Vale prestar atenção no Aston Villa, que investiu em dois jovens talentos brasileiros: Wesley e Douglas Luiz

Durante a última temporada, 19 jogadores brasileiros disputaram a Premier League. O campeão Manchester City é o clube que mais contou com atletas do país, quatro no total, seguido pelos três representantes do Liverpool. E a confiança nos futebolistas brasileiros, algo crescente na Inglaterra principalmente a partir da virada da década, possibilitará um novo reduto nos próximos meses: o Aston Villa. Em meio às contratações para sua volta à primeira divisão, o time de Birmingham investiu em dois jovens talentos que merecem atenção. Depois da confirmação do atacante Wesley Moraes, que brilhava no Club Brugge, nesta quinta-feira os Villans anunciaram a compra de Douglas Luiz, que passou os dois últimos anos emprestado ao Girona, mas pertencia ao Manchester City.

Wesley e Douglas Luiz abrem as portas para os brasileiros no Villa Park. Será a primeira vez que o clube contará com jogadores do país. E a diretoria gastou um bom dinheiro para isso. O atacante custou €25 milhões aos cofres dos Villans, tornando-se o reforço mais caro da história da agremiação. Já o meio-campista veio por €16,8 milhões. O mercado da equipe, de qualquer maneira, vem sendo pesado. O Aston Villa já desembolsou €127,9 milhões em novos atletas. A lista inclui os zagueiros Tyrone Mings (Bournemouth) e Ezri Konsa (Brentford); o lateral Matt Targett (Southampton); e os pontas Trezeguet (Kasimpasa) e Anwar El Ghazi (Lille), entre outros menos badalados. Dos dez futebolistas trazidos pela diretoria até o momento, apenas dois possuem mais de 24 anos, o que indica um projeto de médio prazo.

Aos 22 anos, Wesley vale o preço por tudo o que vinha apresentando com a camisa do Club Brugge. Nascido em Juiz de Fora, ele chegou a fazer testes por Cruzeiro e Atlético, mas se firmou apenas no Itabuna – após trabalhar em uma fábrica de parafusos aos 16 anos. Rumo à Europa, passou rapidamente por Nancy e Atlético de Madrid, até chegar à Eslováquia quando tinha 18 anos. Atuava no Trencin e, meses depois, já foi descoberto pelos belgas. Em três temporadas no novo país, valorizou-se como um atacante de ótimo porte físico e capacidade de definição. Foram 38 gols e 14 assistências em 130 partidas pelo Club Brugge. Seus números vêm em crescente e, inclusive, o jovem teve boas aparições na última edição da Liga dos Campeões. O Aston Villa representa um salto à sua carreira.

Com 1,91 m de altura, Wesley possui muita força física para se meter entre os zagueiros e brigar pelos espaços dentro da área. Porém, une a isso à sua velocidade. Embora geralmente atue com outro atacante ao lado, pode servir também como homem de referência, oferecendo mobilidade. Terá um desafio para substituir Tammy Abraham, muito embora possa evoluir e agregar outras virtudes à linha de frente do Aston Villa. Até por sua posição, vale o olhar pensando na seleção brasileira, já que tem características diferentes àquilo que se nota no elenco de Tite. As comparações com Joelinton, ao menos neste primeiro momento, tendem a ser naturais. A chance está posta. E ele já começou anotando seus gols na pré-temporada.

Douglas Luiz, por outro lado, é bem mais conhecido do público brasileiro. O volante revelado pelo Vasco não ficou muito tempo no país, mas deixou sua marca nos cruzmaltinos. Atraiu o interesse do Manchester City e parecia uma aposta futura ao time de Pep Guardiola, mas sua curva de ascensão não acompanhou as expectativas. Durante os dois últimos anos, também por problemas em conseguir o seu visto de trabalho no Reino Unido, permaneceu emprestado ao Girona. Ficou no banco durante o primeiro ano, firmando-se como cabeça de área durante a metade final da última edição de La Liga. Apesar do rebaixamento de sua equipe, o saldo seria positivo por sua afirmação. Já no último mês de junho, defendendo a seleção brasileira sub-23, terminou eleito o melhor jogador do Torneio de Toulon.

O Manchester City preferiu abrir mão do talento, depois de comprar Rodri. Aos 21 anos, entretanto, Douglas Luiz pode aproveitar o momento. E o Aston Villa garante uma oportunidade. A intensidade da Premier League será uma prova de fogo ao novato, tanto por sua qualidade na saída de bola quanto para sua capacidade na marcação. Além do mais, as subidas do brasileiro tendem a se tornar úteis aos Villans, especialmente por seus chutes de fora da área. Sua titularidade parece menos garantida que a de Wesley. De qualquer maneira, é um investimento considerável feito pela diretoria e deve ter o seu espaço.

Até o momento, o Aston Villa é o time que mais se reforçou para a próxima edição da Premier League. Nem mesmo os representantes do “Top Six” superaram os €100 milhões em contratações. Além disso, Norwich e Sheffield United mantêm uma política de preservar os elencos que conquistaram o acesso na Championship, com acréscimos pontuais. A postura dos Villans não oferece qualquer garantia, como o Fulham de 2018/19 bem mostrou. Ainda assim, não deixa de ser um mercado interessante, sobretudo pelas apostas feitas em atletas não necessariamente supervalorizados por outros clubes da Inglaterra. Vale acompanhar, também pelo impulso aos brasileiros.