O período dourado do Calcio, entre as décadas de 1980 e 1990, não permitiu apenas que as grandes forças italianas montassem esquadrões históricos. Diversos clubes do país tiveram seu lugar ao sol e alguns deles puderam até mesmo ampliar suas dimensões. Um dos principais exemplos é a Sampdoria. Embora tradicional, a equipe da Ligúria não tinha qualquer troféu de primeiro nível em seu museu e almejava se colocar entre os melhores. Ao longo de anos mágicos no Marassi, os blucerchiati faturaram os principais títulos do país e também fizeram bonito além das fronteiras. Sua grande conquista nos torneios continentais ocorreu há exatos 30 anos, em 9 de maio de 1990, quando a Samp derrotou o Anderlecht e levou a Recopa para casa.

A partir da fusão que a formou, em agosto de 1946, a Sampdoria manteve um papel de figurante na Serie A. Não tinha a tradição do rival Genoa, mas por vezes descolava uma boa campanha, com destaque à quarta colocação conquistada em 1960/61. Mais importante, os blucerchiati não costumavam correr muitos riscos de rebaixamento durante os primeiros anos de sua existência. Entretanto, a manutenção na elite se tornou mais difícil durante a década de 1970 e, após a queda em 1976/77, os genoveses precisaram amargar uma sequência de cinco temporadas na segunda divisão do Campeonato Italiano. Foi quando iniciou-se sua revolução interna.

O período de vacas magras serviu para que a Sampdoria ganhasse novas perspectivas. Enquanto o Calcio se abria para a contratação de estrangeiros, o clube também ganhou um novo dono: Paolo Mantovani, empresário que fez fortuna no ramo petrolífero. Com seus cofres cheios graças à alta do petróleo nos anos 1970, ele passou a investir também no futebol. Aproximou-se primeiro do Genoa, antes de integrar a direção da Sampdoria a partir de 1973. Com o time em baixa na Serie B, o magnata viu a oportunidade de negócio e comprou os blucerchiati em 1979. Acabaria se tornando um dos grandes mecenas durante a era de ouro da Serie A.

Mantovani enfrentou suas turbulências durante os primeiros anos, não só dentro de campo. Se o time ainda levou um tempo para selar o acesso, o magnata também viu alguns sócios fugirem da Itália, acusados de fraude, e até mesmo precisou ser submetido a uma cirurgia cardíaca, após infartar. Mesmo assim, manteve-se no comando da Sampdoria e levou o clube de volta à primeira divisão em 1982. O empresário agregava um pouco de sua visão nos negócios ao Marassi, transformando o modelo de gestão. Acima disso, a base do sucesso estaria na contratação de bons jogadores.

Em suas duas primeiras temporadas de volta à Serie A, a Samp emendou um sétimo lugar e depois um sexto. Já em 1984/85, ficou claro que os lígures estavam no caminho certo. A equipe conquistou o primeiro título de elite em sua história, ao derrotar o Milan na final da Copa da Itália. Também repetiu sua melhor posição na liga, com a quarta colocação, a apenas seis pontos do campeão Verona. Neste momento, os blucerchiati costumavam distribuir suas vagas a estrangeiros entre jogadores oriundos do futebol inglês. Trevor Francis e Liam Brady foram os primeiros contratados, antes que Graeme Souness chegasse do Liverpool para ser decisivo na Coppa. Outro medalhão trazido foi Ivano Bordon, ídolo da Internazionale e reserva de Dino Zoff na Copa de 1982. Todavia, as melhores apostas se concentravam em promessas italianas.

A Sampdoria contratava jovens talentos que surgiam em outros clubes de médio porte na Itália e, assim, passou a formar a espinha dorsal de seu esquadrão. Ainda na segundona, Mantovani tirou do Como o stopper Pietro Vierchowod, que ganhava suas primeiras convocações à seleção. O defensor seria emprestado a Fiorentina e Roma nas temporadas seguintes, ganhando a Copa do Mundo neste intervalo, antes de ser integrado pela Samp. Logo após o acesso, Mantovani também pagou uma fortuna para levar do Bologna a revelação da Serie A 1981/82, um atacante de 18 anos chamado Roberto Mancini. Duas temporadas depois, fisgariam o destaque da Cremonese na segundona: Gianluca Vialli, então com 20 anos. O futuro capitão Luca Pellegrini e o regular meio-campista Fausto Pari vieram na mesma época.

