A seleção portuguesa chegou ao final da temporada com a sensação de “foi ruim, mas poderia ter sido muito pior”. A vitória sobre a Rússia, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo, deu sobrevida ao time dirigido pelo técnico Paulo Bento, que segue com chances de estar no Brasil no ano que vem. Três dias depois, nova vitória, desta vez diante da Croácia, em amistoso, serviu para manter o moral em alta.

No jogo que valia três pontos, disputado no lotado Estádio da Luz, em Lisboa, Portugal venceu não somente aos russos, mas também a uma barreira psicológica dura de lidar. Foi (somente na penúltima partida da temporada) o primeiro triunfo do time das quinas contra uma seleção de médio ou grande porte. Até então, as vitórias em 2012/13 tinham sido diante de Panamá, Luxemburgo e Azerbaijão (duas vezes).

O próprio Azerbaijão, aliás, havia servido de sparring para quebrar uma incômoda sequência de cinco compromissos sem vencer (derrotas para Rússia e Equador e empates contra Irlanda do Norte, Gabão e Israel).

Contra a Rússia, Cristiano Ronaldo e sua turma mostraram que, se estão longe de formar um time capaz de causar suspiros apaixonados nos torcedores, pelo menos podem ser mais competitivos do que haviam sido até então. O fator decisivo do jogo certamente pesou nessa mudança de postura, já que uma derrota provavelmente seria fatal para Portugal nas suas pretensões de disputar a Copa do Mundo.

Os três pontos somados na Luz, além de acabarem com a campanha 100% dos russos nas eliminatórias, ainda deram aos portugueses a liderança provisória do grupo. Provisória, porque a equipe, com 17 pontos, tem dois jogos a mais do que a própria Rússia (16 pontos) e um a mais que Israel (11 pontos). Com apenas mais três partidas a disputar, é improvável crer que os lusitanos conseguirão sustentar a liderança e, assim, obterem a classificação direta para o Brasil.

É por isso que Paulo Bento não se nega a dizer que está pensando nos playoffs (das nove equipes que ficarem em segundo lugar nas suas respectivas chaves, as oito de melhor aproveitamento vão a um mata-mata, definido por sorteio – desses confrontos, saem mais quatro classificados ao Mundial). Algo que, embora desconfortante, não é novidade aos portugueses, que se classificaram dessa maneira para a Copa do Mundo de 2010 e para a Eurocopa de 2012. “Acho que estamos dentro da realidade do que tem sido as nossas classificações”, avaliou o realista treinador.

Paulo Bento comemorou o fato de que seu time não sofre gols há três jogos (2 a 0 no Azerbaijão, 1 a 0 na Rússia e 1 a 0 na Croácia). De fato, é algo importante, já que a equipe vinha sendo vazada há cinco partidas consecutivas, nas quais tomara dez gols. Contra os russos, o goleiro Rui Patrício fez apenas três defesas, todas elas no segundo tempo – vale lembrar que a zaga teve o desfalque de Pepe, suspenso pelo acúmulo de cartões, que foi substituído por Luís Neto.

Contra a Croácia, o goleiro Eduardo precisou participar somente em três oportunidades – duas no primeiro tempo e uma no segundo. Foi também no amistoso diante dos croatas que o treinador mexeu bastante no time titular e promoveu as estreias de dois jogadores que nunca haviam jogado pela seleção: o zagueiro Sereno (emprestado pelo Porto ao Valladolid) e o meio-campista André Martins, do Sporting. Desde que assumiu o cargo, em 2010, já foram 15 atletas lançados por Paulo Bento na seleção.

A tarefa de Portugal para cruzar o oceano em 2014 continua sendo difícil, mas as últimas atuações deram uma mostra de que, com esforço e, principalmente, com a cabeça no lugar, isso pode ser possível. A próxima temporada começará com um amistoso contra a Holanda, dia 14 de agosto. Depois, virão os duelos pelas eliminatórias, diante de Irlanda do Norte (6 de setembro, fora de casa), Israel (confronto direto pelo 2º lugar, dia 11 de outubro, em casa) e Luxemburgo (dia 15 de outubro, também em casa). Tudo o que a seleção precisa é cumprir com a obrigação de ganhar os três duelos e depois, provavelmente, jogar a vida nos playoffs.

Para Portugal, o Brasil ainda não é logo ali. Mas pode ficar.