Valdano compara o início de Vinícius ao de Raúl: “O gol, é claro, se treina e ele melhorará”

Responsável por promover a estreia de Raúl ao time profissional, Jorge Valdano traçou um paralelo com Vinícius Júnior

Não apenas no Brasil, Vinícius Júnior terminou o clássico desta quarta-feira como o nome mais comentado pela imprensa madrilena. Apesar da derrota do Real Madrid por 3 a 0 na Copa do Rei, não seria exagero dizer que o ponta foi o melhor em campo no Santiago Bernabéu. Criou um furdunço pelo lado esquerdo do ataque, puxou as melhores jogadas de sua equipe e criou um punhado de ocasiões de gol. No entanto, o placar dilatado a favor do Barcelona também se explica pela deficiência do garoto na definição. Por vezes não tomou a melhor decisão, em outras errou detalhes de seus movimentos para finalizar. Os madridistas reconhecem que há uma joia bruta ali. Mas será necessário lapidá-la, sobretudo nos arremates.

Logo após a partida, Jorge Valdano veio a público. O argentino foi um dos mentores do madridismo a partir da década de 1980, quando chegou para reforçar o ataque. Em seus tempos no comando do Real Madrid, conquistou o título de La Liga em 1994/95, encerrando o tetracampeonato do Dream Team de Johan Cruyff. Além disso, trabalhou como diretor esportivo em dois momentos distintos sob a presidência de Florentino Pérez. E como alguém que conhece extremamente bem o ambiente do clube, sabe o que Vinícius Júnior precisa. Comparou a situação do brasileiro com o trabalho realizado ao redor de Raúl.

“Quando Raúl estava no mesmo momento que Vinícius, passávamos todo dia corrigindo sua definição como loucos, na época em que estreou pelo Real Madrid. O gol, é claro, se treina. Vinícius fará isso e melhorará. Falta a ele parar e levantar a cabeça”, comentou Valdano, ao programa El Transistor. Logo em seus primeiros meses no comando dos merengues, em novembro de 1994, o argentino promoveu a estreia de Raúl como profissional. E o ídolo da torcida fazia trabalhos específicos nas finalizações. Tornou-se um dos atacantes mais letais da Europa em seus tempos e um dos maiores artilheiros da história do clube. Nas duas temporadas em que trabalhou com o técnico, o camisa 7 anotou 36 gols em 82 partidas.

Além disso, Valdano comparou o que havia com Cristiano Ronaldo e o que se vê com Vinícius Júnior, principal referência do ataque merengue nas últimas semanas: “O Real Madrid se caracterizou pela efetividade quando tinha em sua equipe um cara que fazia gols com uma facilidade tremenda. Ele não está mais. O Barça tem uma lenda e o Real Madrid já não tem. É algo crítico para a saída de Cristiano. Sem ele, o Real tem muito mais problemas para resolver nas partidas que não merece ganhar. O problema é que os últimos metros do time estão nas mãos de um menino muito bom, mas que ainda não está pronto”.

Outro símbolo do Real Madrid que defendeu Vinícius Júnior depois do clássico foi Emilio Butragueño, atacante histórico dos merengues e formado pelas categorias de base. Atualmente parte da diretoria do clube, El Buitre conhece muito bem a pressão e as cobranças nestes primeiros passos como profissionais. Embora tenha ascendido ao time principal em tempos de seca, viraria protagonista no esquadrão que faturou o pentacampeonato espanhol nos anos 1980.

“Um garoto de 18 anos que é capaz de fazer isso, gerando um grande lance toda vez que recebe a bola, é extraordinário. Estamos muito felizes e empolgados com o futuro dele”, analisou Butragueño. “Foi uma noite muito difícil para todos nós. Sentimos pelos jogadores e pelos torcedores, que foram fantásticos. Até eles fazerem 2 a 0, fomos muito superiores, mas eles aproveitaram as poucas oportunidades que tiveram e para nós faltou o gol. O normal teria sido irmos ao intervalo com uma vantagem de 2 a 0”.

O próximo desafio de Vinícius Júnior será outra vez o Barcelona, no sábado, pelo Campeonato Espanhol. Vontade não faltará ao garoto para se redimir dentro do próprio Santiago Bernabéu. E a torcida merengue também deve apoiá-lo, diante de tudo o que anda oferecendo ao time nesta temporada tão delicada.