Traçar a gênese da idolatria que o torcedor vascaíno nutre por Juninho Pernambucano não é uma tarefa difícil. Basta se lembrar da campanha do título da Libertadores, que completa 20 anos neste domingo. O gol que o meia-atacante marcou contra o River Plate foi o ápice daquela caminhada, e a final contra o Barcelona de Guayaquil, alguns dias depois, serviu apenas para confirmar o título da equipe de Carlos Germano e Felipe, de Odvan e Mauro Galvão, de Pedrinho, Ramon, Luizão e Donizete Pantera.

Campeão brasileiro de 1997, o Vasco havia perdido o seu principal jogador para a Fiorentina. Edmundo atingira o seu auge naquele título nacional e certamente faria falta. Depois de uma breve passagem, Evair voltou para São Paulo e se tornou outro desfalque. O começo da Libertadores foi difícil, com três partidas sem vitória: derrotas para Grêmio e Chivas Guadalajara e um empate contra o América do México.

A tabela era meio maluca naquela época – chegou a ter jogo às 23h30 de uma sexta-feira – e todas essas partidas do Vasco foram realizados fora de casa. A força de São Januário apareceu com triunfos sobre Grêmio e Chivas e um empate contra o América. A classificação para as oitavas de final foi assegurada com a segunda posição do grupo, atrás dos gaúchos.

Pela frente viria uma maratona contra três campeões sul-americanos. E um detalhe interessante: eram os últimos três campeões sul-americanos. Primeiro, o Cruzeiro (1997), depois o Grêmio (1995), depois o River Plate (1996). Após Marcelo Ramos abrir o placar em São Januário, o Vasco virou para 2 a 1, com gols de Luizão e Donizete Pantera. Em Minas Gerais, segurou o 0 a 0 para passar às quartas de final e reencontrar o Grêmio.

Foi o confronto de Pedrinho, que fez o único gol do empate por 1 a 1 no jogo de ida, em Porto Alegre, e o tento solitário da vitória vascaína no Rio de Janeiro. A semifinal foi realizada mais de um mês depois, por causa da Copa do Mundo, e seria contra o esquadrão do River Plate: entre outros tinha Ayala, Sorín, Gallardo e Aimar. Donizete assegurou a vitória por 1 a 0 em São Januário.

No Monumental de Núñez, a pressão do River Plate foi intensa. Sorín empatou o confronto, aos 21 minutos do primeiro tempo, e os visitantes estavam afim de garantir a vaga na final no tempo regulamentar. Mas, aos 37 da etapa final, o Vasco ganhou uma falta na intermediária. Juninho Pernambucano, reserva nas duas partidas, havia acabado de entrar. E o resto eu deixo que ele mesmo conte:

“Acabei fazendo só um gol naquela Libertadores e eu talvez não o trocasse por cinco gols”, afirmou, em entrevista ao Globo Esporte. “Realmente fomos massacrados no jogo de volta. Quando eles fazem 1 a 0 e dominam o jogo, deviam ter toda a posse de bola, eu entro e sai aquela falta. Tinha a possibilidade de o Vagner bater porque ele chutava mais forte. Na hora, você pensa tudo muito rápido. Eu saí com os dois pés do chão. Peguei uma bola muito chapada de baixo para cima, e a bola viaja, mas cai rápido. E quando ela cai, não dá para aguentar”.

O goleiro Burgos não aguentou. Precisou olhar para trás para observar a bola morrendo nas suas redes, classificando o Vasco para a final. O gol virou música nas arquibancadas de São Januário: “Contra o River Plate, sensacional. Gol do Juninho, Monumental”.


Com um lado da chave tão pesado, o outro ficou mais aberto. O Barcelona de Guayaquil passou por Colo-Colo, Bolívar e Cerro Porteño para alcançar a decisão. E não foi páreo para o Vasco. Duas vitórias: 2 a 0 em São Januário e 2 a 1 no Equador para selar um monumental título da Libertadores.

Oitavas de final

 

Quartas de final

 

Semifinal

 

Final

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