O Valencia não ficou nada satisfeito de descobrir que o treinador da Atalanta, Gian Piero Gasperini, foi ao Mestalla para a segunda partida das oitavas de final da Champions League com sintomas de coronavírus, embora, à aquela altura, a pandemia estivesse avançada o suficiente para que a vitória por 4 a 3 dos italianas acontecesse com portões fechados e medidas de segurança.

O primeiro jogo disputado em Milão foi considerado um dos principais vetores do coronavírus na Lombardia, região mais afetada da Itália, terceiro país com mais mortes confirmadas (33.475 em 233.197 casos), atrás de Reino Unido e Estados Unido, segundo o levantamento da Universidade John Hopkins.

A pandemia também foi muito séria na Espanha, com 27.127 mortes confirmadas em 239.638 casos, o sexto país com mais fatalidades até o momento. Em 15 de março, cinco dias após a visita de Gasperini, o Valencia anunciou cinco casos positivos de coronavírus entre jogadores do elenco e funcionários. Uma semana depois do jogo, a infecção de 35% do grupo foi confirmada.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o período de incubação da COVID-19, janela entre o contato com o vírus e o início dos sintomas, varia entre 1 e 14 dias, mas geralmente acontece em torno de cinco dias.

“Diante das declarações do treinador da Atalanta, Gian Piero Gasperini, veiculadas pela imprensa italiana no domingo, o Valencia deseja expressar publicamente sua surpresa pelo fato de que o treinador da equipe rival nas oitavas de final da Champions League reconheça que tanto no dia anterior quanto no da partida disputada em 10 de março, no Mestalla, estava ciente de que sofria de sintomas supostamente compatíveis com o coronavírus, sem tomar medidas preventivas, colocando em risco, se esse foi o caso, várias pessoas durante sua viagem e estadia em Valencia”, afirmou o clube espanhol, em uma nota oficial.

“Precisamos lembrar que esta partida foi disputada com portões fechados, rodeada de medidas rígidas e exigidas pelas autoridades sanitárias espanholas para prevenir o risco de contágio da COVID-19, precisamente pela presença de pessoas procedentes de uma zona, já naquele momento, qualificada publicamente como de risco”, completou.

Em entrevista à Gazzetta dello Sport, Gasperini afirmou que “se sentiu mal” na véspera e “ainda pior” durante a partida e que, há aproximadamente dez dias, um teste de sangue confirmou que ele havia contraído COVID-19. Não estava com febre, mas “parecia que estava”, e teve perda de paladar, sintoma relatado como comum na doença derivada do coronavírus.

“Se você olhar as imagens, eu não parecia bem no banco de reservas. Era 10 de março. Duas noites depois, não dormi bem. A cada dois minutos, passava uma ambulância e há um hospital perto do centro de treinamento. Parecia uma zona de guerra. À noite, eu pensava no que aconteceria comigo se eu fosse ao hospital. Eu não poderia ir, ainda tinha muito a fazer”, disse.

“De certa forma, era uma maneira de brincar comigo mesmo para aliviar o clima, mas, por outro lado, eu realmente pensei nisso. Depois, em 14 de março, sábado, eu tive a mais dura serão de treinos em anos, uma hora na máquina, mais uma corrida de 10 quilômetros. Eu me senti forte, maravilhoso. No dia seguinte, o time recebeu comida e um Dom Perignon 2008 de um chefe com estrela Michelin que torce para a Atalanta, eu provei e disse: ‘Isso é água…’. A comida tinha gosto de pão. Havia perdido completamente o paladar”, completou.

A Itália retomará o seu campeonato em 20 de junho. A Atalanta enfrentará o Sassuolo, no dia seguinte, um dos jogos da primeira leva de adiamentos por causa da pandemia de coronavírus.   

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