Javi Martínez é um ótimo jogador, e as últimas três temporadas dele no Athletic Bilbao atestam isso. Dono de um bom passe, excelente marcador, eficiente no jogo aéreo, era cobiçado por Barcelona e Manchester City antes de acertar com o Bayern Munique nesta quarta-feira. Em campo, ok, boa contratação, e poucos discutem isso. Mas há uma pergunta que todos aqueles que acompanham o time bávaro já se fizeram: será que ele vale os € 40 milhões que os bávaros torraram nele?

A resposta mais provável é não, e foi o que Barcelona e Manchester City pensaram. Martínez não é e não parece que será um jogador daqueles que desequilibra partidas. É um marcador, um pouco melhor do que Luiz Gustavo, um pouco pior do que Bastian Schweinsteiger. Chega para somar a um grupo já robusto, e não para resolver os problemas defensivos de um time que sofreu muito em 2011/12 com a falta de peças de reposição no setor.

A transferência é a maior da história da Bundesliga. O recorde anterior era do próprio Bayern Munique, que havia torrado € 35 milhões para tirar Mario Gómez do Stuttgart. Na época, a contratação não se justificava em termos técnicos, pois o clube contava com Miroslav Klose, titular da seleção alemã. Gómez foi reserva dele na primeira temporada, e de Ivica Olic também, numa invencionice de Louis van Gaal que quase rendeu o título da Liga dos Campeões ao clube.

O time bávaro, no entanto, enfraqueceu o adversário e trouxe um jogador que, além de ganhar a posição de titular, fez quase 100 gols nas duas últimas temporadas, provando com as canelas que o dinheiro foi muito bem gasto. E o Stuttgart só parece ter encontrado um matador agora, com Vedad Ibisevic. Apesar de ter perdido um gol de maneira ridícula contra o Wolfsburg no sábado, o bósnio tem cumprido o seu papel com eficiência.

Com Martínez, o Bayern não tem essa desculpa. Tirou o jogador de um clube médio espanhol, não enfraqueceu ninguém e há dúvidas sobre o próprio fortalecimento do clube. O meio-campista aceitou reduzir seus salários para facilitar as negociações, fato que foi muito elogiado pelo executivo-chefe do clube, Karl Heinz Rummenigge. Prova de que pensa na carreira, na possibilidade de ganhar títulos com clubes, e não apenas em cifrões, ou pelo menos não nos cifrões momentâneos.

No Bayern, Martínez provavelmente será primeiro volante, compondo o setor com Bastian Schweinsteiger (se o camisa 31 estiver bem fisicamente) ou Toni Kroos. Poderá também atuar na zaga, ao lado de Dante, com Luiz Gustavo improvisado na lateral esquerda. Uma solução paliativa enquanto David Alaba se recupera de lesão, que traz duas possibilidades a mais para Jupp Heynckes. Resta saber se vai corresponder ao preço que custou, que por si só já é uma pressão sobre as costas dele.

Só uma zebra

A primeira rodada da Bundesliga teve oito resultados previsíveis. Apenas a merecida vitória do Eintracht Frankfurt sobre o Bayer Leverkusen por 2 a 1 fugiu do script. O Borussia Dortmund teve algum trabalho contra o Werder Bremen, mas produziu mais e mereceu vencer, o Bayern Munique jogou na segunda marcha e fez 3 a 0 contra o caçula (e fraquíssimo) Greuther Fürth, e o Schalke 04 fez uma boa partida contra o Hannover 96.

O Stuttgart, que estreou em casa, foi punido pela bola. E pelo Wolfsburg, que venceu por 1 a 0 com um gol de Bas Dost. Pouco antes, os Schwaben tiveram um pênalti a favor, mas Vedad Ibisevic caprichou na lambança: bateu mal, o goleiro Benaglio defendeu, e ele, no rebote, mandou de canela por cima do gol. Mas, ao contrário de Maicosuel, Ibisevic tem crédito com a torcida e tratou de balançar as redes contra o Dynamo Moscou, pelo play-off da Liga Europa, classificando a equipe para a fase de grupos.

Gladbach lutou, mas caiu

O Borussia Mönchengladbach tinha levado uma sapatada do Dynamo Kiev. Perdeu por 3 a 1 em casa no jogo de ida do play-off da Liga dos Campeões, e muitos imaginavam que o jogo de volta seria apenas mera formalidade. Ledo engano. Venceu na volta por 2 a 1 e ficou a um gol de levar o jogo para a prorrogação. Merece aplausos pela luta, mas o cochilo em casa custou caro.