Os racistas do futebol italiano estão cada vez mais saindo da toca. Incidentes têm se multiplicado neste começo de temporada europeia, como em uma demonstração de que não irão recuar diante de quem tenta acabar com a discriminação no esporte. Depois de Lukaku ser vítima de gritos de macaco contra o Cagliari, agora foi a vez de Franck Kessié, do Milan, virar o alvo, agora por parte da torcida do Verona. Diante da vergonhosa desculpa dada pelo clube gialloblu, até mesmo o Pescara, da segunda divisão, respondeu ao posicionamento com um verdadeiro puxão de orelha.

O Verona se esquivou da responsabilidade pelos atos de sua torcida, pediu “respeito” e disse que os barulhos feitos toda vez que Kessié pegava na bola eram vaias, e não gritos de macaco, como relataram torcedores e a imprensa italiana. Mais tarde, afirmou não estar relativizando comportamentos discriminatórios, reiterando que não ouviram nada e que nada lhe foi comunicado.

“O racismo deve ser condenado. Sempre e em todos os casos”, rebateu o Pescara em sua conta no Twitter.

Considerando problemas recentes no futebol europeu, com Tammy Abraham, Pogba e Lukaku sendo algumas das vítimas de racismo em poucas semanas de início de temporada, já existia uma preocupação de que o Milan enfrentaria tal cenário no último final de semana. A torcida do Verona é conhecida como uma das mais racistas da Itália, responsável por exibir suásticas nas arquibancadas nos anos 1990, enforcar um manequim de um homem negro e, mais recentemente, em 2018, cantar: “Adolf Hitler é meu amigo”. Com a partida marcada para o Estádio MarcAntonio Bentegodi e com a falta de ação de dirigentes e políticos italianos, era apenas questão de esperar para acontecer.

Recentemente, jogadores e ex-atletas têm se posicionado, cobrando ações de redes sociais para combater a discriminação em sua plataforma e de federações para punir torcidas com faixas ou cantos racistas.

Kalidou Koulibaly, vítima de ataques discriminatórios em campo mais de uma oportunidade, recomendou que a Itália seguisse o exemplo da Inglaterra em banir até pelo resto da vida torcedores pegos demonstrando comportamento racista. Lilian Thuram, campeão do mundo pela França em 1998 e com passagem na Juventus, foi além e responsabilizou os dirigentes, dizendo que quem não faz nada “está no mesmo nível” dos racistas.

A opinião pública começa a fechar cada vez mais o cerco sobre o futebol italiano, mas mesmo isso não é garantia de alguma mudança em um país em que um comentarista de TV se sente confortável para, em 2019, falar que a maneira de parar Lukaku é lhe dando “dez bananas” para comer.