O atacante Ricardo Centurion, prestes a completar 27 anos, já tem um novo clube: será do Vélez pelos próximos seis meses. O ex-jogador do São Paulo chega do México, onde teve uma passagem bastante apagada pelo San Luis e depois de ficar encostado no Racing no primeiro semestre de 2019. No Vélez, chega a pedido do técnico Gabriel Heinze, aquele mesmo, ex-zagueiro, que acredita poder recuperar o futebol do jogador. Centurión, porém, terá uma cláusula inédita: a de rescisão em caso de violência de gênero.

“O Vélez chegou a um acordo com o Racing em empréstimo por seis meses, sem custo e sem opção de compra, pelo passe do jogador Ricardo Centurión. O jogador passou com êxito pelos exames médicos e assinará contrato nos próximos dias”, informou o clube ao anunciar o reforço.

O técnico do clube, Gabriel Heinze, terá o novo jogador a partir dos próximos dias para ser incorporado ao elenco para a pré-temporada. O contrato de Centurión tem uma cláusula especifica sobre comportamento. Caso ele viole o protocolo de violência de gênero – algo pelo qual o jogador já foi acusado pela sua ex-companheira, em 2017 -, o seu contrato será rescindido. Isso vale também para o caso do jogador não cumprir as diretrizes do estatuto social do Vélez, pode ter o seu contrato rescindido.

A acusação de agressão veio da ex-companheira Melisa Tozzi. Segundo ela, em maio de 2017, quando estava no Boca Juniors, ele a enforcou e “lascou seus dentes”. O Vélez é um clube que tem esta área como preocupação e criou, em 2018, uma Área de Violência de Gênero, que fica dentro do Departamento Jurídico do clube. É o primeiro clube argentino que possui uma área específica para isso.

“Acreditamos que às vezes as pessoas podem errar, mas todos têm a oportunidade de que outros os deem confiança para que se sintam a gosto de voltar a se sentirem jogador. Vamos dar a ele todas as necessidades e também contenção. Nós esperamos que nos traga essa cota de desequilíbrio que tem dentro do terreno de jogo”, afirmou o gerente de futebol do Vélez, Pablo Cavallero.

No Vélez, Centurión será, além de comandado por Gabriel Heinze, a companhia de Fernando Gago. Em 2019, o jogador pouco entrou em campo. Tanto no Racing quanto no San Luis, do México, jogou muito pouco e alcançou no total 15 jogos no ano. Foram três pelo clube argentino e outros 12 pelo mexicano. Fez apenas um gol no ano, pelo time mexicano, em um jogo contra o Pumas.

A advogada responsável pela área de violência de gênero no Vélez, Paula Ojeda, confessa que foi contra a chegada de Centurión, pelo seu histórico. “Os olhares estarão sobre ele. Temos previsto uma reunião para nos falarmos”, afirmou a advogada. Apesar da contratação ter sido feita, ela se sentiu escutada porque foi colocada, pela primeira vez, uma cláusula específica sobre o assunto de violência de gênero no contrato de um jogador de futebol.

“Em caso de caso grave ou reincidência, o clube poderá rescindir o vínculo. Considero uma vitória, uma conquista. Estamos satisfeitos. Nós sabemos que sempre se prioriza o lado futebolístico, mas neste caso, fomos levadas em conta”, disse Ojeda. O setor comandado pela advogada tem cerca de 10 mulheres trabalhando e lidam com o social, o esporte e fazem palestras, apresentações sobre livros e exibição de filmes.

Centurión tem 26 anos e está prestes a completar 27 ainda neste mês. Heinze é um treinador bastante rigoroso desde que iniciou a carreira e foi dele o pedido para contratação do atacante. Por isso, espera-se que o treinador mantenha ex-jogador do Racing em rédea curta para impedir que o seu comportamento possa atrapalhar o rendimento em campo.