Absolvido dos processos judiciais contra seus negócios, Mantovani deixou de lado as suas empresas e passou a se dedicar mais à presidência da Sampdoria. A partir da conquista da Copa da Itália, os blucerchiati se firmaram como uma das equipes mais promissoras (e copeiras) da Serie A. Para tanto, também fizeram uma contratação de peso ao comando técnico a partir de 1986/87. O treinador na primeira taça era Eugenio Bersellini, que havia levado o Scudetto com a Internazionale antes de chegar ao Marassi. Com a queda de desempenho na temporada 1985/86, em que o time fechou o Campeonato Italiano no 11° lugar, Mantovani não teve problemas em demiti-lo e trazer Vujadin Boskov ao posto.

Boskov era visto como um técnico de ponta no futebol europeu, com direito a uma passagem pelo Real Madrid no início da década – com o qual alcançou uma final de Champions em 1981. O iugoslavo tinha a fama de valorizar a preparação física e a psicológica, além de mesclar talento individual e inteligência tática em seus times. Narciso Pezzotti, seu braço direito, seria o responsável pelos treinos. Tornariam-se mentores da revolução na Ligúria, com boas campanhas frequentes na Serie A e o brilho nas copas. Mantovani tinha um objetivo claro: queria levar o Scudetto de volta a Gênova, como não ocorria desde 1924.

A Sampdoria continuou bastante ativa no mercado de transferências. Boskov renovou sua legião estrangeira, com a saídas de Francis e Souness. Para as suas vagas, aportavam Toninho Cerezo e Hans-Peter Briegel, dois jogadores bastante dinâmicos e experientes no Calcio, após passagens relevantes por Roma e Verona. Também ocorria a aposta em Gianluca Pagliuca, outra revelação do Bologna, visto como futuro dono da camisa 1. Como consequência, a equipe ganhou posições na tabela e fecharia a Serie A 1986/87 na sexta colocação. O crescimento seria paulatino, com sucessos na Copa da Itália a partir de então e presença constante nas copas europeias.

No final dos anos 1980, a Sampdoria se firmou como um dos times mais qualificados da Serie A. Fechou a campanha em 1987/88 com a quarta colocação, ao mesmo tempo em que voltou a faturar a Copa da Itália. A Internazionale ficaria pelo caminho na semifinal, antes que os genoveses superassem o Torino na decisão. E o sonho de uma potência nacional pareceu ainda mais concreto em 1988/89, mesmo com a quinta colocação na Serie A. Os blucerchiati levaram o bicampeonato na Coppa, com uma caminhada notável. Eliminaram as ascendentes Fiorentina e Atalanta, antes do triunfo sobre o poderoso Napoli na final. A equipe de Maradona e Careca até ganhou a ida no San Paolo por 1 a 0. Contudo, na volta, a Samp goleou por 4 a 0 e se coroou.

A temporada de 1988/89 serviu para a Sampdoria também conquistar seu respeito além das fronteiras. Os genoveses triscaram a Recopa Europeia, sucumbindo apenas na decisão. A Samp eliminou alguns times cascudos durante a caminhada. Superou Norrköping e Carl Zeiss Jena nas etapas iniciais, antes de despachar com dois empates o Dinamo Bucareste, cheio de jogadores da seleção romena. Nas semifinais, os italianos ganharam as duas partidas contra o Mechelen-Malines, dono da taça na temporada anterior. O limite aos comandados de Vujadin Boskov seria mesmo a final, em Berna, contra o Barcelona. A equipe de Johan Cruyff se aprumava e venceria por 2 a 0, gols de Julio Salinas e Luis López Rekarte.

