Foram semanas conturbadas para o Palmeiras. Exageradamente conturbadas. A derrota na final do Campeonato Paulista para o Corinthians foi pesada para uma temporada alviverde que começa boa. A conversa era sobre tribunais, anulação de jogos, Corte Arbitral do Esporte, meia dúzia de pessoas, na internet e em Buenos Aires, que não gostam do Dudu e atuações fracas nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, talvez a única preocupação palpável e relevante. Mas oscilações são normais no começo de um trabalho e os resultados até agora são aceitáveis. Aumentar o som com uma vitória estrondosa pela Libertadores era a melhor maneira de silenciar os ruídos e foi isso que aconteceu. Nesta quarta-feira, o Palmeiras derrotou o Boca Juniors, na Bombonera, por 2 a 0, e se classificou às oitavas de final do torneio sul-americano. 

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O tamanho desta vitória: o Palmeiras é apenas o 13º time a vencer em La Bombonera pela Libertadores. O quinto brasileiro. É o único estrangeiro em 58 anos de torneio sul-americano a alcançar o triunfo por dois gols de diferença – o outro foi o Independente, da Argentina, em 1966. E o fez resistindo até a erros de arbitragem. O Boca Juniors teve dois tentos corretamente anulados, mas um primeiro lance de Ábila, em que ele perdeu um gol absolutamente incrível, era irregular e o juiz ignorou. O apitador também deixou de expulsar Magallán, no começo do segundo tempo, por uma falta pesada em Lucas Lima. O zagueiro já tinha cartão amarelo e definitivamente merecia outro. 

Não foi uma partida exemplar do Palmeiras no âmbito técnico. Felipe Melo errou muitos passes e interceptações. Marcos Rocha sofreu para resguardar a lateral direita. Keno errou alguns dribles. Dudu não apareceu muito. E Borja estendeu sua longa discussão com a bola. As divergências parecem já irreversíveis. Eles nunca vão se entender. Mas a postura foi impecável. Concentração total, disciplina tática, vibração no ponto certo e eficiência para converter as chances que apareceram. 

A estratégia do Palmeiras para o começo do jogo foi clara. Roger Machado adiantou as linhas, pressionou alto e quase foi imediatamente premiado. O goleiro Rossi tentou um chutão, sob a supervisão de Keno. A bola bateu nas costas do atacante palmeirense e por pouco não entrou. O Boca atacava, o Palmeiras defendia. Poucas chances para os donos da casa. Aos 22 minutos, Pavón mandou uma falta direto no travessão de Jaílson. E, aos 39, o Palmeiras abriu o placar. Marcos Rocha recolheu a bola na lateral direita, uma jogada quase perdida, ajeitou e cruzou precisamente para Keno cabecear cruzado no canto de Rossi. 

Duas jogadas parecidas levaram perigo ao Palmeiras antes do intervalo. Pavón bateu cruzado e Ábila apareceu na segunda trave. Ele estava a centímetros da linha de gol e conseguiu, ainda sem sabermos exatamente como, bater para fora. Estava impedido. No lance seguinte, quase idêntico, o ex-jogador do Cruzeiro conseguiu colocar a bola para dentro, mas, desta vez, o bandeirinha assinalou a posição irregular. 

 

As coisas deveriam ficar mais fáceis para o Palmeiras no começo do segundo tempo, quando Magallán fez uma falta dura em lance perigoso sobre Lucas Lima, mas o zagueiro do Boca não recebeu o segundo cartão amarelo. O Boca Juniors, empurrado por sua torcida, passou a pressionar os visitantes. Pablo Pérez cortou na entrada da área e levou muito perigo. Pavón mandou uma para fora. E, na segunda tentativa, seu chute colocado foi muito bem defendido por Jaílson. O gol do alívio palmeirense surgiu aos 21 minutos, com uma contribuição inestimável do goleiro Rossi. 

Deu tilt na cabeça dele. Rossi saiu bem do gol para interceptar o lançamento de cabeça. A bola sobrou para Willian, que tentou bater por cobertura e foi bloqueado. A primeira oportunidade para Rossi voltar para debaixo das traves. Lucas Lima pegou a sobra, também tentou encobri-lo e também pegou mal. A segunda oportunidade para Rossi voltar para debaixo das traves. Na terceira tentativa, Lima conseguiu a finalização que queria e Rossi ainda não havia voltado para debaixo das traves: 2 a 0. 

 

Ainda deu tempo de outro gol bem anulado do Boca Juniors, marcado por Tevez, que havia empatado a peleja do Allianz Parque. A vitória já era palmeirense. A equipe paulista chegou a 10 pontos e está classificado porque, por haver confrontos diretos entre Boca Juniors e Junior Barranquila – e Boca e Alianza Lima -, não pode ser ultrapassado por duas equipes. Mais do que isso, consegue uma vitória gigantesca para matar o princípio de crise ainda no nascedouro. E com a vaga assegurada, pode conduzir o calendário com mais tranquilidade até a parada da Copa do Mundo.