Vargas chega ao Galo para reeditar uma parceria que marcou seu ápice e também os sucessos de Sampaoli

Eduardo Vargas não é nenhum craque, mas possui uma carreira bastante relevante. Estourou como um dos melhores jogadores em atividade na América do Sul e, pela seleção chilena, está entre os nomes mais importantes da história. Há, entretanto, um denominador comum em quase todos os sucessos do atacante: Jorge Sampaoli. Foi sob as ordens do treinador que Vargas arrebentou na Universidad de Chile e também desfrutou seus melhores momentos com a Roja. É daqueles jogadores que parecem ir além de seus limites com o auxílio de um técnico específico. E a parceria voltará a se repetir nos próximos meses, com o anúncio do atacante de 30 anos pelo Atlético Mineiro.

Vargas não vingou em nenhuma de suas tentativas de atuar pela Europa. Jogou por clubes das quatro maiores ligas, mas pouco rendeu em todas essas empreitadas – por Napoli, Valencia, Hoffenheim e Queens Park Rangers. O chileno também ficou devendo em sua primeira passagem pelo Brasil, sem proporcionar tudo o que se prometia com a camisa do Grêmio. Mas, além da parceria com Sampaoli, teve outros bons momentos paralelos. O treinador do Chile já era Juan Antonio Pizzi quando Vargas liderou a seleção na Copa América Centenário, com direito a quatro gols nos 7 a 0 sobre o México nas semifinais. E, transferindo-se ao Campeonato Mexicano pouco depois, deixou sua marca no Tigres.

Vargas passou três temporadas e meia na Liga MX. O atacante contabilizou 29 gols pelo Tigres na competição nacional, o que não é uma marca impressionante, mas expressa a importância de quem foi um bom coadjuvante a André-Pierre Gignac nos felinos. O chileno conquistou três edições dos torneios curtos no Campeonato Mexicano, além de ter sido vice em outra. Também seria duas vezes vice da Concachampions, titular da equipe nas duas campanhas. Durante o ano passado, porém, caiu de nível e começou a frequentar mais o banco. Foi o que abriu as portas à sua saída rumo ao Atlético Mineiro.

Não há treinador que saiba tirar mais de Vargas do que Sampaoli, disso não há dúvidas. Que a idade chegue ao atacante, é um jogador de movimentação e intensidade, que se encaixa bem no estilo direto praticado pelo comandante. E se vinha acomodado no Tigres, o velho professor deverá cobrar mais de seu empenho. Não é o típico centroavante de área, mas tem mais capacidade para cumprir a função que vem sendo de Eduardo Sasha e pode potencializar o Galo no segundo turno do Brasileirão. Ao lado de Matías Zaracho, outro reforço recente, é um jogador para alavancar os atleticanos.

A chegada de Vargas tende a encerrar o mercado de transferências do Atlético. Segundo o Globo Esporte, a transação custou US$2 milhões. O Tigres aceitou reduzir sua pedida, inicialmente cotada em US$5 milhões, já que o contrato do atacante estava no final e ele poderia sair de graça no próximo ano. Vargas foi o 11° reforço do clube desde a chegada de Sampaoli, com parte dos valores coberta por Rubens Menin, mecenas que tem permitido os altos gastos através de empréstimos e percentuais em futuras vendas.

Independentemente do apoio externo, o modelo agressivo do Galo no mercado de transferências cobra que os alvinegros também registrem sucesso dentro de campo para compensar a balança. Há riscos evidentes nessa postura, além de uma pressão crescente ao redor do campo. Sampaoli, o principal responsável por pedir tamanho investimento, é quem deve ser mais cobrado. Com Vargas, ao menos, ganha o homem de confiança para tentar repetir também seus maiores feitos na carreira como treinador.