Ninguém espera se empolgar com a seleção brasileira nesses amistosos insossos pós-Copa. A gente sabe, os jogos em busca de dinheiro à CBF na Inglaterra não servem para provar qualquer coisa. Mas entre as muitas exibições sonolentas do Brasil, a desta terça-feira deixou alguns pontos positivos, ao menos. Tite foi forçado a substituir o lesionado Neymar logo nos primeiros minutos. Assim, o time contou com boas participações de Richarlison e Allan, os principais nomes na vitória por 1 a 0 sobre Camarões, no Estádio MK. Nem de longe a Seleção impressionou. Foi apenas cumpridora. Fecha o ano com uma impressão minimamente razoável, mas muito longe de cumprir todas as expectativas em 2018. Pior, com os atritos tirando o moral de Tite e seus comandados.

O treinador rodou bastante o time em relação à vitória sobre o Uruguai, na última sexta-feira. Apenas cinco jogadores foram mantidos na escalação titular: Danilo, Marquinhos, Arthur, Neymar e Roberto Firmino. Enquanto isso, as novidades eram Ederson, Pablo, Alex Sandro, Paulinho, Allan e Willian. Camarões, por sua vez, escalou uma equipe bastante jovem e com uma geração sem grandes estrelas. Eric Choupo-Moting e André Onana eram as duas referências no 11 inicial de Clarence Seedorf.

 

Allan mostrou serviço logo nos primeiros minutos, deixando o marcador no chão com um corte seco e exigindo a defesa de Onana. Porém, logo Tite seria obrigado a realizar sua primeira alteração. Aos seis, Neymar sentiu lesão muscular e foi substituído. A torcida inglesa, que aplaudia bastante o camisa 10, logo passou a vaiar a troca. Mas o fato é que Richarlison substituiu o craque à altura. Foi o melhor em campo no primeiro tempo, oferecendo velocidade pelo lado esquerdo e aparecendo para finalizar.

Com mais volume de jogo, o Brasil foi responsável pelas melhores oportunidades da etapa inicial, mas sem pressionar como poderia e nem demonstrar grande criatividade. Onana salvou as principais tentativas, adiando o primeiro tento. O goleiro espalmou um chute à queima-roupa de Roberto Firmino, além de feito milagre em cruzamento de Allan que Firmino tentou desviar. Mas logo na sequência desta última intervenção, já aos 44, saiu o tento. Willian cobrou o escanteio pela direita e Richarlison se antecipou à marcação, cabeceando cruzado, sem chances de defesa.

Na volta do intervalo, Tite mandou a campo Gabriel Jesus e Walace, nas vagas de Firmino e Paulinho. O segundo tempo foi mais aberto, com Camarões trabalhando os passes e saindo mais ao jogo. Apesar disso, quase o goleiro Fabrice Ondoa (que substituíra Onana no intervalo) entregou o ouro em saída errada, na qual a bola sobrou para Gabriel Jesus carimbar a trave com a meta aberta. Já do outro lado, a resposta veio com Stéphane Bahoken, que recebeu livre o cruzamento da direita e desviou para fora. O duelo ficou corrido, com os dois times acelerando mais o jogo e buscando os chutes de longa distância. Em uma dessas, Arthur soltou a bomba e acertou o travessão.

Embora Camarões tenha ficado um pouco mais com a posse de bola na reta final do jogo, saindo com calma a partir do campo defensivo, o Brasil criava as chances mais claras. Diferentes jogadores apareceram para finalizar, como Alex Sandro e Allan. Já a partir dos 40, quem deu show foi Ondoa, se redimindo das presepadas. Primeiro, pegou um chute forte de Allan dentro da área. Depois, o volante fez boa jogada pela linha de fundo e cruzou. Ondoa rebateu o arremate à queima-roupa de Jesus e fez defesa ainda mais difícil no rebote, se recuperando para salvar o gol quase certo de Richarlison. Nos acréscimos, Jacques Zoua acertou a trave de Ederson, em lance anulado por falta.

A seleção hiberna até março, o que nos livra do tédio de seus amistosos por quatro meses. E a impressão final do ano é que o time de Tite sai com uma imagem muito mais desgastada. Tudo bem, perder a Copa do Mundo tem um peso grande para deixar a impressão negativa. Mas também as atitudes não contribuíram, seja pelas insistências do treinador, seja pela empáfia de Neymar. Os últimos cinco meses parecem perdidos, sem testes suficientes que pudessem abrir o leque de opções no elenco rumo à Copa América. Se há algum motivo para se empolgar, é graças a alguns jogadores que começam a despontar, sobretudo Richarlison. Ainda assim, falta muito para a relação com a equipe oferecer o mínimo de ânimo. A tendência é mesmo querer mudar de canal durante os amistosos. Ou dormir profundamente no sofá.


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