O término da fase de grupos da Copa do Mundo é o momento ideal para que os primeiros balanços sobre a competição sejam feitos. Já houve tempo suficiente para que as equipes mostrassem suas armas, o número de participantes cai pela metade e os craques começam a despontar. Assim, já dá para imaginar quais são as formações ideais, entre os jogadores que mais se destacaram. Os mata-matas exigem bastante, sob níveis elevados de temperatura e pressão. Em compensação, fase a fase eles vão limando os protagonistas que fizeram e poderiam fazer a diferença no Mundial.

Abaixo, há uma lista de destaques individuais até o momento, posição por posição. A seleção não tem pretensão de ser definitiva e, por isso mesmo, menciona vários nomes. De qualquer forma, são escolhas subjetivas e um ou outro jogador que se saiu bem pode não constar na relação, assim como alguém pode estar sobrando. A divisão por posições também não tem o intuito de ser tão rigorosa, já que nem sempre é possível comparar funções e atributos dentro de esquemas táticos. É apenas uma organização aproximada sobre qual o papel principal de cada atletas, para facilitar a leitura. No mais, a caixa de comentários está aberta a acréscimos e críticas. Confira:

Goleiros

Uma posição pressionada, mas não tão exigida nesta fase de grupos da Copa do Mundo. Não foram muitos os goleiros que colecionaram defesas espetaculares por suas seleções a cada partida, assim como isso não necessariamente funcionou para a classificação – e que o diga Cho Hyun-woo, que guardou um milagre por confronto e nem assim evitou a queda precoce da Coreia do Sul, embora tenha frustrado a Alemanha. Em termos de regularidade e sucesso, alguns outros chamam a atenção.

Rui Patrício transmite muita segurança à seleção portuguesa e se saiu bem na maioria das vezes quando exigido, sobretudo nas duas rodadas finais. Kasper Schmeichel foi outro que fez uma primeira fase bastante linear, com intervenções decisivas, mas também passando confiança em chutes despretensiosos e algumas saídas. Já na meta mexicana, Guillermo Ochoa talvez fosse escolha certa como 1 ideal desta etapa inicial do Mundial, com algumas intervenções fantásticas, mas os três gols da Suécia (que não foram sua culpa, é verdade), pesam um pouco contra na balança. Mas nada que tire seu bom desempenho até aqui. E vale destacar David Ospina, que segurou o quanto pôde o Japão na estreia, além de ter mantido a meta invicta nos dois outros jogos, principalmente contra a Polônia.

Entre as menções, honrosas, há tantos goleiros que fizeram uma partida excelente ou que realizaram boas defesas ao longo da fase de grupos, mas com alguns deslizes ou partidas tímidas. São os casos de Mohamed El-Shenawy, Alireza Beiranvand, Hannes Halldórsson ou Jaime Penedo.

Laterais

Uma das posições mais carentes do futebol mundial, teve exigências basicamente defensivas nesta Copa do Mundo. Não foram tantos os laterais que sobraram assim por aquilo que ofereceram ao ataque. Até pelos sistemas que prevaleceram em muitos jogos, segurar a pressão de um ponta mais renomado vale pelo reconhecimento.

Na direita, talvez os que melhores contribuíram com gols e boas jogadas foram aqueles sem tantas incumbências na marcação, conforme o sistema de suas equipes. Kieran Trippier e Thomas Meunier apareceram bastante exatamente por isso, e o reconhecimento é natural. Com a liberdade encontrada pela Rússia nos dois primeiros jogos, Mario Fernandes é outro que agradou, importante no apoio e sólido na marcação. O Irã não chegou longe, mas Ramin Rezaeian mostrou personalidade. Stephan Lichtsteiner pode ser um jogador de limitações técnicas, mas cumpriu bem seu papel na lateral da Suíça, bem na marcação. A Colômbia possui uma de suas principais válvulas de escape em Santiago Arias, um lateral de boa projeção para aproveitar os espaços dos pontas. Menção honrosa ainda a Luis Advíncula, capaz até de alterar a escalação da França por sua potência.

