Robin van Persie sempre buscou a perfeição. O garoto que cresceu podendo admirar craques como Dennis Bergkamp, Marco van Basten e Patrick Kluivert possuía excelentes espelhos em seu país. Ao longo da carreira, o holandês teve o prazer de trabalhar com todas essas lendas e descobrir um pouco mais da arte que forja um grande atacante. E, que as lesões tenham limitado um bocado o seu auge, Van Persie marcou o seu próprio nome, entre os melhores centroavantes da primeira metade da década. O veterano foi ídolo de Feyenoord, Arsenal, Manchester United e Fenerbahçe. Tornou-se o maior goleador da seleção holandesa. Empilhou mais de 300 tentos na carreira. E tamanha excelência se explica por sua qualidade refinada. Poucos artilheiros foram tão técnicos quanto ele nos últimos anos.

Uma imensa virtude de Van Persie estava na sua perna esquerda. Não havia posição, distância ou ângulo para a canhota do matador. Embora marcasse também seus gols com a direita, a precisão do holandês com seu “pé bom” era impressionante. E, muitas vezes, bastava o mínimo contato. Um só toque e, boom!, redes estufadas. A exatidão do centroavante tantas vezes mandou a pelota bem longe do goleiro – o que incluía os chutes de fora da área e as cobranças de falta em seu arsenal de possibilidades.

Van Persie, além do mais, sabia como conduzir. Não era o atacante que gostava de se livrar da bola, longe disso. Ele gostava mesmo de se livrar dos marcadores, com dribles curtos e fintas mudando de direção repentinamente. Sobretudo em seus tempos de Arsenal, quando não atuava necessariamente como homem de referência, o holandês entortava os joões. Abria caminho para, de frente ao goleiro, executar sua maestria nos arremates.

Porém, há uma característica fundamental a Van Persie: o domínio do corpo e do espaço ao seu redor. Era o que permitia ao artilheiro girar para encontrar a melhor opção, era o que garantia a postura correta para finalizar em meio aos defensores, era o que possibilitava o posicionamento ideal para resolver. E isso se convertia não apenas em seus gols acrobáticos, que colecionou. Também ajudava em suas cabeçadas, dominando a área. O gol contra a Espanha na Fonte Nova, epítome de sua carreira, é o melhor exemplo deste controle excepcional.

Neste domingo, Van Persie pendurou as chuteiras. Aos 35 anos, o corpo exausto pela rotina e pelas lesões ganhará um descanso. O atacante recebeu uma enorme homenagem no Estádio de Kuip, despedindo-se com a camisa do Feyenoord, seu clube de coração. E, para exaltar Van Persie, fizemos uma seleção especial de 25 gols, entre mais de 250 visualizados. São 25 pinturas do craque.

A lista não contém necessariamente os mais bonitos, porque a falta de imagens melhores fez alguns golaços serem descartados. Todavia, o apanhado serve justamente para apresentar a técnica apurada do veterano. O formato não é o ideal, em GIF, por questão de direitos e para uma escolha mais delimitada. De qualquer maneira, já serve para apresentar um pouco de sua maestria e representar os diferentes períodos da carreira. Desfrute:

Destruindo a defesa

Matando a coruja com uma falta

Aplicando uma meia-lua desconcertante no marcador

De cavadinha, na final

Transformando perfeição em voleio

Mostrando que aprendeu alguma coisa com Cruyff

Criando uma brecha onde não existia

Pegando na veia

Dominando o espaço

No canto do goleiro, indefensável

Por cima da barreira, indefensável

Encontrando os atalhos do campo

Jogando futsal na grama

Resolvendo em um só toque

Usando o calcanhar

Deixando o beque no chão

Garantindo o título do jeito mais apoteótico

Caprichando na acrobacia

Guardando o zagueiro no bolso

Fintando até o câmera

Olé no goleiro

Chutando na gaveta

Soltando um míssil de falta

Matando no peito e fuzilando

E aquele gol em Salvador…