A sensação de que algo grandioso aguardava a Sampdoria aumentava. As finanças se tornavam mais robustas com o patrocínio da ERG, grupo industrial de Gênova. Mancini e Vialli formavam uma dupla de ataque espetacular, os chamados “Gêmeos do Gol”, capazes de contribuir com 47 tentos por todas as competições em 1988/89. Apesar das investidas insistentes das potências locais na contratação de ambos, os blucerchiati não abriam mão de seus craques. Além do mais, a base da equipe ganhava força. Briegel se aposentou em 1988, mas o espanhol Víctor Muñoz ocupou sua vaga para estrangeiros. O meio-campista Giuseppe Dossena e o lateral Amedeo Carboni eram outros com boa bagagem que vieram antes do vice na Recopa. E os horizontes se abririam um pouco mais em 1989/90.

Com a permissão à contratação de um terceiro estrangeiro, a Sampdoria foi atrás de Srecko Katanec. O volante era titular na seleção da Iugoslávia e, na temporada anterior, chegou à final da Copa da Uefa com a camisa do Stuttgart. E não que os blucerchiati abandonassem sua estratégia de caçar talentos em clubes periféricos da Itália. O elenco se encorpava com as compras do meio-campista Giovanni Invernizzi e do ponta Attilio Lombardo, que acabariam marcando os seus nomes na Ligúria.

Derrotada pela Internazionale na Supercopa Italiana, a Sampdoria teria um desempenho razoável nas competições nacionais em 1989/90. Os blucerchiati não conseguiram o tri da Copa da Itália, eliminados pela futura campeã Juventus na antiga fase de grupos. Já na Serie A, o Scudetto pareceu assunto sério no Marassi durante o primeiro turno. A equipe de Vujadin Boskov derrotou Internazionale e Roma, enquanto arrancou empates de Napoli e Milan. Permaneceu nas primeiras posições durante a metade inicial e, em meados de dezembro, ocupou a vice-liderança. Todavia, o segundo turno se provaria duro demais, sem que os lígures acompanhassem o ritmo de Napoli e Milan. A quinta colocação ao final, com direito a um triunfo sobre os napolitanos, ainda assim era digna.

E a verdadeira glória da Sampdoria ocorreu na Recopa Europeia, afinal. Desta vez os genoveses não titubearam e terminaram levando o troféu para casa. Diferentemente do que acontecera na campanha anterior, os representantes italianos passaram bem menos aperto nas fases de classificação. Não à toa, encerrariam a jornada de forma invicta, com sete vitórias em seus nove compromissos no torneio continental.

A Recopa Europeia era vista como prioridade pela Sampdoria. Por isso mesmo, Boskov escalava o melhor que tinha à disposição desde as etapas iniciais. A equipe começava suas formações com Pagliuca, um jovem goleiro de 23 anos que ganharia suas primeiras convocações à seleção pouco antes da Copa de 1990. Vierchowod era o pilar no sistema defensivo, com a presença importante também do capitão Pellegrini, além dos laterais Carboni e Mannini. Com os veteranos Toninho Cerezo e Víctor Muñoz mais poupados à Serie A, Katanec era a referência estrangeira na Recopa, acompanhado muitas vezes no meio por Pari, Dossena e Invernizzi. Já na frente, Mancini e Vialli se combinavam para os gols, com o apoio de Lombardo e Fausto Salsano.

A campanha começou na Noruega, contra o Brann. Os escandinavos até contavam com alguns jogadores de seleção, mas não botavam muito medo, vice-campeões da copa nacional após a derrota para o Rosenborg na final. A Sampdoria ganhou logo a ida por 2 a 0. O primeiro gol nasceu numa linda troca de passes, até que Vialli dominasse e mandasse por entre as pernas do goleiro. Já no segundo tempo, Mancini fechou a contagem. Muñoz inverteu com precisão, para o jovem atacante matar no peito, disparar e tocar por cima do arqueiro. Na volta, Katanec completou a missão e assegurou o triunfo por 1 a 0, desviando um chute cruzado dentro da área.

