Gol contra no início do jogo, Bruno Fernandes desperdiçando seu primeiro pênalti desde abril de 2016… Os sinais pareciam apontar para mais uma noite daquelas ao Manchester United, mas uma avalanche de gols nos dez minutos finais de jogo deu aos Red Devils uma necessária e contundente vitória por 4 a 1 sobre o Newcastle neste sábado (17). Mata, como articulador, Rashford, com duas assistências, um pênalti sofrido e um gol marcado, e Fernandes, com o tento da virada e um passe para gol, foram os principais destaques individuais.

Depois de iniciar a temporada com duas derrotas em três jogos, incluindo a goleada histórica sofrida para o Tottenham na rodada passada, por 6 a 1, o Manchester United precisava dar uma resposta firme na volta à Premier League após as duas semanas de pausa para a data Fifa. Ainda que tenha dominado as ações ao longo do jogo, a vitória pareceu longe de estar garantida na maior parte do confronto, mesmo diante de um Newcastle que pouco ofereceu em termos de disputa. No fim, a qualidade individual de alguns nomes do elenco falou mais alto, e contra-ataques mortais a partir dos 41 minutos do segundo tempo vieram para decretar a vitória e dar um respiro a Ole Gunnar Solskjaer.

Dando uma chacoalhada no time, mas sobretudo poupando algumas peças para o duelo de terça-feira contra o PSG, na França, na estreia da Champions League, o técnico promoveu mudanças significativas em sua equipe. Pogba começou entre os substitutos, enquanto Martial e Greenwood não foram nem para o banco. No lugar dos atacantes, Solskjaer deu a titularidade a Daniel James pela ponta esquerda e a Juan Mata na direita, com Rashford ocupando a posição normalmente de Martial.

O espanhol, em especial, corresponderia à confiança com uma atuação sólida, dando articulação ao ataque do United com sua movimentação inteligente e os passes precisos. Mesmo James, que há muito tempo não tinha uma boa apresentação, agradou. O início de jogo, no entanto, esteve longe de ser tão positivo.

Tentando cortar um cruzamento, o criticado Luke Shaw, que teve em Alex Telles uma sombra no banco, acabou mandando contra a própria meta de maneira pitoresca, ainda aos dois minutos de jogo, abrindo o placar ao Newcastle.

O Manchester United respondeu aos 23 minutos com algo que não fazia há algum tempo: gol a partir de um escanteio. Juan Mata levantou na área, e Harry Maguire cabeceou para empatar. O tento foi muito bem-vindo ao zagueiro, que vem vivendo seu próprio pesadelo pessoal, começando mal a temporada após ser detido na Grécia, durante as férias, e tendo sido expulso na última partida da seleção inglesa na data Fifa durante a semana.

A resposta do Newcastle veio aos 30 minutos, com Allan Saint-Maximin, que ajeitou para dentro e bateu de média distância no ângulo direito de De Gea, forçando o espanhol a uma boa defesa.

Mesmo com mais volume de jogo e domínio da bola, o United viu o adversário mais uma vez chegar perto de marcar. Aos cinco minutos do segundo tempo, Saint-Maximin fez boa jogada individual pela esquerda e cruzou para a pequena área. Callum Wilson chegou a meia altura para completar de direita, mas De Gea fez excelente defesa, de puro reflexo, para evitar o 2 a 1 aos donos da casa.

Em contra-ataque aos dez minutos da etapa final, Rashford recebeu de Mata e partiu para dentro da área. De forma desastrada, Jamal Lewis solou o atacante, e a revisão do VAR confirmou o pênalti ao United. Na cobrança, Bruno Fernandes, que havia marcado um gol anulado por impedimento no primeiro tempo, tinha a oportunidade de se redimir – e se seu histórico fosse indício de qualquer coisa, conseguiria. A fase, no entanto, não é boa, e o português foi parado por Karl Darlow, perdendo seu primeiro pênalti desde abril de 2016.

Buscando a virada, Solskjaer promoveu duas alterações para a reta final de jogo. Aos 24 minutos, Pogba entrou no lugar de Fred. Sete minutos depois, foi a vez de Van de Beek ser chamado, para a saída de Daniel James. O neerlandês, em especial, seria essencial para a reação nos minutos finais.

Aos 41 minutos do segundo tempo, ainda no campo de defesa, Van de Beek tabelou com Bruno Fernandes e passou para Mata no círculo central. O espanhol ajeitou e lançou Rashford pela esquerda. O camisa 10 levou para dentro e, observando a passagem de Fernandes, tocou para o português. Sem muito ângulo, o meia ajeitou o corpo e bateu forte, lá onde a coruja dorme, para virar para os Red Devils.

Quatro minutos mais tarde, a exemplo da raridade do gol a partir de um escanteio e do pênalti perdido de Bruno Fernandes, Wan-Bissaka se lançou ao ataque, tabelou com Rashford e bateu forte e alto, na saída de Darlow, para ampliar para 3 a 1. Notavelmente mais defensivo que ofensivo, o lateral chegou a seu primeiro gol com a camisa do Manchester United.

No contra-ataque, Bruno Fernandes quase fez o quarto gol, mas seu chute passou rente à trave direita de Darlow. O tento derradeiro, no entanto, logo viria. Aos 51 minutos, McTominay recuperou a bola na entrada da área de defesa do United, e Fernandes pegou a sobra e lançou Rashford pela esquerda em bola longa. O camisa 10 dominou levando para dentro e bateu forte, cruzado, para fechar o 4 a 1.

Menos brilhante do que o resultado sugere, o Manchester United ainda tem um longo caminho mesmo para igualar o nível de atuações da reta final da temporada passada, e o objetivo da temporada atual, vale lembrar, era diminuir a distância para Liverpool e Manchester City.

Mais uma vez, a equipe teve certa dificuldade em derrubar a barreira defensiva adversária e só foi conseguir a vitória com transições ofensivas rápidas já no fim do jogo. Ainda assim, diante de toda a negatividade de um início frustrante de campanha e de uma janela de transferências insuficiente, um 4 a 1 é mais do que bem-vindo aos comandados de Ole Gunnar Solskjaer.

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