USL suspende jogador que fez insultos homofóbicos a atleta da equipe de Landon Donovan

Landon Donovan, ex-jogador norte-americano e hoje co-proprietário e técnico do San Diego Loyal, da USL Championship, equivalente à segunda divisão dos Estados Unidos, ganhou manchetes em todo o mundo na semana passada ao retirar sua equipe de campo enquanto vencia por 3 a 1 após um de seus jogadores, Collin Martin, abertamente gay, sofrer insultos homofóbicos em campo por parte de um adversário, em partida contra o Phoenix Rising. Nesta quarta-feira (7), a USL Championship anunciou a suspensão por seis jogos do atleta infrator, Junior Flemmings.

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Além da suspensão, Flemmings recebeu uma multa, que não teve o valor revelado, e seu clube, o Phoenix Rising, anunciou que o atleta ficaria afastado da equipe até o fim de seu contrato, em 30 de novembro deste ano, recebendo, enquanto isso, “os recursos necessários para aprender e crescer a partir disso, para que possa se tornar um exemplo de mudança em nosso esporte”, comunicou o Rising. Inicialmente, Flemmings negou a infração no Twitter, mas pouco depois excluiu sua conta na rede social.

“Estas ações não poderiam estar mais contrárias aos valores centrais de nossa organização, e pedimos desculpas a todos os afetados. Usaremos isso como uma oportunidade para aprender, crescer e ser uma força de mudança, à medida que trabalhamos para erradicar o preconceito de nosso esporte e nossa comunidade”, afirmou Bobby Dulle, diretor-geral do Phoenix Rising.

Embora tenha acertado em seu posicionamento mais recente, o Phoenix Rising, por meio da figura de seu técnico, não teve a melhor das atitudes no rescaldo imediato do incidente. Depois da partida e da decisão de retirar sua equipe de campo, Landon Donovan, técnico do San Diego Loyal, revelou que, logo após o insulto, deu ao treinador adversário, Rick Schantz, a chance de retirar o atleta infrator do gramado.

“Vou ser bem claro, tivemos uma semana bem difícil, ele e eu conversamos antes do jogo sobre o tanto de coisas pelas quais passamos, e eu disse que se não tirasse seu jogador do campo, nossos atletas não iriam jogar, porque temos que nos posicionar. Então ou você faz, ou nós faremos”. Schantz descartou substituir Flemmings, e então o San Diego Loyal agiu.

“Nossos jogadores disseram que não iriam aceitar aquilo. Eles estavam conscientes naquele momento de que estavam abrindo mão de qualquer esperança de chegar aos playoffs. Eles estavam derrotando um dos melhores times da liga, mas disseram que não importa, que há coisas mais importantes na vida, que é preciso defender aquilo em que acreditamos. Então, eles tomaram a decisão de sair, e eu tenho um orgulho tremendo desse grupo e dessa organização de que faço parte”, contou Donovan.

O treinador do San Diego Loyal explicou ainda que, antes de falar com o técnico adversário, foi até a arbitragem pedir a expulsão de Flemmings, mas teve a seguinte resposta do árbitro: “Ele disse que ouviu a palavra, sabia que era uma palavra triste, mas não sabia o que ela significava e, então, não poderia interpretá-la e não queria expulsá-lo. Justo, eu o entendo, se você não fala uma outra língua, e ele não fala o que quer que aquilo tenha sido, jamaicano, então tudo bem”.

Elogiada, a ação de Donovan de retirar sua equipe de campo, abrindo mão do resultado, foi também consequência de um incidente que havia ocorrido na partida anterior, entre San Diego Loyal e LA Galaxy II. Naquele duelo, Elijah Martin, jogador negro do San Diego, foi alvo de ofensa racista por parte de Omar Ontiveros, do Galaxy II. Assim como Flemmings, Ontiveros não foi expulso, mas acabou suspenso mais tarde pela USL Championship. O Galaxy II, por fim, o cortou de seu grupo.