A esquerda teve um pouco mais de dificuldades para apresentar bons laterais nesta fase de grupos. A Suécia foi uma das raras seleções a ver um jogador da posição se tornar um tanto quanto protagonista da equipe, com Ludwig Augustinsson encadeando aparições importantes. O México também teve uma peça importante em Jesus Gallardo, ótimo no confronto com a Alemanha. Ivan Strinic pode não ser o primeiro nome que vem à mente quando se fala da Croácia, mas complementou bem a linha defensiva e ajudou a encaixotar os perigos adversários quando esteve em campo. Na Islândia, o poder de marcação e no jogo pelo alto foi decisivo para Hördur Magnússon se destacar. E que não tenha sido o primor de outros momentos, Ricardo Rodríguez ainda é um acréscimo importante nas subidas da Suíça pelo trato refinado com a bola. Ainda houve Aleksandar Kolarov, brilhante em certos momentos, sumido em outros, mas destaque cabal da Sérvia.

Zagueiros

Esses, sim, tiveram que trabalhar bastante ao longo da Copa do Mundo. O nível de concentração valeu demais a alguns zagueiros que se destacaram na fase de grupos, assim como a capacidade para fazer cortes cruciais ou aturar a correria de contra-ataques fulminantes. Não seria exagero dizer que a lista de dez melhores jogadores desta fase de grupos deve incluir ao menos três na zaga.

Na primeira prateleira, surgem alguns nomes. Diego Godín é um zagueiraço há anos e sempre prova sua importância ao sistema defensivo do Uruguai. Se a Celeste manteve a meta invicta durante os três primeiros jogos, deve bastante ao seu líder, soberbo em várias ações – além de bem acompanhado, entre as aparições vitais de José Maria Giménez. Thiago Silva é outro que faz um Mundial impressionante. O Brasil não tomou sufoco muito por sua segurança, tanto por baixo quanto pelo alto. Ainda seria premiado com um gol importante, sobrepondo com técnica os questionamentos sobre o seu emocional. Já pela Suécia, não há como falar sobre o sucesso da equipe sem passar por Andreas Granqvist. O capitão pode ser lento, mas é um paredão aos escandinavos e possui uma clara liderança na maneira como o time atua.

Um pouco mais abaixo, outros nomes pertinentes. Giménez e Miranda são ótimos escudeiros aos companheiros que se destacam mais. Pepe foi crucial em diferentes momentos a Portugal. Simon Kjaer é uma das raras razões à vida longa da Dinamarca, enquanto a classificação da Suíça entra muito na conta do que Manuel Akanji jogou nas duas primeiras partidas. E ainda há um Yerry Mina escanteado na estreia, mas que transformou a sorte da Colômbia por seus gols no ataque, mas também pela agressividade atrás.

Volantes / Meio-campistas centrais

Em um jogo no qual o domínio dos espaços é tão importante, cobrir os companheiros e preencher boa parte do campo pode ser um diferencial às equipes. Há aqueles que parecem se multiplicar em campo para fazer o seu serviço. E ao menos defensivamente, a Copa apresentou um punhado de volantes que jogaram muito sem a bola. Enquanto isso, o refinamento necessário para fazer a ligação das equipes não foi tão numeroso assim, mas contou com seus cracaços.

A França não seria tão respeitada sem N’Golo Kanté, um herói silencioso por tudo o que garante ao time. Sua entrada na cabeça de área é vital para considerarmos os Bleus verdadeiros candidatos ao título e ele corresponde. O Brasil teve o mesmo em Casemiro. Pode ter errado algumas saídas neste Mundial, mas o que realiza sem a bola é impressionante, se desdobrando para cobrir subidas dos laterais e se somando à dupla de zaga na proteção. Héctor Herrera foi incansável no meio-campo do México, dando muito da intensidade que se viu nos primeiros jogos da equipe. Jordan Henderson é o vértice da Inglaterra, não apenas pelo conforto que permite ao meio, mas também por seus lançamentos. O veterano Valon Behrami vive seu melhor momento na quarta Copa e trancou a intermediária da Suíça em diferentes momentos. E há justas menções a Roman Zobnin, Saeid Ezatolahi e Alfred N’Diaye.

Já àqueles que dão fino trato à bola, alguns nomes são óbvios. Luka Modric é o rosto da campanha louvável da Croácia, jogando como cabeça de área ou um pouco mais à frente, sempre com a mesma elegância. A atuação destruidora contra a Argentina fica para a história, ao lado do também ótimo Ivan Rakitic. Kevin de Bruyne não consegue ser tão preponderante quanto é no Manchester City, mas distribui o seu talento para a Bélgica em forma de passes deslumbrantes. Paul Pogba, por outro lado, não impacta tanto quanto se imagina que poderia, mas seu nível de apresentações é muito bom, combinando força física e capacidade no apoio, decisivo à França. E o Japão teve um nome muito importante em Gaku Shibasaki, segundo volante que faz a equipe funcionar com muito dinamismo, a partir de seu controle pela faixa central. Vale ainda lembrar de Ever Banega, que não jogou tanto à Argentina, mas valeu demais para a classificação.

