Não dava nem para desgrudar os olhos do que acontecia no gramado. Chelsea e Ajax fizeram um dos jogos mais incessantes da Champions League nas últimas temporadas. E não poderia ser diferente, em uma noite que terminou com oito gols. Dentro de Stamford Bridge, os Godenzonen aplicavam uma goleada muito acima das expectativas. Entre a pressão que impunham e a sorte que deram, os holandeses abriram três gols de diferença. Entretanto, os Blues ainda ressuscitariam, especialmente graças ao lance que culminou na expulsão de dois jogadores adversários ao mesmo tempo. Os londrinos reagiram e buscaram o empate. No fim, até se esperava o nono gol – e mesmo os Ajacieden doavam suas últimas energias para tentar marcá-lo. Se não veio, o insano 4 a 4 saía de bom tamanho ao esforço de ambos os lados, razoavelmente satisfeitos com a noite intensa de futebol.

Cinco minutos bastaram para que ficasse claro quão maluco seria o jogo em Stamford Bridge. O Ajax precisou de dois minutos para abrir o placar. Após a cobrança de falta na esquerda, a batida de Quincy Promes foi desviada por Tammy Abraham contra a própria meta. Todavia, o Chelsea conseguiu empatar logo na sequência. Christian Pulisic sofreu um pênalti e Jorginho cobrou com muita calma para igualar. Os dois times não diminuíam o ritmo e atuavam de maneira agressiva, com pressões altas. O terceiro tento parecia uma questão de tempo.

O Chelsea até marcou antes, mas a arbitragem cancelou corretamente o gol de Tammy Abraham, por impedimento. E depois que Dusan Tadic assustou, o Ajax retomou a dianteira aos 20. Hakim Ziyech começava a chamar o jogo para si e mostrou sua qualidade técnica com um cruzamento perfeito. Bola fechada, que encontrou Promes livre dentro da área, aproveitando-se do cochilo de César Azpilicueta. A eficiência pesava a favor dos Godenzonen, que passaram a controlar a partida. O único problema aconteceria com os cartões amarelos seguidos a Joel Veltman e Daley Blind, num intervalo de dois minutos. Seriam determinantes à sequência do duelo.

Antes de qualquer problema, porém, o Ajax chegou ao terceiro gol aos 35. Mais uma vez, misturou a categoria de Ziyech com uma pitada de sorte. Em uma cobrança de falta fechada, o marroquino mandou o chute com curva em direção ao gol. Encobriu Kepa Arrizabalaga e carimbou a trave, mas depois veria a bola bater no rosto do arqueiro antes de entrar. Gol contra, que dificultava a missão do Chelsea. Antes do intervalo, a partida seguiria aberta, com chances aos dois lados. Nenhuma das equipes deixava de se entregar.

O Chelsea voltou com muita vontade para o segundo tempo. Era direto em suas ações e tentava romper a defesa do Ajax. Criou um punhado de oportunidades e parecia pronto para a reação. O que aconteceu? Gol dos holandeses aos oito minutos, esfriando as pretensões dos ingleses. A ótima troca de passes, que avançou pela direita, encontrou Donny van de Beek livre dentro da área. O meia teve tempo para dominar e arrematar, garantindo o quarto gol dos Godenzonen. O placar era dilatado demais para a diferença entre as equipes, mas premiava a eficácia e a autoridade dos visitantes.

Depois do quarto gol, o Chelsea sentiu o baque. A torcida em Stamford Bridge murchou e o time ainda precisaria lidar com a lesão de Mason Mount. Por isso, foi tão importante descontar aos 18. Neste momento, os Blues renasceram com o segundo tento. Após o cruzamento da direita, Abraham desviou dentro da área e Azpilicueta apareceu quase em cima da linha para marcar. Um lance na base da raça, que permitiria aos londrinos acreditarem. A equipe confiava em suas transições rápidas e viu seu destino mudar aos 23.

De uma só vez, o Ajax recebeu dois cartões vermelhos. Daley Blind deu uma entrada forte, mas o árbitro concedeu a vantagem ao Chelsea na jogada. Então, Calum Hudson-Odoi viu seu chute bater no braço de Veltman dentro da área, ocasionando um pênalti. Blind recebeu o segundo amarelo pelo lance ríspido, assim como Veltman seria punido com o segundo amarelo por seu toque com a mão. Com dois jogadores a mais, os Blues encostaram no placar, graças ao penal convertido por Jorginho. E, pior aos Godenzonen, Erik ten Hag ainda sacrificou dois de seus principais jogadores ofensivos. Ziyech e David Neres saíram, para que Perr Schuurs e Edson Álvarez evitassem um estrago maior, recompondo a marcação.

Não deu muito tempo para evitar o empate. Afinal, o Chelsea já igualou aos 29. Após uma cobrança de escanteio, Abraham carimbou o travessão, mas a sobra ficou para Reece James concluir para dentro. Um jogo que parecia perdido aos Blues, neste momento, possibilitava a brecha de uma virada heroica. No entanto, heroico também foi o Ajax durante os 20 minutos finais. Os Godenzonen não apenas contiveram a pressão, como não deixaram de atacar e de buscar a vitória mesmo com dois a menos.

O Chelsea acreditou ter alcançado a virada aos 33. Azpilicueta pegou um chute na veia, após sobra dentro da área, e comemorou explosivamente. Tudo para que o VAR anulasse corretamente o tento, diante de um toque de mão de Abraham pouco antes. Os Blues eram melhores e martelavam, obviamente. Mas Kepa também precisou trabalhar, ao realizar duas defesas em poucos minutos, diante de Álvarez e Tadic. Já nos instantes finais, os ingleses deram o seu último gás. Foram três chances claras depois dos 44. Na melhor delas, Michy Batshuayi bateu no canto e André Onana salvou com uma só mão, operando um milagre decisivo aos holandeses. Era uma partidaça, lá e cá, e os quatro minutos de acréscimos ficaram baratos. Serviram para preservar a igualdade e os diferentes heroísmos das equipes em campo.

Nenhum dos times sai de cabeça baixa com o resultado. O Chelsea sabe que não fazia uma boa partida defensiva e por isso permitiu quatro gols, mas ressurgiu das cinzas e mereceu a vitória no final. O Ajax, por sua vez, dominou o placar quando jogava de igual e se segurou bravamente com dois a menos, por mais que tenha cedido uma diferença de três gols. Na singularidade da noite, a partidaça não merece lugares-comuns. O que aconteceu em Stamford Bridge se explica apenas por sua própria história, e não por rasos clichês.

A situação no Grupo H, além do mais, fica aberta. O Valencia goleou o Lille por 4 a 1 no outro jogo da chave. Agora, os três primeiros colocados estão empatados: Ajax, Chelsea e Valencia somam sete pontos, com vantagem momentânea a holandeses e ingleses no confronto direto. Tudo indefinido a uma disputa que não garante ninguém, por mais que Godenzonen e Blues tenham mais armas para ambicionar os mata-matas.

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