O futuro era nebuloso para o Arsenal. No pior cenário possível, poderia encerrar a temporada sem suas duas principais estrelas, irritando o torcedor com a sua famosa inércia no mercado de transferências, sem títulos e fora da Champions League, o que complica a solução dos três problemas anteriores. Mas janeiro termina com uma nova esperança para os Gunners e a cereja no bolo foi anunciada nesta quinta-feira: Mesut Özil renovou o seu contrato por mais três temporadas.

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Quando fechou a janela de verão na Europa, sem que Özil e Sánchez fossem negociados, ninguém apostaria um tostão furado que o Arsenal conseguiria manter pelo menos um deles. As especulações sempre foram mais fortes em torno do chileno, que no fim acabou escolhendo o Manchester United em detrimento do City. Mas Old Trafford também balançou à frente dos olhos do meia alemão de 29 anos, pensando com que clube assinaria um dos últimos contratos da sua carreira de alto nível.

Özil foi campeão do mundo pela Alemanha e espanhol pelo Real Madrid, além de conquistar a Copa da Inglaterra três vezes. A ambição de um jogador de alto calibre, porém, é buscar títulos mais altos, como a Champions League, e mais frequentes. O que ele precisou colocar na balança é se o Arsenal, além de fatores intangíveis como seu carinho pelo clube, representava uma boa plataforma para alcançar esses objetivos.

E parece que ele concluiu que sim. Ou, pelo menos, que pode se tornar um clube mais atrativo do que os outros que se interessaram pelo seu futebol. As contratações de Mkhitaryan, na troca por Sánchez, e de Aubameyang, jogador mais caro da história do Arsenal, foram afirmações dessa ambição que ajudaram a convencer Özil a ficar no Emirates – além de um salário astronômico de £ 350 mil por semana, também o maior da história dos Gunners.

Se ele pensou assim, tem razão. As movimentações do Arsenal no mercado de janeiro foram fora da curva para o clube, que se acostumou a fazer nenhuma ou no máximo uma grande contratação por temporada. Lacazette já havia chegado no verão. Ganhou a companhia de Mkhitaryan, contratação inteligente de um jogador talentosíssimo que chegou na liberação de outro que iria embora de qualquer maneira. E Aubameyang, um dos mais prolíficos atacantes dos últimos anos. Com Özil, estamos falando de uma linha de frente que deve pouco às melhores do mundo.

São jogadores rápidos, no melhor estilo dos melhores times que Wenger montou no Arsenal, e capazes de concretizar as assistências de Özil. Desde que chegou ao Arsenal, em 2013, ele deu 397 passes para finalização e 49 assistências em jogos da Premier League. Em termos gerais, um a cada seis ou sete desses passes vira gol. Não é impossível melhorar essa proporção com finalizadores melhores. Atuando juntos na temporada 2015/16, Aubameyang e Mkhitaryan marcaram 62 gols pelo Borussia Dortmund. Lacazette ainda está se firmando, mas foi um artilheiro comprovado no Lyon.

Recentemente, o Arsenal promoveu uma revolução nos seus cargos diretivos. Em novembro, contratou Raul Sanllehi, ex-diretor de futebol do Barcelona, para ser o “chefe de relações futebolísticas”, e Sven Mislintat como chefe de recrutamento. Já havia contratado Huss Fahmy, do mundo do ciclismo, para tocar as negociações de contrato. Coincidência ou não, a primeira janela de transferências com essa turma toda a postos já foi muito mais agressiva do que costumava ser para o Arsenal.

E precisará continuar dessa maneira porque ainda faltam peças para o Arsenal ter um time à altura dos seus objetivos. Buscou, como quem não quer nada, alguns zagueiros no dia do fechamento. Especulou-se David Luiz e Manolas, da Roma, e foi realizada uma abordagem superficial por Jonny Evans, do West Brom. Um volante com bons índices de marcação para equilibrar o leve meio-campo que Wenger adora também não seria uma má ideia.

Wenger renovou o seu contrato ano passado e fica no Emirates até 2019. As transferências sempre foram um foco de reclamação dos torcedores. Isso está melhorando. Agora, precisa provar que a sua abordagem tática não está ultrapassada para transformar esse futuro que parece promissor em uma realidade vencedora. Özil certamente acredita que ele consegue.


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