O resultado colocava a Sampdoria nas oitavas de final. Seu próximo adversário merecia mais respeito: o Borussia Dortmund. A década de 1980 não guardou muitas alegrias à torcida aurinegra, mas o título na Copa da Alemanha de 1989 servia de bom presságio ao que viria nas temporadas seguintes. O Werder Bremen de Otto Rehhagel carregava amplo favoritismo, mas acabou tomando uma goleada por 4 a 1 no Estádio Olímpico de Berlim. Antigo ídolo do Borussia Mönchengladbach, Horst Köppel era o treinador do BVB. Já dentro de campo, o veterano atacante Frank Mill liderava uma geração que se tornaria frequente nas convocações da seleção alemã: Andreas Möller e Thomas Helmer puxavam a fila, em equipe que também também possuía Michael Schulz e Michael Zorc. O “irmão mais novo” Michael Rummenigge, após anos vitoriosos no Bayern, era outro importante atleta.

O primeiro confronto aconteceu no Westfalenstadion, com mais de 45 mil torcedores ocupando as arquibancadas. Diante dos perigos que o adversário poderia representar, o empate por 1 a 1 foi um bom resultado à Sampdoria. Num lance de insistência, Jürgen Wegmann abriu o placar ao Dortmund aos 19 do segundo tempo. A igualdade só sairia aos 44, num chutão que a zaga aurinegra não cortou e sobrou para Mancini fuzilar. Ficaria um pouco mais fácil para buscar o resultado em casa.

Dentro do Marassi, a vitória da Sampdoria por 2 a 0 contou com o papel decisivo de Vialli, após minutos em que o Dortmund se mostrava mais preparado fisicamente. O camisa 9 sofreu pênalti e o converteu com cavadinha aos 28 do segundo tempo, aproximando a classificação. E a festa ficou completa aos 43, a partir de uma boa jogada de Mancini pela direita. O cruzamento rasteiro veio manso, mas, com a zaga desmontada, Vialli pôde dominar e bater com estilo para vencer o goleiro Wolfgang de Beer.

As duas primeiras fases aconteceram entre setembro e outubro de 1989, quando a Sampdoria mantinha suas expectativas na Serie A e na Copa da Itália. Naquela época, porém, a reta final das copas europeias ficava reservada ao último trimestre da temporada. As quartas de final só ocorreram em março de 1990, num momento em que os blucerchiati já tinham caído na Coppa e estavam um pouco mais distantes dos líderes no Italianão. Assim, as fichas se concentravam no torneio continental. O Grasshopper seria o próximo oponente.

Ainda que a Suíça não fosse exatamente uma potência, o Grasshopper vinha de trabalhos interessantes naqueles tempos. Os alviazuis emendariam dois títulos do Campeonato Suíço e três da Copa da Suíça na virada de década. O treinador responsável pelos sucessos dos gafanhotos era Ottmar Hitzfeld, que consolidava sua carreira à beira do campo. E alguns jogadores relevantes, que comporiam a seleção nas competições internacionais disputadas nos anos 1990, davam peso ao elenco. Alain Sutter era o craque da companhia, apoiado por Thomas Bickel, Marcel Koller e André Egli.

Desta vez, a Sampdoria começou a resolver sua vida dentro de casa. Os blucerchiati ganharam o primeiro duelo no Marassi por 2 a 0. Uma cobrança de falta de Mancini permitiu a Vierchowod anotar o primeiro de cabeça, aos 13. Já no segundo tempo, Urs Meier anotou um golaço contra, em peixinho que deixou todos atônitos. Com a classificação encaminhada, a Samp repetiu o triunfo na Suíça. Mais uma falta de Mancini ajudou Toninho Cerezo a assinalar o primeiro. Thomas Wyss até empatou com um chute forte no segundo tempo, mas a “Águia Careca” Lombardo assegurou o placar de 2 a 1, ao completar com o peito o cruzamento de Mancini.

