, eletricidade e aviões. E o fim da classe dominante facilitou essa apropriação dos clubes sem maiores resistências.

Já a partir de 1936, com as estruturas dos clubes estatais consolidadas, o regime criou o Campeonato Soviético. O torneio começou concentrado entre clubes ucranianos e russos, especialmente entre equipes de Moscou e Leningrado (atual São Petersburgo). Porém, a expansão se tornou crescente na década de 1940, com a inclusão de times de outras repúblicas além dos acessos em campo, também para promover a integração nacional e satisfazer interesses do poder central. Dentre as 15 nações que compunham a URSS, apenas Turcomenistão e Quirguistão nunca contaram com um clube na primeira divisão. Além disso, em algumas das repúblicas menores, a potência local se tornava uma espécie de seleção nacional.

No entanto, não dá para dizer que o futebol servia apenas para a manipulação das massas. O esporte também era meio de resistência. As arquibancadas serviam de refúgio para a liberdade de muitos opositores do regime. Assim, se tornaram de palcos para reuniões contra o poder central. O maior símbolo dessa oposição foi o Spartak Moscou, clube mais popular do país, surgido exatamente a partir de uma organização popular. A ponto de Nikolai Starostin, que refundou o time e era um de seus principais craques, ter sido enviado a um campo de trabalhos forçados durante a ditadura de Josef Stalin.

Abaixo, preparamos um mapa para recontar a história da expansão do Campeonato Soviético. Ele traz todos os participantes da primeira divisão entre 1936 e 1991. Os clubes estão separados pela década em que estrearam na competição. No caso de times extintos, o nome relacionado é o mesmo usado na época em que disputaram o torneio. Além disso, os clubes cujos escudos não foram encontrados foram representados pelo símbolo da federação.

Aproxime para visualizar os estádios e se divirta: