Começa na próxima terça-feira a fase de grupos da Liga dos Campeões da Ásia. É a 31ª edição da competição continental, sendo a décima com os atuais nome e formato.  Algumas modificações foram feitas pela AFC para esta temporada. O Vietnã perdeu o direito a sua vaga, que foi dada à Federação do Catar. A Índia, que tinha uma vaga na fase preliminar, acabou “rebaixada” pela AFC para a AFC Cup (equivalente local à Liga Europa).

Mais uma vez, a confederação separou as equipes geograficamente, sendo que das 28 vagas diretas, 14 vão para o lado oriental e 14 para o lado ocidental. As quatro vagas do play-off são igualmente divididas, duas para cada lado. Mesmo assim, por algumas peculiaridades em cada liga, um dos clubes do Uzbequistão – que é colocado pela AFC no lado ocidental – acabou sendo deslocado para o lado oriental.

Na fase preliminar, Al-Shabab (Emirados Árabes Unidos), Esteghlal (Irã), Pohang Steelers (Coreia do Sul) e Adelaide United (Austrália) venceram seus jogos e garantiram vaga na fase de grupos.

Como a maioria das competições realizadas pela Confederação Asiática de Futebol (AFC), a “Champions League” é uma reprodução fiel do torneio de mesmo nome promovido pela UEFA. Assim, os 32 clubes classificados são divididos em oito grupos com quatro participantes cada. A única diferença entre as “Champions” asiática e europeia é que a fase de oitavas de final é disputada em um só jogo na Ásia – o que já foi alvo de protestos na última temporada por conta dos clubes japoneses.

Este ano, a Liga dos Campeões da Ásia tem oito novatos. 25% dos participantes nunca disputaram qualquer das nove edições anteriores. Curiosamente, a exemplo de 2011, quando o Seongnam Ilhwa Chunma, campeão no ano anterior, não conseguiu se classificar; este ano, o torneio não terá a participação do último campeão, o Al-Sadd, do Catar.

Os quatro primeiros grupos (de A a D) são compostos pelos clubes do lado ocidental, com clubes de cinco países: Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão e Irã.
O grupo A tem Al-Rayyan (Catar), Al-Jazira (Emirados Árabes), Nasaf Qarshi (Uzbequistão) e Esteghlal (Irã). O time uzbeque é o estreante do grupo e recebe o Al-Jazira na terça que vem. No mesmo dia, Al-Rayyan e Esteghlal jogam no Catar.

O grupo B conta com o Al-Ittihad (Arábia Saudita), Al-Arabi (Catar), Bani Yas (Emirados Árabes) e Pakhtakor (Uzbequistão). Bani Yas e Al-Arabi, os dois “caçulas” na competição, se enfrentam em Abu Dhabi na primeira rodada. No outro jogo, o Al-Ittihad, um dos clubes mais tradicionais do continente e bicampeão da Liga dos Campeões em 2004 e 2005, recebe o Pakhtakor.
No grupo C estão Sepahan (Irã), Al-Ahli (Arábia Saudita), Lekhwiya (Catar) e Al-Nasr (Emirados Árabes). Na quarta, pela primeira rodada, jogam Sepahan x Al-Nasr, em Isfahan; e o Lekhwiya, campeão do Catar na temporada passada, recebendo o Al-Ahli. Neste grupo Lekhwiya e Al-Nasr jogam o torneio pela primeira vez.

O grupo D é o único do lado ocidental que não conta com nenhum estreante na Liga dos Campeões. O grupo tem Al-Shabab (Emirados Árabes), Persepolis (Irã), Al-Hilal (Arábia Saudita) e Al-Gharafa (Catar). Na primeira rodada, quarta-feira, os confrontos são entre Al-Shabab x Al-Gharafa, em Dubai; e Al-Hilal x Persepolis, em Riad.

Os grupos de E a H são compostos por clubes de seis países: Japão, Coreia do Sul, China, Uzbequistão, Austrália e Tailândia. No E, estão Gamba Osaka (Japão), Adelaide United (Austrália), Pohang Steelers (Coreia do Sul) e Bunyodkor (Uzbequistão), que foi “deslocado” para o lado oriental do continente. Na primeira rodada, na terça-feira, jogam Gamba Osaka x Pohang Steelers e Bunyodkor x Adelaide United.

O grupo F conta com os estreantes FC Tokyo (Japão) e Brisbane Roar (Austrália), além de Ulsan Hyundai (Coreia do Sul) e Beijing Guoan (China).  A primeira rodada, na terça-feira, terá Brisbane Roar x FC Tokyo e Ulsan Hyundai x Beijing Guoan.

O grupo G tem Nagoya Grampus (Japão), Seongnam Ilhwa Chunma (Coreia do Sul), Tianjin Teda (China) e Central Coast Mariners (Austrália). Na quarta-feira, o Grampus recebe o Seongnam em Nagoya, enquanto o Tianjin Teda joga em casa contra o Central Coast Mariners.

Fechando os grupos, o H tem o Guanghzou Evergrande, campeão chinês em 2011, que joga a Champions pela primeira vez. O time do argentino Darío Conca terá como adversários Kashiwa Reysol (Japão), Jeonbuk Hyundai Motors (Coreia do Sul) e Buriram United (Tailândia), todos campeões nacionais. A primeira rodada tem Jeonbuk x Guanghzou e Buriram United x Kashiwa Reysol.

Predomínio oriental

Nas nove edições anteriores no atual formato da Liga dos Campeões da Ásia, os clubes japoneses e sul-coreanos são os protagonistas. Além de conquistarem cinco títulos, estiveram em outras duas decisões. Somente em duas temporadas (a primeira, em 2002/03; e em 2005), não houve representantes dos dois países na final.

A série de cinco títulos, aliás, foi quebrada no ano passado, quando, nos pênaltis, o Al-Sadd venceu o Jeonbuk Hyundai Motors por 4 a 2. Nas últimas três temporadas, aliás, sempre um sul-coreano esteve na final. Assim, é meio imperativo pensar que alguns dos favoritos ao título estão dentre os quatro representantes japoneses e os quatro sul-coreanos. A se destacar os campeões das duas ligas, Kashiwa Reysol e Jeonbuk Hyundai Motors, que se encontram prematuramente na fase de grupos.

Curiosidades

Por abranger uma área muito grande de atuação (em que pese a participação de clubes de 10 países), a Liga dos Campeões da Ásia tem algumas peculiaridades. Por exemplo: apesar de disputarem suas ligas nacionais, o Sangju Sangmu Phoenix, da K-League; e o Wellington Phoenix, da A-League, não estão habilitados a disputar o torneio continental.

No caso do Wellington Phoenix, a explicação é simples: apesar de disputar a liga profissional da Austrália, o clube tem sede na Nova Zelândia, que é integrante da confederação da Oceania. No caso do time sul-coreano, ele não é exatamente um clube profissional, e sim o clube do exército do país. Seus jogadores não têm contrato: são atletas militares. Ainda que vençam suas ligas locais, os dois clubes não podem participar da Champions.

A Indonésia é outro caso especial: houve uma cisão no futebol do país e foram criadas duas ligas paralelas no ano passado. A IPL (Indonesian Premier League), que é a liga reconhecida pela federação local, tem 13 times. A ISL (Indonesia Super League), que era a liga oficial até 2011, tem 18 times.

O Persipura Jayapura, campeão da ISL na temporada passada, continuou na liga para esta temporada – e por isso foi excluído da fase de grupos da Liga dos Campeões da Ásia pela AFC. O clube recorreu à Corte Arbitral do Esporte, na Suíça, e ganhou o direito de voltar à competição, mas na fase preliminar, onde acabou eliminado pelo Adelaide United.

K-League começa no sábado

A bola rola no final de semana para a rodada de abertura da K-League, o campeonato sul-coreano, uma das ligas mais importantes da Ásia. Para este ano, a entidade aprovou uma mudança significativa na fórmula de disputa. A fase regular acontece como de costume, com as 16 equipes jogando entre si em turno e returno.

Ao final destas 30 rodadas, as oito equipes de melhor pontuação vão disputar um novo torneio, também em turno e returno, onde quem fizer mais pontos fica com o título. As oito equipes restantes disputam um torneio de consolação, onde o último colocado será rebaixado.

Por conta dos escândalos de manipulação de resultados no ano passado, a K-League definiu que o Sangju Sangmu Phoenix, time do exército sul-coreano, estará rebaixado para a segunda divisão no ano que vem, independente da posição em que termine o campeonato este ano. Aliás, será a primeira vez que haverá acesso e descenso na K-League.

Os brasileiros marcam presença com força na atual temporada do futebol sul-coreano. Com exceção do Sangju Sangmu Phoenix, que só conta com militares, as outras 15 equipes têm jogadores estrangeiros. Por conta da regra “3+1”, implantada pela AFC há alguns anos, cada clube pode ter até quatro estrangeiros, sendo um deles, obrigatoriamente, de um país filiado à confederação asiática.

Assim, apenas o Pohang Steelers não tem pelo menos um brasileiro no elenco. Mais que isso: dos 41 estrangeiros que ocupam as vagas de “não-asiáticos” neste início de temporada, nada menos que 25 são brasileiros (60,9% do total). Busan I’Park, Daegu e Jeju United têm as três vagas ocupadas por brasileiros.

Porém, os brasileiros que jogam na K-League são jogadores que tiveram destaque apenas relativo por aqui. Os nomes mais conhecidos são do meia/ala canhoto Éverton, ex-Flamengo e Botafogo, que está no Suwon Samsung Bluewings; e o dos atacantes Adriano Chuva e Robert, ambos com passagens por Palmeiras e Sport. Chuva está no Gwangju e Robert, no Jeju United.

Curiosamente, apesar de tantos brasileiros, nenhum deles tem o destaque no país que três outros “gringos”: o australiano Sasa Ognenovski, capitão do Seongnam Ilhwa Chunma e eleito melhor jogador da Liga dos Campeões da Ásia em 2010; o colombiano Mauricio Molina e o montenegrino Dejan Damianovic.

Molina está no país desde que saiu do Santos em 2009, tendo sido campeão da Champions em 2010, ao lado de Ognenovski. No ano passado, ele se transferiu para o FC Seoul. Damianovic, seu companheiro no clube da capital, está na Coreia do Sul desde 2007, quando chegou ao Incheon United. No ano seguinte, se transferiu para o FC Seoul, onde está até hoje. Em cinco anos de K-League, o atacante tem 80 gols em 136 jogos, tendo sido três vezes seguidas vice-artilheiro da competição entre 2007 e 2009. Em 2011, finalmente conseguiu ser o artilheiro da liga, com 23 gols na fase regular.

Mas nem só de estrangeiros vive a K-League: dos 25 jogadores convocados pelo técnico da seleção da Coreia do Sul, Choi Kang-Hee, para os jogos desta semana (vitórias no amistoso contra o Uzbequistão, 4 a 2, no sábado; e 2 a 0 sobre o Kuwait, no último jogo da terceira fase das eliminatórias, nesta quarta-feira), nada menos que 21 jogam no país, dentre eles, o veterano atacante Lee Dong-Gook, do Jeonbuk Hyundai Motors (87 jogos e 27 gols pela seleção); e o capitão da equipe, o zagueiro Kwak Tae-Hwi, do Ulsan Hyundai.

Campeão em 2011, o Jeonbuk Hyundai Motors terá a primazia de abrir o torneio, jogando na madrugada de sábado (3h, horário de Brasília), em casa, diante do Seongnam Ilhwa Chunma. No mesmo horário, o Pohang Steelers recebe o Ulsan Hyundai. As quatro equipes representam o país na Liga dos Campeões da Ásia, e por isso, terão seus jogos antecipados sempre que houver rodada da competição continental no meio da semana.

No domingo, outros seis jogos completam a rodada: Chunnam Dragons x Gangwon, Jeju United x Incheon United, Daegu x FC Seoul, Sangju Sangmu Phoenix x Gwangju, Suwon Samsung Bluewings x Busan I’Park e Gyeongnam x Daejon Citizen.