O sarrafo aumentou um pouco mais na semifinal. A Sampdoria teria pela frente o Monaco, que herdou a vaga na Recopa porque perdeu a decisão da Copa da França ao dominante Olympique de Marseille. Os alvirrubros tinham faturado a Ligue 1 pouco antes e eram um dos raros times a fazer frente aos marselheses naquela virada de década. O mentor chamava-se Arsène Wenger, então um iniciante treinador que ganhava fama por sua forma particular de ver o jogo.

O Monaco desfrutava de uma lista considerável de selecionáveis da França em seu elenco – com menções principais ao novato Emmanuel Petit e ao goleiro Jean-Luc Ettori, mas também com o apoio de José Touré, Marcel Dib e Luc Sonor. O talento, de qualquer maneira, se concentrava mais à frente. Ramón Díaz vinha de uma baita temporada com a Internazionale, mas terminou dispensado por causa da contratação de Jürgen Klinsmann. O argentino acompanhava George Weah, descoberto pouco antes no Tonnerre Yaoundé e já impressionando os europeus com sua ferocidade. Os ingleses Glenn Hoddle e Mark Hateley eram outros estrangeiros no grupo, mas pouco atuaram naquela temporada.

O Estádio Louis II recebeu a partida de ida com um clima incendiário. A atmosfera ruidosa não indicava apenas a empolgação com o Monaco, mas também uma invasão italiana. Milhares de genoveses fizeram o percurso de 200 km até o principado. Os anfitriões começaram pressionando, até Weah abrir o placar de cabeça aos 44 minutos. A Sampdoria cresceu na volta do intervalo e virou o placar por volta dos 30 minutos do segundo tempo. Após um pênalti bastante reclamado pelos monegascos, Vialli empatou com mais uma cavadinha. E seria dele o segundo, três minutos depois, completando de cabeça o cruzamento de Mancini. Só que o Monaco tinha bala na agulha e determinou a igualdade em 2 a 2. A dez minutos do fim, o chute de Ramón Díaz desviou e encobriu Pagliuca.

Já na segunda partida, a Sampdoria não deu tantas chances ao Monaco, com a vitória por 2 a 0. Os lígures começaram com tudo e, antes dos 15 minutos, a parada estava encaminhada. O tento que abriu o placar veio com Vierchowod. A zaga adversária parou após cobrança de escanteio e, com mais um cruzamento perfeito de Mancini, Katanec ajeitou para o defensor concluir a tarefa. E, num avanço rápido, Carboni cruzou para Lombardo escorar, anotando o segundo. A Samp se manteve em cima depois disso, levando muito perigo nos contragolpes e nas bolas alçadas na área. O Monaco só deu trabalho na etapa complementar, mas sairia frustrado. Foram duas bolas na trave, além de um bem anulado tento de Weah.

A decisão, por fim, estava marcada para a Suécia. Futuro palco da final da Euro 1992, o Estádio Ullevi, em Gotemburgo, seria o novo território a ser invadido pelos blucerchiati. Mas o adversário não permitia que a Sampdoria se descuidasse: o Anderlecht sempre beliscava os títulos no futebol belga e também costumava chegar longe em suas participações continentais. Após um título e um vice na Copa da Uefa durante a primeira metade dos anos 1980, os Mauves voltavam a uma decisão europeia após seis anos. Neste intervalo, haviam derrubado clubes como Bayern de Munique, Steaua Bucareste, Werder Bremen e Fiorentina em suas campanhas internacionais. Já na Recopa de 1989/90, foram os responsáveis por eliminar o Barcelona de Johan Cruyff e também superaram o Dinamo Bucareste nas semifinais.

O treinador do Anderlecht conhecia bem a Sampdoria. Aad de Mos deixara o Mechelen pouco depois da eliminação para os italianos na Recopa 1988/89 e buscava sua revanche. A equipe tinha cinco jogadores que seriam convocados pela Bélgica à Copa de 1990. O capitão Georges Grün se destacava nesse grupo, no qual também se incluíam o goleiro Filip De Wilde, o volante Patrick Vervoort, o camisa 10 Marc Degryse e o atacante Marc van der Linden. Entre os estrangeiros, Stephen Keshi comandava a defesa e era uma bandeira da seleção nigeriana, enquanto Charly Musonda ocupava o meio e se destacava por Zâmbia. Milan Jankovic tinha vindo do Real Madrid, após anos de serviços prestados ao Estrela Vermelha. E a camisa 11 ficava com Arnór Gudjohnsen, grande nome da Islândia na época, que fez sua carreira no futebol belga. Para completar, o banco ainda oferecia jovens da estirpe de Luc Nilis e Luis Oliveira.

