O Middlesbrough aparece entre os clubes mais tradicionais da Inglaterra, embora esteja distante de figurar entre os mais vencedores. Desde o início do século passado, o Boro transita entre a primeira e a segunda divisão. Conquistou o título da segundona quatro vezes, mas nunca foi além da quarta posição na elite, ainda na década de 1930. No entanto, para um clube que há sete temporadas não consegue voltar à Premier League, as décadas de 1990 e 2000 são lembradas com carinho. Tempos nos quais os alvirrubros faziam papéis decentes entre os grandes do país e brigavam pelas taças das copas. Tempos em que ganharam um de seus maiores ídolos da história: Juninho Paulista.

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Em 1994/95, sob o comando do jogador-técnico Bryan Robson, o Middlesbrough voltou à primeira divisão. E resolveu causar impacto através das contratações, abrindo as portas para estrangeiros – no que é considerada uma revolução na Inglaterra. Nick Barmby chegou a peso de ouro após despontar no Tottenham. No entanto, o principal negócio seria mesmo a compra de Juninho, então aos 22 anos. O meia revelado pelo São Paulo ganhava fama também com a seleção brasileira, se tornando titular na equipe de Zagallo e vestindo a camisa 10 na Copa América.

Juninho Paulista marcou época no Estádio Riverside. Mesmo chegando quase na metade da temporada, ajudou o clube a terminar na 12ª colocação em sua estreia na Premier League. Já o seu grande ano veio em 1996/97, quando teve a companhia de Fabrizio Ravanelli no ataque. Voando no setor ofensivo do Boro, o brasileiro marcou 13 gols em 44 jogos naquela temporada. Levou o time à final da Copa da Inglaterra e também da Copa da Liga Inglesa, mas perdeu ambas – para Chelsea e Leicester City, respectivamente. Só não teve a mesma sorte no Campeonato Inglês. O Middlesbrough acabou rebaixado nos tribunais, perdendo três pontos por ter cancelado o duelo contra o Blackburn, por conta da ausência de 23 jogadores lesionados ou doentes. Não fosse isso, teria permanecido na elite.

Apesar da campanha, Juninho acabou eleito o melhor jogador da temporada pela própria Premier League, batendo ninguém menos que Alan Shearer – que acabou com o tradicional prêmio dado pela PFA, a associação de jogadores. Além disso, também foi selecionado como o destaque do campeonato durante o mês de março. Seus dribles impressionavam, assim como a precisão nos passes e nas bolas paradas. Grande momento que não teve continuidade no país, diante do rebaixamento do Middlesbrough. Sem dinheiro para bancá-lo, o clube acabou vendendo seu craque ao Atlético de Madrid.

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Apesar disso, Juninho voltaria a Riverside em mais duas oportunidades. Defendeu os alvirrubros na Premier League 1999/00, além de passar outras duas temporadas no clube entre 2002 e 2004. Sempre com campanhas medianas na liga, mas também sempre brilhando individualmente. A despedida veio da melhor maneira possível: com título. O camisa 10 foi um dos destaques na campanha da conquista da Copa da Liga de 2004, em elenco que também contava com Schwarzer, Southgate, Mendieta, Zenden e Doriva.  Juninho anotou um gol naquela campanha, o da vitória por 1 a 0 sobre o Arsenal dentro de Highbury, no jogo de ida das semifinais. Os Gunners escalaram um time misto, no ano em que viveram os Invincibles.

Ídolo incontestável da torcida do Middlesbrough, Juninho é considerado por muitos como o maior jogador da história do clube. Não à toa, o título do Ituano no Paulistão de 2014 mereceu até homenagem em Riverside. Além disso, os momentos espetaculares que o camisa 10 viveu no Boro também o tornam quase sempre o primeiro da lista entre os melhores brasileiros que jogaram na Premier League – e segundo veículos de imprensa locais. Seu prêmio de craque da temporada segue como feito único entre os compatriotas.

Nesta semana, a contratação de Juninho pelo Middlesbrough completou 20 anos. Motivo de uma série de matérias especiais na imprensa da região e até homenagem do próprio canal da Premier League. Dimensiona o gigante que foi “The Little Fella” na Inglaterra.