Um São Paulo cirúrgico aproveitou bem suas chances e categoricamente eliminou o Flamengo na Copa do Brasil

Precisando apenas do empate, o São Paulo venceu com sobras no Morumbi para avançar às semifinais da Copa do Brasil

Eficaz quando as chances surgiram, o São Paulo já tinha construído uma boa vantagem no primeiro confronto com o Flamengo pela Copa do Brasil. E o reencontro no Morumbi guardou um Tricolor com ainda mais sangue nos olhos, cirúrgico num excelente segundo tempo. Os rubro-negros tinham mais posse de bola, mas parca organização para aproveitar isso. Mesmo precisando se concentrar na defesa, os são-paulinos não concederam tantos espaços e, agressivos na volta do intervalo, confirmaram a classificação com uma vitória indiscutível. Luciano guardou as boas oportunidades que teve e Pablo fechou a conta no final, em noite na qual o Fla ainda desperdiçaria mais um pênalti diante dos paulistas e jogaria fora a grande esperança de reação. Triunfo contundente por 3 a 0, que põe o time de Fernando Diniz na semifinal.

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O São Paulo repetiu a escalação usada no Maracanã, num 4-4-2 com destaque à dupla de ataque formada por Brenner e Luciano. No meio, Daniel Alves tinha a missão de conduzir a equipe. Já o Flamengo também apostava novamente no 4-4-2, mas com duas modificações. Thuler entrou no lugar de Gustavo Henrique na zaga, enquanto De Arrascaeta acompanhava Bruno Henrique no ataque, sem o lesionado Gabigol. Outra novidade era a presença de Everton Ribeiro no banco de reservas, um dia depois de atuar os 90 minutos pela seleção brasileira.

O primeiro tempo no Morumbi seria parecido com o que aconteceu no Maracanã uma semana antes. O Flamengo dominava a posse de bola e apertava no campo de ataque, contra um São Paulo com dificuldades na transição e construindo pouco na frente. Os rubro-negros, todavia, não gerariam tantas chances quanto na primeira partida e nem causariam muitos apuros com sua marcação-pressão. O encontro no Morumbi era ainda mais arrastado, com raras penetrações dos cariocas na área adversária e nada de contragolpes tricolores.

Quando o Flamengo finalizou nos primeiros 15 minutos, Tiago Volpi realizou defesas tranquilas. Os rubro-negros não aproveitavam muito as pontas para abrir a defesa do São Paulo e também sentiam falta de seus homens de áreas ausentes. Ao menos, o Fla abafava as saídas do São Paulo, de novo obrigado a apostar nas bolas longas. Quando os tricolores conseguiram encaixar um bom avanço, aos 22, Reinaldo cruzou e Luciano marcou. Todavia, o lateral estava em posição de impedimento e a vantagem acabou anulada.

A partida melhorou um pouco nos minutos finais, com as principais chances aos dois lados. O Flamengo assustou em um chute de Renê para fora e em uma bola cruzada que Arão não cabeceou em cheio. Já o São Paulo teria seus avanços mais claros com Brenner, primeiro parando em Diego Alves e depois conseguindo um escanteio à sua equipe. De qualquer maneira, esperava-se mais de ambos os times. Era necessário modificar ao menos a postura ao segundo tempo. O Flamengo voltou com Everton Ribeiro no lugar de Michael. Mas foi o São Paulo que entrou bem mais ligado para buscar a classificação.

O filme da primeira partida também se repetiu no início da segunda etapa no Morumbi, com um gol instantâneo do São Paulo. Daniel Alves já era um dos melhores da equipe durante o primeiro tempo, muito presente ao organizar o meio-campo. Então, o veterano descolou um passe de mágica com a canhota, botando Luciano na cara do gol. O centroavante deu um inteligente desvio com a parte de fora do pé e correu para o abraço. Apesar do impedimento marcado inicialmente pela arbitragem, o VAR validou a jogada, apontando a posição legal de Luciano ao sair às costas da zaga.

O Flamengo parecia não se organizar e quem aproveitou para anotar mais um gol logo depois foi o próprio São Paulo, ampliando aos 11. Depois de uma inversão para a esquerda, Igor Gomes passou para trás e Reinaldo cruzou com muito capricho. Luciano saltou sozinho no meio da área e cabeceou firme, sem chances de defesa a Diego Alves. Só então o Fla realmente acordou, tentando partir ao sufoco. Matheuzinho invadiu a área, mas não acertou o passe, e Gérson quase contou com um gol contra dos tricolores. Então, viria o lance determinante.

Aos 18, a arbitragem anotou um pênalti para o Flamengo, em cabeçada de Willian Arão que pegou no braço de Brenner. Depois das duas cobranças defendidas por Tiago Volpi no Brasileirão, contra Pedro e Bruno Henrique, desta vez quem assumiu a responsabilidade foi Vitinho. E o ponta foi péssimo em seu chute, mandando por cima, muito longe do travessão. Se os rubro-negros já pareciam um time insuficiente para uma partida em alta temperatura, sem postura, a equipe não produziria muito mais na reta final do jogo.

O Flamengo precisava de três gols, mas não tinha calma para construir nem um. Ainda tentou pressionar, com boas subidas de Matheuzinho pela direita e chances protagonizadas por Bruno Henrique, mas sem a precisão necessária nas finalizações. Rogério Ceni tirou Thuler e mandou a equipe mais ao ataque com Pepê. Mas levaria um tempo para que as ameaças voltassem a acontecer. Bruno Henrique cabeceou com perigo para fora, antes de desperdiçar diante de Volpi, em lance no qual estava impedido. Aos 33, o Fla botou Lincoln, Pedro Rocha e Lázaro. O sangue novo não adiantaria tanto assim e, diferentemente de outras partidas recentes, o São Paulo mantinha a combatividade atrás. Suas substituições fariam mais efeito.

Brenner até voltaria a testar Diego Alves, mas bateu em cima do goleiro. O golpe de misericórdia do São Paulo viria aos 40. Pressionado por Daniel Alves, Willian Arão recuou mal. Praticamente deu uma assistência a Pablo, que entrara pouco antes. O substituto leu o lance e interceptou a bola. Dentro da área, a marcação demorou a apertar, com o atacante encontrando tempo para fintar Léo Pereira e tocar na saída de Diego Alves. Até daria para anotar o quarto, com Tchê Tchê livre para arrematar um cruzamento no segundo pau, mas Diego Alves fechou o ângulo e evitou o pior. A partida ficaria mais corrida no fim, com seis minutos de acréscimos. Nem assim os flamenguistas diminuiriam o prejuízo.

O São Paulo sai fortalecido pela maneira como se classifica na Copa do Brasil. Resistiu à pressão dos adversários, o que não aconteceu em outros mata-matas com Diniz, e contou com a fase inspirada de seus atacantes. Se Brenner fez a diferença no Maracanã, Luciano seria determinante no Morumbi. Os tricolores seguem em frente na busca pelo título inédito, pegando agora o Grêmio na semifinal. Já o Flamengo sai com mais questionamentos. Os desfalques pesam, assim como o cansaço, mas permaneceu um time que não aproveitou as possibilidades ofensivas e vacilou atrás. Erros recorrentes não puderam ser corrigidos em uma semana de trabalho do novo treinador.