Apesar da clara qualidade do Anderlecht, a Sampdoria carregava consigo o favoritismo. A preponderância do Calcio no período era inegável e quatro representantes italianos estariam nas finais da Uefa durante aquela temporada. Os blucerchiati se tornaram os primeiros a erguer a taça. Para a decisão na Suécia, Katanec era o único dos três estrangeiros utilizado como titular – Cerezo, recuperando-se de uma cirurgia no joelho, era ausência desde as semifinais. A equipe escalada por Boskov mantinha sua espinha dorsal com Pagliuca, Pellegrini, Vierchowod, Dossena e Pari. Já na frente, os “Gêmeos do Gol” assumiam a responsabilidade, entre a classe de Mancini e o faro de gol de Vialli.

O primeiro tempo viu um bombardeio da Sampdoria. E mal dava para acreditar que o placar se manteve zerado, diante da quantidade de chances criadas pelos blucerchiati. Vierchowod poderia ter anotado um belo tento de cabeça, mas parou em defesa ainda mais incrível de De Wilde. Depois de um recuo errado da zaga belga, Mancini tocou por cima do goleiro, mas Wim Kooiman salvou em cima da linha. E o goleiro aurirroxo realizaria mais uma intervenção vital antes do intervalo, saindo nos pés de Invernizzi para evitar o gol. Já no segundo tempo, sem que o cenário mudasse muito, De Wilde permaneceu como principal figura. Pagliuca mal sujou o uniforme do outro lado, pegando apenas bolas fáceis.

O placar zerado forçou a prorrogação. Boskov já tinha colocado Lombardo no segundo tempo e deixou a equipe mais ofensiva também com a entrada do ponta Salsano, no lugar de Katanec. Foi uma cartada certeira. O gol que inaugurou a contagem saiu aos 15 minutos do primeiro tempo extra. Salsano acertou um petardo cruzado, que De Wilde desviou com a ponta dos dedos rumo à trave. O goleiro não conseguiu segurar o rebote e, oportunista, Vialli brigou pela bola para anotar na pequena área. Já no início do segundo tempo da prorrogação, Vialli concluiu a vitória por 2 a 0. Salsano abriu com Mancini na direita e o camisa 10 cruzou para o artilheiro cabecear. Com todos os méritos, a taça acabou erguida pelo capitão Pellegrini.

Nas semanas seguintes, a Juventus conquistou a Copa da Uefa em cima da Fiorentina e o Milan bateu o Benfica para levar pelo segundo ano consecutivo a Champions. A Itália chegava motivada à Copa do Mundo em sua casa e a Sampdoria seria parte da engrenagem. Artilheiro da Recopa com sete gols, Vialli começou o torneio como titular, embora tenha perdido a posição para Roberto Baggio. Voltaria ao time durante a semifinal contra a Argentina, sem evitar a eliminação nos pênaltis. Vierchowod entraria algumas vezes ao longo da competição, enquanto Mancini e Pagliuca permaneceram como opções no banco.

O melhor da Sampdoria, no entanto, ainda estava guardado. A equipe de Vujadin Boskov deu um passo além na temporada 1990/91, ao conquistar seu esperado Scudetto. Além disso, também seria finalista da Champions em 1991/92, apesar de outro revés diante do Barcelona. A representatividade do timaço estrelado por Vialli e Mancini se ampliaria. E a Recopa Europeia acabaria ocupando um lugar especial na galeria de troféus, em meio ao consistente crescimento planejado por Vujadin Boskov e Paolo Mantovani naqueles anos.