A BeNeLiga parece, lenta e progressivamente, cada vez mais perto de virar uma realidade no futuro. O campeonato conjunto entre Países Baixos e Bélgica teria uma receita de até € 400 milhões com direitos de TV, segundo estudo da consultoria Deloitte publicado em janeiro, e a ideia ganhou um forte apoiador nesta sexta-feira (20): Robin van Persie.

Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, o ex-jogador de Feyenoord, Arsenal e Manchester United defendeu a criação da liga conjunta, argumentando que jogar contra times fortes gera um ciclo que fortalece os próprios times.

Van Persie fez até um comentário que pode atrair críticos, mas que tem sentido em termos competitivos: jogar contra grandes equipes da Bélgica é melhor do que contra os times neerlandeses mais fracos.

“Pra ser sincero, eu sou favorável a uma BeNeLiga. Todos querem jogar o máximo possível de partidas de alto nível. É isso que melhora o time. As grandes equipes holandesas jogam às vezes com times muito fracos em casa. Em toda temporada, tem partidas assim. Por que não substituir essas equipes por grandes clubes belgas como Anderlecht, Gent ou Genk?”, afirmou.

Van Persie ainda citou a vantagem geográfica possibilitada pela proximidade e dimensão dos países, vizinhos e bem pequenos: “Isso seria bom para os dois campeonatos. Os dois países são próximos, as equipes não teriam viagens longas”.

Onze clubes lideram as discussões e já se reuniram em janeiro para tratar a criação da BeNeLiga. Foram eles: Anderlecht, Brugge, Standard Liège, Gent e Genk, da Bélgica, e Ajax, PSV, Feyenoord, Vitesse, Utrecht e AZ Alkmaar, dos Países Baixos. O encontro teve ainda representantes das federações neerlandesa e belga.

Um estudo da Deloitte estima que a competição teria potencial de gerar entre € 250 milhões e € 400 milhões com a venda dos direitos de TV – um aumento significativo em relação à avaliação atual, de € 80 milhões de cada uma das ligas nacionais separadas.

O projeto atual da BeNeLiga visa uma competição com 18 clubes. Dez seriam neerlandeses, enquanto os belgas teriam oito equipes. Segundo o L’Équipe, a formação inicial da liga não seria exatamente com base nos resultados esportivos mais recentes. Estas seriam as equipes participantes: Ajax, AZ Alkmaar, PSV Eindhoven, Feyenoord, Vitesse, Twente, Utrecht, Groningen, ADO Den Haag e Heerenveen (Países Baixos); e Brugge, Standard Liège, Anderlecht, Antwerp, Genk, Gent, Charleroi e Cercle Brugge (Bélgica).

As segundas divisões seguiriam nacionais, com uma edição belga e outra neerlandesa, assim como as Copas nacionais. Cada campeão das segundas divisões subiria à BeNeLiga, e um terceiro clube seria promovido por meio de repescagem.

Uma BeNeLiga imaginária ocuparia hoje o sexto lugar no ranking de coeficiente da Uefa, que determina o número de vagas por país para a Champions League. Atualmente, sem a liga conjunta, a Bélgica é a 8ª colocada no ranking, enquanto os Países Baixos ocupam a 9ª colocação.