A Venezuela bateu a Argentina, por 3 a 1, em amistoso no Wanda Metropolitano, mas a situação política caótica do país não permitiu que a vitória fosse plenamente comemorada. Citando uso político por Juan Guaidó, auto-proclamado presidente em oposição a Nicolás Maduro, o treinador Rafael Dudamel ofereceu a sua renúncia à Federação Venezuelana, logo depois do jogo.

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Presidente da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, Juan Guaidó proclamou-se presidente interino da Venezuela, no final de fevereiro, alegando que a eleição que concedeu um segundo mandato ao chavista Nicolás Maduro foi fraudulenta. A oposição recusou-se a participar do pleito. Desde então, Guaidó foi reconhecido como o legítimo líder da Venezuela pela maioria dos países ocidentais, inclusive a Espanha. Maduro denuncia Guaidó como uma marionete americana e que está sendo vítima de uma tentativa de golpe liderada pelos Estados Unidos.

Guaidó nomeou embaixadores para travar a luta diplomática entre os dois lados desde a sua proclamação. O representante na Espanha é Antonio Ecarri, que se encontrou com os jogadores antes da partida diante da Argentina. De acordo com Dudamel, havia um acordo para que os registros do encontro fossem para uso privado. No entanto, Ecarri tuitou um vídeo com os jogadores, compartilhado por Guaidó.

O uso político da seleção irritou Dudamel. “Estamos vivendo tempos complicados e muito politizados. Nós respeitosamente recebemos a visita do embaixador, o senhor Antonio Ecarri, assim como recebemos (no passado) o embaixador do presidente Maduro”, afirmou. “Como seleção da Venezuela, que cobre todo um país, nós o recebemos com igual respeito. Mas, infelizmente, politizaram a visita à equipe nacional”.

Dudamel acrescentou que entregou o cargo aos dirigentes da federação, que serão responsáveis por tomar uma decisão final nos próximos dias. Por enquanto, ele mantém sua posição e treinará a equipe, na próxima segunda-feira, em amistoso contra a Catalunha.