A esperança por um comando técnico melhor como prioridade fica em estado de espera quando o Brasil entra em campo pelas Eliminatórias. Nos 90 minutos de bola rolando seguintes ao apito inicial, espera-se a vitória, o resultado, e em algumas mentes cria-se até a esperança de que aquele seja o jogo em que algum progresso surgirá. O início de partida da Seleção contra o Uruguai, nesta sexta, na Arena Pernambuco, fazia parecer que o resultado talvez não fosse um problema desta vez. Um gol relâmpago e o 2 a 0 na metade do primeiro tempo pareciam indicar uma vitória, mas a Celeste se aproveitou dos defeitos de sempre do Brasil, que logo surgiram, e no segundo tempo conseguiu o empate em 2 a 2.

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Onze passes e 40 segundos após o início do jogo, o Brasil chegava a seu primeiro gol. Willian recebeu pela direita, livrou-se da marcação de Álvaro Pereira e cruzou para Douglas Costa, que apareceu na pequena área para fazer 1 a 0. O segundo gol quase veio na sequência. Neymar recebeu passe, dominou bem, ajeitou de cabeça e bateu forte e rasteiro, acertando a rede pelo lado de fora.

Aos 25 minutos, invertendo a bola através de passes curtos de um lado para o outro, com velocidade, o Brasil chegou ao segundo gol. Neymar tocou em profundidade para Renato Augusto, que com um drible de corpo espetacular deslocou Muslera do lance e fez 2 a 0, com tranquilidade. Se na China o meia não terá exposição e desafio suficientes para justificar por muito tempo sua convocação, na Seleção ele ainda pode fazer isso e aproveitou sua oportunidade.

O Brasil seguiu criando algumas chances no restante do primeiro tempo, mas nada tão incisivo quanto na primeira metade da etapa inicial, e logo o Uruguai se aproveitou da primeira das falhas de marcação da defesa brasileira. Aos 31 minutos, Álvaro Pereira cruzou, Filipe Luís não acompanhou Sánchez, e o volante ajeitou de cabeça para Cavani, livre, marcar. O atacante era responsabilidade de David Luiz, que não marcou ninguém no lance e deu início a uma noite para esquecer.

O dinamismo dos primeiros minutos de jogo não voltaram mais para o Brasil, e o segundo tempo foi especialmente desanimador. Defensivamente, entretanto, o time foi coerente com o que havia apresentado na primeira etapa, e logo aos 3 minutos do segundo tempo Luis Suárez fez o gol de empate da Celeste. Em poucos passes o time de Tabárez foi da defesa ao ataque, e o jogador do Barcelona recebeu, aproveitou a demora de David Luiz para fechar o espaço e finalizou forte para fazer 2 a 2, com alguma ajuda de Alisson, que não esperava o chute tão rápido.

Nos minutos finais, o Uruguai ainda pressionou bastante o Brasil, quase conseguindo o que seria uma virada impressionante na casa do adversário. A atuação brasileira no segundo tempo foi tão fraca que a impressão ao fim do jogo era de que o empate em casa era um lucro, levando em conta também o crescimento da Celeste.

É verdade que Neymar talvez seja jovem demais para ser capitão e que isso aumente ainda mais sua autopercepção de absoluto no time. É verdade que a Seleção conta com muitos atletas que ainda precisam de amadurecimento quando defendem seu país e que o time não parece preparado para lidar com situações adversas. Mas concentrar a discussão principal nos aspectos emocional e de experiência é um equívoco.

O time está claramente perdido taticamente, sem uma proposta de jogo clara e dependente demais dos talentos individuais. Que poderiam ser um grande diferencial para alçar o Brasil a uma das melhores seleções do mundo, mas que com um comando técnico tão fraco torna-se capaz apenas de decidir por períodos curtos de tempo, como aconteceu hoje. Neymar, Willian e Douglas Costa formam um ataque dinâmico e letal. No restante dos selecionáveis, há outra série de jogadores de talento. O problema não é de safra, e a maneira como o futebol de todas essas opções ofensivas tem sido desperdiçado é desolador. O talento, por si só, não será suficiente para que a equipe progrida significativamente na preparação para a Copa de 2018.