Eliminatórias 2014: sonho do Brasil segue para apenas dez seleções

 

Foi realizada nesta quarta-feira a última rodada da terceira fase das Eliminatórias para o Mundial do Brasil. Com isso, além das sete seleções que já estavam classificadas desde novembro do ano passado, quando foram realizadas as últimas partidas do torneio, Líbano, Omã e Catar confirmaram sua passagem para a próxima fase – e mantiveram vivo o sonho de chegar à Copa de 2014. Em contrapartida, seleções que já disputaram mundiais, como Kuwait e Arábia Saudita, foram eliminadas ainda nesta etapa.

O grupo A já estava definido com Iraque e Jordânia classificados. O Iraque garantiu o primeiro lugar com uma goleada sobre Cingapura, 7 a 1, e chegou aos 15 pontos. A Jordânia ficou com 12 pontos, já que perdeu para a eliminada China por 3 a 1.

No grupo B, a já classificada Coreia do Sul venceu o Kuwait por 2 a 0, chegando a 13 pontos e eliminando a equipe do Golfo Pérsico. Melhor para o Líbano, que mesmo perdendo para os Emirados Árabes (4 a 2), garantiu sua vaga, com 10 pontos.

No grupo C, o Uzbequistão garantiu a melhor campanha desta fase depois de vencer o Japão em Toyota por 1 a 0. O gol de Aleksandr Shadrin garantiu a quinta vitória em seis jogos para os uzbeques. As duas seleções já estavam classificadas. No outro jogo, Tadjiquistão e Coreia do Norte empataram em 1 a 1.

No grupo D, a Austrália eliminou a Arábia Saudita com a vitória por 4 a 2. Jogando em casa, os Socceroos chegaram a estar perdendo por 2 a 1, mas fizeram três gols em quatro minutos e chegaram ao triunfo e aos 15 pontos. Omã venceu a Tailândia por 2 a 0 e ficou com a segunda vaga, fazendo 8 pontos, dois a mais que os sauditas.

No grupo E, um empate muito estranho entre Irã e Catar por 2 a 2 classificou os catarianos para a próxima fase. Já classificados, os iranianos venciam o jogo por 2 a 1 até os 41 minutos do segundo tempo, quando Mohamed Kasola empatou o jogo. A vitória do Irã classificaria o Bahrein, que goleou a Indonésia por 10 a 0, maior placar desta fase das eliminatórias.

A quarta e decisiva fase das Eliminatórias asiáticas para a Copa de 2014 acontece com as 10 equipes divididas em dois grupos de cinco, em turno e returno dentro de cada um dos grupos. Os dois primeiros de cada grupo se classificam direto para o Mundial. Os dois terceiros colocados se enfrentam em jogos de ida e volta, e quem passar, pega um representante da Concacaf na repescagem intercontinental.

A montagem dos grupos acontece na próxima sexta-feira, dia 9 de março, obedecendo ao ranking da FIFA, que será atualizado dois dias antes, já levando em consideração os jogos disputados esta semana.

CURTAS

Faltando quatro rodadas para o término da temporada regular da A-League, a briga pelas seis vagas no play-off final continua acirrada. O Central Coast Mariners lidera, com 44 pontos, três a mais que o Brisbane Roar, atual campeão. Seis pontos separam o Wellington Phoenix, terceiro colocado (36) do Sydney FC, sétimo (30). O Melbourne Victory, oitavo colocado, com 26 pontos, tem chances remotas. Adelaide United e Gold Coast United estão eliminados.

Vale lembrar que quem terminar a fase regular na primeira posição, além de se garantir diretamente na decisão do campeonato, já assegura uma vaga na Liga dos Campeões da Ásia em 2013.

O Lekhwiya, que estreia na Liga dos Campeões no meio da semana, lidera a liga do Catar faltando apenas cinco rodadas para o fim. O time, que tenta o bicampeonato, tem 35 pontos, quatro a mais que o Al-Sadd. Dois brasileiros dividem a artilharia da liga: Afonso Alves, do Al-Rayyan, e Adriano, do El Jaish, ambos com 13 gols.

Assim como as principais ligas do Golfo Pérsico, a liga do Catar só retorna às atividades no dia 9 de março. Até no não tão tradicional futebol asiático, as datas FIFA são respeitadas – com exceção da A-League. Das grandes ligas do futebol mundial, só mesmo o Brasil ainda mantém jogos nesses períodos…