Jamie Vardy entra em campo neste sábado, contra o Manchester United, com a grande possibilidade de bater o recorde de Ruud van Nistelrooy e se tornar o jogador a marcar em mais rodadas consecutivas da Premier League. Balançou as redes nos últimos dez jogos da competição, completando uma ascensão meteórica, tendo saído há apenas três anos de um time que, à época, disputava uma liga semiprofissional. O destaque do Leicester já tem 28 anos e demorou a ganhar a primeira oportunidade no futebol de alto nível. Agora, tendo sido a exceção, quer ajudar garotos com origens parecidas com as suas a ter chances em clubes profissionais e anunciou, nesta sexta-feira, que lançará em breve uma escolinha de futebol.

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Paralelamente ao desempenho impressionante que tem tido nesta primeira metade de temporada, o artilheiro da Premier League, com 13 gols, vinha trabalhando nos últimos seis meses na elaboração de uma escolinha de futebol, a V9, para atletas de times amadores, após conversar com sua esposa e seu empresário.  A ideia é realizar uma espécie de encontro anual com cerca de 60 atletas de ligas amadoras para que eles recebam treinamento e instruções dos mais diversos tipos. Os jogadores seriam avaliados em termos técnicos, táticos, físicos e de mentalidade, e clubes da Premier League e das outras três primeiras divisões inglesas seriam convidados para observá-los e iniciar conversas com aqueles que mais se destacassem.

“Pensei por algum tempo que algo poderia ser feito, e após várias conversas com meu empresário, John Morris, e minha esposa, Becky, decidimos montar a V9 para descobrir talentos e dar uma chance a esses jogadores, com sorte garantindo-lhes contratos profissionais, mas também para que aprendam e entendam o que é preciso para ser um jogador profissional no nível mais alto”, explica Vardy, em entrevista ao jornal Guardian.

V9 começará a receber inscrições em maio de 2016, e a primeira turma deverá ser reunida para as aulas um ano depois, em maio de 2017. Segundo o periódico, o projeto irá demorar para efetivamente começar a funcionar porque Vardy quer ter tempo suficiente para observar e avaliar a disponibilidade dos jogadores para participar de um projeto que o jogador quer que seja “o mais profissional possível”.

A primeira experiência de Vardy no futebol, nas categorias de base do Sheffield Wednesday, aos 16 anos, terminou com sua dispensa, e, desde então, o goleador teve que rodar por uma série de clubes de pouca expressão, até mesmo pela oitava divisão inglesa, antes de começar a se destacar o suficiente para, em 2012, atrair o interesse do Leicester. Por uma convergência de fatores, conseguiu a oportunidade e a agarrou com determinação. Mas entende que diversos talentos podem ser encontrados sem tanta dificuldade.

“Eu sei que há jogadores por aí em uma posição similar àquela em que eu estava, que só precisam de uma oportunidade. Mais e mais jogadores estão deixando o esporte cedo. Para mim, isso aconteceu no Sheffield Wednesday, quando eu tinha 16 anos e eles acharam que eu era pequeno demais. Lembro-me como me senti, e é difícil se recuperar disso ou sequer pensar em futebol profissional”, recorda-se o jogador.

Já com algumas convocações para a seleção inglesa em 2015, artilheiro e líder da Premier League, Vardy é exemplo do tipo de talento que às vezes pode escapar do radar de grandes clubes. Com sorte, seu projeto pode acabar revelando atletas com capacidade de ser tão bem-sucedidos quanto ele. Sua história, pelo menos, já deve servir de inspiração para que diversos atletas sejam ainda mais persistentes diante das adversidades do futebol amador e semiprofissional.