As incertezas ao redor do Santos, agora comandado por Cuca, deixavam o favoritismo mais amplo ao Cruzeiro no encontro pelas quartas de final da Copa do Brasil. Na estreia do novo treinador, os alvinegros teriam a chance de mudar essa situação dentro da Vila Belmiro. No entanto, são os celestes que reafirmam suas condições para buscar mais um título na competição nacional. A equipe de Mano Menezes deu um passo importante nesta quarta-feira, ao derrotar o Peixe por 1 a 0 na ida. Jogo que demorou a pegar fogo, mas teve seus lances decisivos no final do segundo tempo. Um milagre de Fábio e o chute cirúrgico de Raniel, aos 35 da etapa final, foram determinantes.

Em uma partida sem muita qualidade técnica, havia pouca emoção sob a forte chuva na Baixada Santista. O Santos tinham um pouco mais de iniciativa, sem conseguir criar, e se recompunha rápido. Enquanto isso, o Cruzeiro demorou a conseguir encontrar suas primeiras chances de gol. Os visitantes equilibrariam o duelo nos 15 minutos finais e fariam Vanderlei trabalhar, com duas boas defesas do arqueiro santista. Ainda assim, era pouco para o que se esperava de um jogo de tamanho peso. Faltava mais ousadia nas equipes, que se preocupavam em não se expor e ofereciam nada ao ataque.

Jogando com a bola no chão e de maneira coesa, o Santos segue com seus visíveis problemas na armação. Entretanto, teve mais atitude no segundo tempo. Aos poucos, Rodrygo começou a fazer boas jogadas individuais, deslocado à direita, enquanto Gabigol reclamou de um pênalti – em lance revisado pelo VAR, grande novidade desta fase da Copa do Brasil. Tentando pressionar um pouco mais, o Peixe também se expunha, mas pareceu capaz de conquistar a vitória. Não à toa, o primeiro dos lances decisivos aconteceu 32 minutos.

Em meio à insistência, Dodô levantou a bola na área. Gabigol passou às costas da zaga e saiu de frente para o crime. Dá até para discutir se foi um gol perdido, tamanha a liberdade do atacante, que resolveu bater de primeira. Mas não se nega a defesaça de Fábio, para evitar o primeiro tento da partida. Logo depois, o veterano também sairia providencialmente para salvar os mineiros. Foi fundamental para o que aconteceu na sequência. Aos 35, Raniel recebeu de Robinho na entrada da área. O atacante, que substituíra Barcos no segundo tempo, era acompanhado por David Braz. Mas conseguiu dominar e bater por entre as pernas do zagueiro, acertando o chute no canto de Vanderlei. Precisão que valeu a vitória, sem que os santistas esboçassem uma reação.

O Santos sabe que, se quiser ter algum sucesso na temporada, sua grande chance é na Copa do Brasil. É um caminho “mais curto” do que a Libertadores, enquanto o Brasileirão deve se restringir em terminar a salvo. Todavia, sem os reforços já anunciados até o momento e pouquíssimo tempo para Cuca trabalhar, só um milagre é possível. Nesta quarta, foi uma equipe razoavelmente encaixada, que dominou a posse de bola, mas de maneira estéril. Pelo domínio que teve, o Peixe criou pouco, e dependeu demais das individualidades (entenda-se, Rodrygo) para isso. A falta de criação no meio segue como o grande desafio de Cuca neste início.

Já o Cruzeiro ressaltou suas características com Mano Menezes: um time defensivo e aquém do potencial que possui, mas competitivo. Segurou-se na defesa sem passar grandes apuros, tentou aproveitar os espaços e em uma rara brecha, encontrou o gol. Nada para encher o peito de seus torcedores, embora suficiente para deixar a situação relativamente cômoda para o reencontro no Mineirão, reafirmando o seu favoritismo.


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