Betis e Celta estão entre os clubes medianos da Europa com maior vocação ofensiva nas temporadas recentes. Cada um joga à sua maneira, mas, entre a agressividade dos verdiblancos e o jogo direto dos celestes, sempre é possível esperar muitos gols. E o confronto deste domingo, no Estádio Benito Villamarín, não poderia ter um resultado diferente do que a completa insanidade. Graças a um segundo tempo especialmente maluco, jogado em altíssima velocidade, prevaleceu o empate por 3 a 3 – que não beneficia muito as equipes na tabela de La Liga, mas valeu a quem se entreteve assistindo à peleja.

Foram nada menos de 29 finalizações ao longo da partida, 14 delas no alvo. As chances pipocavam desde os primeiros minutos, com o goleiro Pau López trabalhando mais para salvar o Betis. Ainda assim, o time da casa saiu em vantagem aos 33. Contragolpe em que Giovani Lo Celso deu passe fabuloso de calcanhar a Loren, que tocou na saída do goleiro Sergio Álvarez. Antes do intervalo, Sergio Canales acertou a trave para os verdiblancos. Já no início da segunda etapa, os andaluzes ampliaram. Andrés Guardado disparou e, no bate-rebate, Junior Firpo aproveitou dentro da área. Parecia uma situação tranquila aos beticos. Só parecia.

A reação fantástica do Celta teve Maxi Gómez como seu grande protagonista, depois que o uruguaio saiu do banco de reservas. Aos 18, o centroavante apareceu dentro da área para desviar de cabeça o cruzamento de Andrew Hjulsager. Seis minutos depois, aconteceu o empate. Os galegos ganharam a bola no campo de ataque e o lançamento mais uma vez funcionou. David Juncà cruzou do meu da rua e conectou Brais Méndez, livre no bico da grande área. O meia matou a bola com estilo, ajeitou com o peito e soltou a bomba. Golaço. Por fim, a virada aconteceu aos 39. Era uma jogada que parecia perdida, Hjulsager salvou na linha de fundo e mais uma vez encontrou Maxi Gómez, livre no segundo pau.

A virada inacreditável do Celta não durou tanto. Afinal, havia tempo o suficiente e o Betis contou com o talento de Canales. Aos 42, os verdiblancos ganharam uma falta na intermediária. Era uma cobrança frontal, embora distante da meta de Sergio Álvarez. O batedor precisaria unir força e precisão – o que o meia fez. Bateu de chapa na bola, mandando um tiro venenoso por cima da barreira, que saiu do alcance do goleiro e morreu no ângulo. Mais uma pintura, desta vez definitiva ao marcador, por mais que Iago Aspas ainda tenha esbarrado na trave durante os instantes finais. Em mais uma cobrança de falta, soltou a bomba que estremeceu o travessão, mas não foi além. O vendaval terminava em igualdade.

O Betis está em sinal de alerta. O time não vence há quatro rodadas e ocupa o modesto 14° lugar, com 13 pontos. Para sua sorte, o equilíbrio no Campeonato Espanhol mantém as perspectivas, a quatro pontos da zona de classificação à Liga Europa. O ataque funcionou desta vez, algo que não vinha acontecendo nesta temporada, a despeito das muitas chances criadas e da enorme posse de bola. O problema foi a defesa, que reviveu velhos problemas. Já o Celta é o 11°, com 14 pontos. Também não vive uma sequência tão pródiga por conta da fragilidade de seu sistema defensivo, mas vê o ataque se firmar como o terceiro melhor do campeonato no momento.