A temporada 2015/16 foi especial em vários aspectos para o Leicester, o mais improvável campeão inglês de todos os tempos. Particularmente para Jamie Vardy, de operário no começo da carreira a um dos principais artilheiros na Premier League naquela temporada. Desde então, o clube teve altos e baixos e passou por vários estágios, mas uma coisa se manteve constante: os gols de Vardy.

Aquela campanha mágica foi seu auge, com 24 gols, mas o atacante emendou 13, 20 e 18 nas três temporadas seguintes e cinco em sua estreia na elite. Na atual, chegou a cinco com os dois anotados na goleada por 5 a 0 sobre o Newcastle. Tem 85 no total, em 183 partidas, o que o coloca entre os 42 maiores artilheiros da Premier League.

E, também, à frente de Cristiano Ronaldo. O português marcou 84 gols pela liga em sua passagem pelo Manchester United, quando ainda não havia se transformado no artilheiro letal que se tornou no Real Madrid, mas já era um craque, inclusive ganhando sua primeira eleição de melhor do mundo. Vardy precisou de menos jogos: 183 contra 196 do português, atualmente na Juventus.

Catorze desses gols foram marcados em 17 rodadas sob o comando de Brendan Rodgers, cujo estilo de jogo não necessariamente combina com as melhores qualidades de Vardy. O norte-irlandês gosta de fazer seus times manterem a posse de bola, enquanto o atacante inglês prefere contra-ataques, quando tem espaços para acelerar e chegar em boas condições à frente do goleiro, como nos melhores tempos com Claudio Ranieri.

No entanto, isso não tem sido um problema. Pelo contrário. Rodgers pede que Vardy não participe da troca de passes, mas se movimente para criar espaços para os seus companheiros atacarem. “Não é tão diferente para o meu jogo. Ele gosta de posse de bola, mas com propósito e atacando o mais rápido possível. Se eu recuasse para me envolver, eu provavelmente levaria uma bronca do técnico. Ele disse que vamos manter muita posse de bola e que ele não me quer envolvido. Se eu conseguir, ficar o mais longe possível, criando espaços para os outros”, afirmou o inglês de 32 anos.

Nas últimas quatro temporadas e alguns trocados, apenas Harry Kane (106) e Sergio Agüero (94) fizeram mais gols do que Vardy (80). “Harry é um jogador muito, muito bom, mas eu não trocaria Jamie por ele”, disse Brendan Rodgers, antes do encontro entre Leicester e Tottenham, no fim de semana anterior. “Eu tenho trabalhado com Jamie por algum tempo agora e eu não o trocaria por muitos jogadores do futebol mundial”.

“Ele tem esta incrível habilidade em termos de pressão e leitura de jogo, taticamente é tão bom. Ele tem essa fome, apetite, desejo e velocidade para correr atrás da defesa e esticar o jogo e marcar. Eu gosto desse tipo de atacante. Neste nível, na liga mais competitiva do mundo, ele está entre os atacantes de elite no mundo e tenho sorte de contar com ele”, disse.

A goleada sobre o Newcastle foi a quarta vitória do Leicester em sete rodadas. Com 14 pontos, as Raposas estão em terceiro lugar e sonham com uma vaga entre os seis primeiros ou, melhor ainda, entre os quatro, o que valeria a disputa da Champions League na próxima temporada. Para chegar lá, dependerão dos gols que Vardy se acostumou a entregar.

.