O futebol consegue ser uma completa maluquice. O Cruzeiro sai do Allianz Parque com um empate amargo, com sabor de derrota, mas que o deixa em excelente posição para passar às semifinais da Copa do Brasil. O Palmeiras, por outro lado, comemora um empate heroico, com sabor de vitória, mas que complica a sua vida para o jogo de volta no Mineirão. Esse é o balanço do emocionante 3 x 3 da noite desta quarta-feira.

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Poucas vezes podemos separar tão bem uma partida em dois tempos distintos. O primeiro foi todo do Cruzeiro. Inteiro. Encarou uma defesa desorganizada e lenta do Palmeiras com uma exibição de gala, toques rápidos, curtos e insinuantes, orquestrados por Thiago Neves. Fabiano e Zé Roberto não conseguiram lidar com tanta velocidade e ficaram vendidos na maioria das jogadas.

O irônico é que o Palmeiras teve um bom início. Com intensidade, o Cruzeiro foi acuado no seu campo de defesa, e os donos da casa tiveram duas chances. Uma com Willian, que acertou o lado de fora da rede, e outra com Guerra, que arrancou desde o campo de defesa e quase marcou um golaço em jogada individual. A finalização, porém, foi para fora. Isso aconteceu nos primeiros cinco minutos. No sexto, o Cruzeiro abriu o placar.

Alisson puxou o contra-ataque pela esquerda diante de uma defesa deformada do Palmeiras. O lateral direito era Róger Guedes. Um dos zagueiros era Zé Roberto. O passe encontrou Diogo Barbosa, e o cruzamento encontrou Thiago Neves, que finalizou da entrada da pequena área. No outro lado do campo, 13 minutos depois, uma rápida troca de passes desmontou a marcação individual da equipe treinada por Cuca e deixou Lucas Romero sem marcação dentro da grande área. Bastou a ele rolar para Robinho ampliar.

O Palmeiras já começava a entrar no modo desespero, acelerando as jogadas, errando passes e tomando decisões erradas. Levou mais perigo em duas tentativas de Tchê Tchê, de fora da área, e assistiu ao Cruzeiro marcar o terceiro: Thiago Neves escapou pelo meio-campo, a marcação de Thiago Santos foi bem frágil e o passe achou Alisson. Fabiano, que foi substituído pouco depois, ainda no primeiro tempo, perdeu para o atacante cruzeirense, que tocou por cima de Prass.

Ainda faltavam 15 minutos para o primeiro tempo acabar, e Cuca precisava estancar a sangria. A primeira substituição foi imediata: saiu Fabiano, entrou Egídio. Tchê Tchê foi para a lateral direita, e Zé Roberto, para o meio. Arrumar as laterais foi essencial para dar mais solidez defensiva para o Palmeiras e evidencia o quanto essas posições representam um problema sério para a equipe. Deveriam ser prioridade no mercado de transferências.

Para piorar a noite palmeirense, Guerra, o melhor jogador do time nas últimas partidas, sentiu dores e precisou ser substituído. Segundo informações durante a partida, foi apenas por precaução. Entrou Borja, e o colombiano, tão contestado, foi muito bem e participou de dois gols alviverdes. Começou a jogada que Dudu deixou com Zé Roberto, cuja finalização foi bloqueada. O capitão palmeirense conferiu  no rebote.

Em seguida, o artilheiro das Américas do ano passado cabeceou para Dudu fazer o segundo. Isso tudo aconteceu entre os seis e os 15 minutos do primeiro tempo, com direito a uma tentativa de bicicleta de Willian, que Fábio defendeu muito bem. Aos 19, o empate. Bola lançada na área acabou nos pés de Willian, que contou com um desvio para marcar.

O Cruzeiro havia abdicado de jogar e não conseguia mais trocar os seus passes, nem ameaçar Fernando Prass. Foi criar uma jogada de perigo apenas nos minutos finais, em um cruzamento de Thiago Neves que Ábila, por pouco, não completou. O Palmeiras tentou a virada no abafa, na pressão, da mesma maneira que conseguiu o empate. Pela direita, Dudu tirou dois coelhos da cartola que por pouco não foram aproveitados por Borja e Keno.

Há, além da emoção, pontos preocupantes para os dois times. Foi escandalosa a desorganização da defesa do Palmeiras, frágil demais nos contra-ataques e na recomposição. E não dá para uma equipe com grandes ambições como a do Cruzeiro desperdiçar uma vantagem de três gols em menos de 20 minutos.

Entre mortos e feridos, entre a exibição brilhante dos visitantes no primeiro tempo e a raça dos anfitriões no segundo, o resultado ficou melhor para os mineiros, que jogam por qualquer empate normal no Mineirão. O Palmeiras precisa vencer em um palco em que costuma se complicar. Mas, depois da noite desta quarta-feira, vai saber o que pode acontecer daqui a um mês.