Meias-armadores / Pontas

Em um futebol no qual o papel de todos com e sem a bola é bastante explícito, fica um pouco mais difícil diferenciar os jogadores do meio-campo entre incumbências. Alguns mais sobrecarregados defensivamente, ainda assim, podem ser os cérebros do time – caso dos supracitados Luka Modric e Kevin de Bruyne. Mas há aqueles claramente escolhidos não necessariamente pelo equilíbrio, mas sim por conseguirem desequilibrar quando estão com a posse. Há meias se sobressaindo neste sentido.

Philippe Coutinho é um deles. Comparando a posição, não seria nada diferente do que ocorreu com Modric diante da Argentina, por exemplo. Mas a tarefa do brasileiro é muito mais dar a capacidade ofensiva ao setor. Faz isso muitíssimo bem, com seus gols importantes e também os passes verticais que aceleram o jogo do Brasil. Andrés Iniesta também se destaca nesse sentido. A idade pesa sobre as pernas, mas não atrapalha o cérebro. Erro contra o Marrocos à parte, valeu demais por seu talento para quebrar as marcações. A Rússia tem um garoto como seu maestro, com Aleksandr Golovin primando na criação, sobretudo na goleada sobre a Arábia Saudita. E quem fez o time girar ao seu redor foi Juan Fernando Quintero, tornando-se imprescindível à Colômbia quando não se esperava tanto, dono de uma canhota talentosíssima.

Entre os que atuam pelo lado do campo, outras menções pertinentes. Denis Cheryshev foi de solução apressada a toque de talento no ataque da Rússia, com seus golaços. Isco mostra na seleção espanhola como é um jogador capaz de ser considerado entre os melhores do mundo, pela maneira como não se esconde e flutua por todos os lados do campo, partindo da esquerda. Hirving Lozano foi infernal pelo lado esquerdo mexicano, fazendo diversos marcadores comerem poeira em suas arrancadas. Takashi Inui se tornou a bola de segurança do Japão em tantas partidas, com o jogo passando bastante por ele. E que a campanha tenha se encerrado precocemente, Nordin Amrabat se valeu pela enorme personalidade com Marrocos.

Atacantes

É uma Copa do Mundo dos homens de área, que brigam por espaços fechados e sabem destrancar as defesas em busca do gol. Mas que também oferecem algo a mais, entre a boa mobilidade, o posicionamento perfeito, o giro imparável ou aquele toque de classe que desmonta os adversários.

Romelu Lukaku faz uma Copa excelente, justamente por potencializar a linha ofensiva da Bélgica. Sua inteligência para se movimentar vale demais, ainda que seja preciso exaltar também o trabalho de seus companheiros na frente. Ora como pontas, ora como meias, ora como atacantes de apoio, Dries Mertens e Eden Hazard brilham por essa multiplicidade. No mesmo grupo, ainda houve Harry Kane, pontual e letal, que ainda pode ser melhor por aquilo que apresenta além dos gols. Cristiano Ronaldo é outro que se põe um passo à frente, sublime contra a Espanha por chamar o jogo de todas as maneiras, antes de resolver contra Marrocos. E Diego Costa está entre os melhores justamente por oferecer algo além do trivial à Espanha, encarando a marcação e fazendo uma função bastante específica dentro de sua equipe. Tem funcionado.

Outros ainda aparecem bem. Artem Dzyuba ascendeu na seleção russa, virando o ponto de referência para as bolas longas. Ahmed Musa alternou momentos, mas a partidaça contra a Islândia vale menção, brilhante nos dois tentos e imparável nas arrancadas. Aleksandr Mitrovic resolveu menos do que poderia pela Sérvia, mas deu trabalho aos marcadores. Ola Toivonen foi muito funcional à Suécia e ao estilo aplicado ao longo da fase de grupos, além do belo tento contra a Alemanha. Son Heung-min carregou o ataque da Coreia do Sul em muitos momentos, por mais que tenha caído também pelas pontas. E há aqueles de quem definitivamente se espera mais, embora tenham sido preponderantes às suas seleções, como Edinson Cavani ou Paolo Guerrero.