Ser goleiro é uma das missões mais ingratas que existem no futebol. Não há perdão aos erros – e mesmo àquilo que nem pode ser considerado um erro. O peso da responsabilidade não se compara, levando em conta que cada movimento do corpo pode ser decisivo aos rumos do jogo. E só não cravo aqui que, de fato, é “a missão mais ingrata que existe no futebol” porque o gosto de ser goleiro também se faz gigantesco. Somente quem se penitencia no isolamento sob as traves sabe o prazer de um voo perfeito, de uma defesa inesperada, de atos que por vezes você nem sabe explicar. Mas sabe que aconteceram, porque as testemunhas oculares permanecem estupefatas ao seu redor e um grito de espanto quase sempre vem à boca. Ver o atacante incrédulo do outro lado é a sutil vingança aos arqueiros, contidos a não exasperar suas emoções sob o risco de perderem a concentração. Mas elas permanecem lá, em combustão dentro do peito, prontas a darem mais impulso às pernas e levarem as mãos rumo ao milagre.

Em um futebol de outros tempos, com vídeos mais raros e narrativas contidas ao que terceiros viveram, a lenda de Gordon Banks se concentra sobre essas memórias. A grandeza que depende de instantes, mas já suficiente para ser eterna. O fatídico lance na Copa do Mundo de 1970 é a referência imediata ao craque de luvas. Pois há também uma série de fotografias que recontam as suas virtudes, em voos plásticos e outras tantas defesas espetaculares. Assim, no dia em que nos despedimos de Gordon Banks, falecido aos 81 anos, aproveitamos para resgatar suas imagens – a prova preservada pelo tempo de que era um dos grandes de sua posição. Fica gravada a sensação única, proporcionada por cada vez em que se nega o impossível.

 

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